Intenção de consumo das famílias tem nova alta, mas revela cautela com relação a 2022

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias pernambucanas avançou 2,5% em dezembro, alcançando 76,5 pontos. O ideal é que estivesse mais próximo ou acima de 100 pontos

Edilson Vieira
Edilson Vieira
Publicado em 07/01/2022 às 18:47
Felipe Ribeiro/Acervo JC Imagem
Conjuntura econômica não colaborou para um quadro de boas expectativas em relação a estabilidade financeira em 2022 - FOTO: Felipe Ribeiro/Acervo JC Imagem
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O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), é um indicador que acompanha as tendências no comportamento de compra pelas famílias no curto prazo, baseado em suas perspectivas sobre o mercado de trabalho, renda e acesso a crédito. Os índices são mensurados de acordo com a situação das famílias com relação ao ano anterior e as suas expectativas para os próximos seis meses, variando de 0 a 200 pontos, indicando insatisfação, ou pessimismo, quando abaixo de 100 pontos e satisfação, ou otimismo, quando acima de 100 pontos. O índice de 100 é considerado patamar de estabilidade.

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias pernambucanas (ICF-PE) avançou 2,5% em dezembro, alcançando 76,5 pontos. Esse resultado representa o quarto mês consecutivo de alta na intenção de consumo das famílias no estado, mas ainda permanece muito abaixo do patamar de estabilidade, que é de 100 pontos segundo a metodologia da CNC.

COMPARAÇÃO

Apesar de aproximar-se paulatinamente do patamar de 80 pontos, o indicador ainda expressa a situação de fragilidade das famílias pernambucanas. A última vez em que esteve acima do patamar de 80 pontos foi em abril de 2020, quando alcançou 83,5 pontos.

Na comparação anual, com dezembro de 2020, o ICF cresceu 14,3%, influenciado pela situação de consumo no curto e médio prazo: os índices “nível de consumo atual”, “perspectiva de consumo” e “momento para duráveis”, apresentaram crescimento acima da média do índice geral (19,9%, 14,5% e 65,2%, respectivamente), também se destacando o componente “compra a prazo” (9,4%).

O estudo alerta que se trata de uma percepção com relação ao final de ano de 2020, momento em que as incertezas a respeito da pandemia de Covid-19 ainda eram muitas.

DESCONFIANÇA

A percepção de famílias a respeito da situação atual do emprego, por outro lado, avançou pouco em relação ao final de ano de 2020: o índice “emprego atual” ficou em 84,9 pontos em dezembro de 2021, registrando crescimento de apenas 0,5%. Essa percepção indica a desconfiança das famílias com relação à estabilidade no mercado de trabalho, tendo em vista a expectativa baixo crescimento no próximo ano, trazendo incertezas sobre a continuidade no emprego ao longo dos próximos meses.

Na série histórica do ICF-PE, a média anual de 2021 ficou em 69,4 pontos, mesmo desempenho observado em 2020 e muito próximo à média observada em 2016 (69,9 pontos) e 2017 (69,1 pontos), configurando um retorno ao nível de confiança das famílias durante momentos em que a taxa de desemprego apresentou elevação substancial.

Embora a média anual se mantenha, o comportamento por componente do ICF-PE registrou queda de 6,5% no índice de percepção sobre o nível de “emprego atual”, de 2,4% no índice de “perspectiva profissional” e de 13,7% no índice sobre “perspectiva de consumo”, revelando que a trajetória da conjuntura econômica ao longo de 2021, mesmo com o avanço da vacinação, não refletiu em expectativas para um quadro de estabilidade financeira para 2022.

 

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