Cena Política

Raquel Lyra e Miguel Coelho não chegaram a um acordo e vão seguir campanhas separadas. Ninguém quer desistir

Ambos têm seus motivos, mas a campanha pode levar a uma situação em que não haverá alternativa.

Igor Maciel
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Igor Maciel
Publicado em 20/05/2022 às 17:42 | Atualizado em 20/05/2022 às 17:52
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CONVERSAS Nas últimas semanas, Miguel Coelho e Raquel Lyra intensificaram o diálogo sobre o futuro - FOTO: DIVULGAÇÃO / MDB
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A conversa entre Raquel Lyra (PSDB) e Miguel Coelho (UB) terminou com os dois decidindo que seguirão com suas candidaturas. Não houve acordo nem entendimento quanto à possibilidade de um dos dois desistir para integrar o projeto do outro.

Miguel teria insistido na estrutura e nos apoios que possui, contabilizando 30 prefeitos, além de ter bastante verba por causa do União Brasil.

Raquel teria sustentado que está em segundo lugar nas pesquisas, à frente dele, e que sua intenção de voto é mais orgânica e consistente.

De fato, Miguel tem apoio declarado de 30 prefeitos, mas há um movimento do PSB para alcançar muitos desses apoios e diminuir a influência de Miguel no Sertão.

De fato, a votação de Raquel é muito mais orgânica e espontânea que a de Miguel, mas resta saber se é suficiente para se meter na briga entre Marília Arraes (SD), Anderson Ferreira (PL) e Danilo Cabral (PSB), num ambiente de polarização.

Há um ponto, que foi colocado na conversa, e fragiliza Miguel. As pesquisas mostram que a vantagem de Raquel no Agreste está definida. Danilo e Marília já ocuparam os espaços que eram possíveis por lá.

Esse processo ainda está acontecendo no Sertão, os apoios de Miguel vão sofrer cada vez mais assédio nos próximos dias e a vantagem dele por lá deve cair no espaço de um mês.

Nenhum dos argumentos convenceu qualquer das partes. E as conversas, que aconteciam semanalmente, vão deixar de ocorrer. É o que dizem membros das duas campanhas.

Os dois resolveram apostar no futuro e ver no que dá.

Por que é difícil juntar?

Não é fácil para Raquel Lyra (PSDB) e Miguel Coelho (UB) chegarem a um acordo e reunirem seus palanques.

Numa eleição, 2 + 2 quase nunca é igual a 4.

Explicação de alguém que lê pesquisas qualitativas diariamente numa conversa com a coluna:

Se Miguel desistir, a maior parte dos votos dele vai para Anderson Ferreira (PL) e não para Raquel.

Se Raquel desistir, os votos dela vão se espalhar entre Danilo Cabral (PSB) e Marília Arraes (SD), não vão para Miguel.

Seria muito bom que fosse apenas uma soma, porque juntos eles teriam quase 40% da votação. Não funciona assim.

Problema pra Miguel

Esses dados apontam algo que, inclusive, deveria preocupar bastante Miguel. Entre 60% e 70% das intenções de voto do ex-prefeito de Petrolina tem como base eleitores muito ligados a Bolsonaro (PL).

O problema é que o candidato oficial de Bolsonaro em Pernambuco é Anderson e, com a campanha na rua e Bolsonaro ao lado do ex-prefeito de Jaboatão, esses votos podem debandar, deixando o palanque de Miguel esvaziado.

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