OPINIÃO

Os governadores, que hoje nadam em dinheiro, não querem perder o bem-bom dos bilhões extras gerados pelos aumentos da Petrobras

Arthur Lira (PP-AL), afirmou ontem não ter dúvida de que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), vai agilizar e aprofundar o exame da proposta, aprovada por quase 400 deputados federais, alterando o ICMS sobre os combustíveis. Leia os destaques de Cláudio Humberto

Cláudio Humberto
Cláudio Humberto
Publicado em 15/10/2021 às 6:32
Análise
Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro - Edifício sede da Petrobras no Centro do Rio. (Fernando Frazão/Agência Brasil) - FOTO: Fernando Frazão/Agência Brasil
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Temor é que Pacheco boicote redução de preços

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou ontem não ter dúvida de que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), vai agilizar e aprofundar o exame da proposta, aprovada por quase 400 deputados federais, alterando o ICMS sobre os combustíveis. Mas, na Câmara, muitos parlamentares duvidam da sinceridade de Pacheco quando, ainda na noite de quarta (13), disse que o País "já não suporta" os aumentos e que o Congresso precisa agir com rapidez contra isso. Como é habitual, horas depois Pacheco passou a defender interesses dos críticos do projeto, dizendo ser preciso "ouvir os governadores". Os governadores, que hoje nadam em dinheiro, não querem perder o bem-bom dos bilhões extras gerados pelos aumentos da Petrobras. A promessa de "ouvir os governadores", na prática, garante holofotes a Rodrigo Pacheco, mas também provocará demora na votação. A governista Bia Kicis (PSL-DF) definiu a votação de 4ª-feira: "a Câmara aprovou a redução no preço do combustível". E o Senado, fará o quê?

Política de lucros força privatização

Bolsonaro parece finalmente convencido da necessidade de privatizar a empresa "pública" Petrobras. A estatal, que se comporta como se fosse particular (pior, submissa a acionistas minoritários), saiu do controle do acionista majoritário, que é o povo brasileiro representado pelo chefe do Executivo. A estatal já não investe e prioriza apenas a distribuição de dividendos. A política selvagem de lucros da Petrobras é o que provoca reações como a do presidente, de simpatia à ideia de sua privatização. O problema é a definição do modelo de privatização. O primeiro passo é eliminar o seu maior privilégio. Afinal, não dá para privatizar monopólio. Economistas apontam outra providência necessária antes de privatizar: abrir o Brasil para que outras petroleiras concorram com a Petrobrás. Outro ponto, antes de levar a Petrobras a leilão, é fatiar a empresa. Quem a comprar não pode concentrar tanto poder no mercado brasileiro.

Passo glorioso

Falou-se muito sobre o projeto reduzindo o preço do combustível, "muito engenhoso" segundo o experiente ex-ministro Delfim Netto, mas pouco sobre seu autor. Trata-se do deputado Emanuel Pinheiro Neto (PTB-MT), para quem "é somente o primeiro passo, mas um passo glorioso."

Outra goleada

O presidente da Câmara, Arthur Lira, confirmou: a PEC que altera e amplia a composição do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) será votada terça-feira (19). Espera-se nova goleada.

Ela, não

A CPI falava em "indiciar" 30 pessoas. Passou a 34, a 40 e agora 50. Espera-se que entre estas não esteja d. Déa, mãe do saudoso ator Paulo Gustavo, por não haver permitido a exploração política da morte do filho.

Camomila

Bolsonaro deve utilizar todo o seu estoque de paciência ao receber o senador "seachão" Davi Alcolumbre. Se o presidente não for capaz de garantir sua difícil sua reeleição no Amapá, bye, bye, sabatina.

100% nacional

O presidente Jair Bolsonaro comemorou sucesso da bateria de nióbio, que sempre defendeu. "Permitirá carros elétricos recarregarem em 6 minutos. VW e a Toshiba já fecharam parceria para comercializarem".

Ferramenta

Para o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, a acusação de Ciro Gomes de que "Lula participou da conspiração" contra Dilma, mostra que Ciro é "uma ferramenta dos golpistas que elegeram Bolsonaro".

Frase

"Seguem iguais, não aprenderam nada. Criminosos" - Ministro Onyx Lorenzoni (Trabalho), no dia de mais uma invasão do MST. 

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