Cena Política

Até os membros do conselho criado por João Campos com 53 pessoas acham que tem gente demais no grupo

É preciso mudar, no PSB e na esquerda de forma geral, a ideia de que as coisas só acontecem se uma secretaria ou um órgão formal for criado.

Igor Maciel
Igor Maciel
Publicado em 25/11/2021 às 11:43
Análise
REPRODUÇÃO/REDES SOCIAIS
INÍCIO Primeira reunião do Cedes foi comandada por João Campos - FOTO: REPRODUÇÃO/REDES SOCIAIS
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Esta semana aconteceu a primeira reunião do Conselho Estratégico de Desenvolvimento Econômico e Social do Recife (Cedes). O nome é grande, as atribuições também, mas o comentário entre os presentes, inclusive entre os integrantes é que o grupo também é grande demais.

Lembra a piada sobre serem necessárias dez pessoas para trocar uma lâmpada, quando uma sobe no banquinho e nove discutem "se é ético ou não ter luz em casa", enquanto todos permanecem no escuro.

O conselho é formado por pessoas da área de economia criativa, esportes, tecnologia e inovação, educação, entre outros.

Mas, são 53 pessoas discutindo políticas públicas para o Recife com foco em redução da desigualdade. Recife é considerada a capital da desigualdade no Brasil.

Há um temor, entre os próprios conselheiros, de que vai ser praticamente impossível avançar em determinados assuntos com tanta gente dando opinião ao mesmo tempo.

A preocupação principal é que o conselho acabe sendo apenas uma bandeira do prefeito João Campos (PSB) para dizer que dialoga com a sociedade (coisa pela qual o PSB não é famoso) mas que, na prática, as questões não provoquem resultado.

A título de comparação, a cidade do Rio de Janeiro tinha um conselho parecido com o do Recife que funcionou em 2012 e ficou esquecido até alguns dias atrás quando o prefeito Eduardo Paes o reativou.

O Distrito Federal tem um conselho nos mesmos moldes. Numa rápida pesquisa ao site oficial do governo, percebe-se que a última notícia sobre o conselho do DF é de 2017.

A própria presidência da República criou o seu Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, conhecido como "conselhão". O orgão tem mais de 90 pessoas e foi criado em 2003 por Lula (PT). Reuniu-se poucas vezes até 2014 e passou dois anos sem ser convocado.

Somente em 2016, no auge da crise, Dilma Rousseff (PT) tentou convocar o grupo, formado principalmente por grandes empresários, para tentar demonstrar força contra o impeachment. Sabe-se que não funcionou.

Hoje, o conselhão é tão útil quanto for grande a disposição de Bolsonaro (sem partido) para escutar conselhos de Luiza Helena Trajano, da Magalu, e do ator Milton Gonçalves. Algo perto de zero.

Conselhos são importantes na tomada de decisão, mas precisam ser algo mais objetivo. De morosa já basta a gestão pública em si.

Fato é que, se o PSB quer demonstrar que está disposto a dialogar com a sociedade, com empreendedores, e mudar a péssima relação que tem com esse setor, poderia fazer isso de forma mais prática, sem a necessidade de criar uma estrutura formal.

É preciso mudar, no PSB e na esquerda de forma geral, a ideia de que as coisas só acontecem se uma secretaria ou um órgão formal for criado.

Diálogo se faz no dia-a-dia e tem que virar rotina, não cerimônia, sem tantos badulaques. 

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