RENDA MÍNIMA

Comércio de Pernambuco depende do auxílio emergencial para ter um desempenho melhor este ano

A nova rodada do auxílio emergencial prevista para começar em março terá um valor menor que no ano passado e vai beneficiar menos pessoas. Mesmo assim vai fazer diferença para o varejo.

Edilson Vieira
Edilson Vieira
Publicado em 16/02/2021 às 20:58
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YACY RIBEIRO/ JC IMAGEM
Supermercados são o principal destino de quem recebe o auxílio emergencial - FOTO: YACY RIBEIRO/ JC IMAGEM
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O novo auxílio emergencial, cujos detalhes estão sendo definido pelo governo federal, e que deve começar a ser pago a partir do próximo mês de março, não será importante apenas para as famílias em situação de pobreza que irão recebê-lo. O comércio varejista já faz as contas de quanto vai representar a nova injeção de capital na economia local.

No ano passado, Pernambuco foi o quinto estado da Federação que mais recursos recebeu do auxílio emergencial, cerca de R$ 10,7 bilhões. Para o economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Pernambuco (Fecomércio-PE), Rafael Ramos, foi extremamente importante para o varejo local contar com esses recursos extras. “O auxílio foi aprovado em abril do ano passado e já em maio a gente teve um crescimento do comércio da ordem de 10%, comparado ao mês anterior. Em junho foram mais 10% de crescimento, se comparado a maio, e em julho chegamos a 19% de expansão, também em relação ao mês anterior”, calculou Rafael Ramos.

IMPORTÂNCIA

O economista reforça que os R$ 10,7 bilhões do auxílio emergencial representaram em 2020 um montante maior que o pagamento do 13º. salário, em novembro e dezembro, que totalizaram R$ 6 bilhões para Pernambuco no final do ano. O resultado é que o varejo local terminou o ano positivo em 0,7%. Parece pouco, mas no início de 2020 a expectativa era terminar o ano negativo, por conta do desemprego elevado e da retração da economia. “Houve segmentos que caíram e outros que subiram muito. Supermercados, farmácia, material de construção, móveis e eletrodomésticos foram os que apresentaram maior crescimento. Confecções e calçados caíram. Os demais cresceram menos. Mas o auxílio emergencial foi importante para amenizar a dor do varejo como um todo”, definiu Ramos.

Para o economista, o auxílio permitiu que as pessoas continuassem consumindo e muitos estabelecimentos não precisassem fechar as portas definitivamente. Para este ano, haverá redução no valor mensal, que deve ficar em torno de R$250. O governo projeta que cerca de 33 milhões de brasileiros deverão receber a nova rodada do auxílio, por um prazo entre três e quatro meses. A primeira rodada, paga a partir de abril do ano passado, beneficiou cerca de 65 milhões de brasileiros. A partir de setembro, a prorrogação do benefício contemplou um número menor, em torno de 57 milhões de pessoas.

O auxílio emergencial, no ano passado, foi importante para amenizar a dor do varejo como um todo”
Rafael Ramos - Economista da Fecomércio (PE)

SUPERMERCADOS

Edmilson Francisco, diretor de comunicação da Associação Pernambucana de Supermercado (Apes), não apresentou números, mas confirmou que houve aumento no faturamento dos supermercados no ano passado, durante a pandemia, por conta do pagamento do auxílio emergencial. “Do mercadinho de bairro ao hipermercado, acredito que não houve estabelecimento que não tenha crescido seu faturamento com o auxílio”. O representante da Apes afirmou AINDA que mesmo com a redução de R$ 600 para R$ 300 no valor pago pelo governo às famílias, a partir do mês de outubro do ano passado, houve queda no faturamento das lojas, mas a variação continuou positiva. “Houve então uma pulverização no mercado, com os estabelecimentos de pequeno porte sendo mais beneficiados”.

Edmilson disse que aconteceu ainda um aumento na procura por produtos mais baratos, alternativos, demonstrando que era uma demanda típica de consumidores de baixa renda. “A gente sabe que a grande dificuldade é de onde o governo vai buscar esse dinheiro. Mas é um recurso super importante para a economia”, acrescentou Edmilson Francisco.

POLÍTICA

A economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em Pernambuco, Jackeline Natal, informou que um estudo de abril do ano passado estimava que o auxílio emergencial representaria algo em torno de 5% do PIB de Pernambuco. “Ou seja, é um valor significativo de dinheiro circulando na economia, na mão de uma população que não tem capacidade de poupança. É uma população pobre, que perdeu renda e que vai gastar esse dinheiro com bens de primeira necessidade”, reforçou a economista.

Jackeline lembra que, no final do ano passado, com o fim do auxílio e a antecipação do 13º salário dos aposentados, houve uma grande frustração do comércio. “O efeito é que houve uma queda e 6% no consumo a nível nacional”. A técnica do Dieese disse que o comércio é apenas a ponta de uma cadeia produtiva muito maior. “Tem o insumo, a matéria prima, a transformação na indústria e, por fim, a distribuição e a venda. O comércio caindo vai retroalimentar a queda de outros setores”, detalhou.

Para a economista, o auxílio emergencial, por si só, não vai resolver um problema que é muito maior. “Existe uma total ausência de uma política de geração de investimentos e de emprego e renda para enfrentar a crise. O mantra da política pública hoje é o mantra de reduzir o gasto público. Nós estamos na tempestade perfeita, sem investimento público, com aumento do desemprego, redução de renda e com a transferência de renda mínima ainda incerta. É um processo de involução econômica”, concluiu.

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Rafael Ramos, economista da Fecomércio - FOTO:DIVULGAÇÃO

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