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"Volta às aulas deve começar pela educação infantil e 3º ano do ensino médio", defende presidente do sindicato das escolas privadas

José Ricardo Diniz preside sindicato que reúne 2.400 escolas particulares de Pernambuco. Ele acredita que ano letivo de 2020 acabará em janeiro de 2021

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 13/06/2020 às 22:12
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Foto: Luiz Pessoa/JC360
Aulas presenciais foram suspensas em Pernambuco, por causa da covid-19, em 18 de março - FOTO: Foto: Luiz Pessoa/JC360
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A expectativa pelo retorno das aulas presenciais nas escolas, fechadas há quase três meses, é grande. Em Pernambuco, colégios, faculdades e universidades estão proibidos de ministrarem atividades nos estabelecimentos de ensino desde 18 de março, por meio de um decreto estadual, por causa da pandemia do novo coronavírus. A saída foi adotar aulas remotas. Não há previsão ainda de quando o governo vai autorizar, no Estado, a retomada das aulas presencias. A gestão estadual diz que somente quando houver segurança, do ponto de vista sanitário, é que será permitido.

Presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Pernambuco, José Ricardo Diniz diz que já é tempo de as escolas começarem a se organizar, mesmo sem haver ainda data estipulada para retomada das atividades presenciais. Afirma que as escolas privadas devem acabar o ano letivo de 2020 em janeiro de 2021 e aponta alguns cuidados que deverão ser tomados pelas unidades de ensino. Defende ainda que o retorno comece pela educação infantil e pelas turmas de 3º ano do ensino médio.

No Estado existem cerca de 2.400 colégios particulares, onde estudam 400 mil alunos e lecionam 20 mil professores. Dois terços dessas escolas são de pequeno porte. Veja, a seguir, entrevista com José Ricardo.


JC - O senhor tem ideia de quando as aulas presenciais vão voltar?

José Ricardo - É natural que, com a publicação recente, pelo governo do Estado, do Plano de Retomada das Atividades em Pernambuco, em meio ao período marcado pela pandemia da covid-19, surja uma grande expectativa em relação à volta das atividades presenciais no espaço escolar. Não se tem data. Mas é muito importante que o assunto comece a ser tratado pelas escolas e partilhado com a comunidade escolar, para que se elabore um planejamento amplo, fundamentado no princípio maior de preservação da vida, bem como do bem-estar físico e emocional da comunidade escolar, e, como efeito prático, do estrito cumprimento dos protocolos de segurança que vêm sendo usados em todo o mundo.

JC - A volta dos estudantes, quando ocorrer, será com todos os alunos de só vez?

José Ricardo - Não. O retorno terá de ser gradativo, para que se mantenha o controle rígido da sanitização, faça-se o devido acolhimento às crianças e adolescentes, com o correspondente acompanhamento socioemocional, a cargo dos psicólogos e orientadores da escola, como também os ajustes de ordem pedagógica, que se farão necessários, como, por exemplo, o ensino híbrido, ou seja, a combinação de atividades remotas e presenciais para pavimentar esse caminho de retomada, tendo à frente as equipes técnica e docente.

JC - Esse retorno gradual ocorreria a partir de que segmento?

José Ricardo - A volta progressiva se iniciaria com os extremos da educação básica: o 3º ano do ensino médio e a educação infantil, como ocorreu em países que já estão vivenciando esse processo, Portugal e França, para citar alguns. A razão da série final do médio é sobretudo por conta do Enem e vestibulares, no final do ano. Para as turmas do infantil, há dois fortes motivos: o primeiro é devido ao fato de as crianças pequenas terem mais dificuldades em desenvolver as atividades não presenciais, precisando da presença do adulto ao lado; o segundo é de ordem prática: seus pais , na grande maioria, estarão retornando aos seus locais de trabalho e terão a real necessidade de levá-las à escola, claro que dentro dos protocolos de segurança estabelecidos.

JC - Quais os cuidados básicos que cada escola deverá ter nesse retorno gradual?

José Ricardo - Temos três matrizes bem definidas para um retorno seguro: o distanciamento físico, tendo por base o padrão geral de 1,5m entre as pessoas, que terão de usar os itens de prevenção individual (máscara, álcool em gel, dentre outros); a sanitização regular do espaço escolar; e o monitoramento das ações desenvolvidas. A adequada comunicação da escola com sua comunidade, a partir desses pontos, será fundamental para empreender esse regresso às atividades presenciais. Para evitar aglomerações e cumprir a distância determinada, em sala de aula, por exemplo, poderá ocorrer a divisão dos alunos de uma mesma turma, e surgir daí a modalidade híbrida, aqui já referida, ou o rodízio entre os grupos discentes.

JC - Como ficam as avaliações escolares?

José Ricardo - Essa é uma questão muito sensível. O parecer nº 5/2020, do Conselho Nacional de Educação , que valida e traz orientações sobre as atividades não presenciais, durante o período de pandemia, fala da necessidade de uma Avaliação Diagnóstica de Retorno, onde o mais importante é verificar o que foi efetivamente aprendido pelos estudantes na forma remota e, então, reelaborar o planejamento pedagógico, atentando para as possíveis defasagens existentes, e, a partir daí, montar propostas de reconstrução da aprendizagem. Esse será um grande desafio para as escolas.

JC - Alguma previsão de quando o ano letivo de 2020 deve acabar?

José Ricardo - A medida provisória 934, recentemente prorrogada por mais 60 dias, mitigou os 200 dias letivos previstos na LDB, mantendo, porém, a obrigatoriedade das 800 horas de atividades anuais. Esse fato e a validação legal das horas letivas advindas das atividades remotas, com certeza,possibilitarão que as escolas cumpram o que está determinado em lei. Em Pernambuco, a escola particular deverá concluir o ano letivo de 2020 até o final da primeira quinzena de janeiro de 2021.

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