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MEC propõe dividir IFPE e abrir um novo instituto federal em Pernambuco, mas sem criar novas vagas, cursos e câmpus

Proposta do governo federal é implementar, no País, 10 novos institutos federais a partir de um reordenamento em 11 institutos já existentes em nove Estados brasileiros

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 03/09/2021 às 17:27
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Ascom IFPE
INSTITUIÇÕES Estado possui o Instituto Federal de Pernambuco e o Instituto Federal do Sertão Pernambucano. Juntos, somam cerca de 37 mil alunos distribuídos em 22 cidades - FOTO: Ascom IFPE
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Pernambuco poderá ter um novo instituto federal de ensino, mas isso não significa abertura de novos cursos ou ampliação de vagas em cursos técnicos e superiores, tampouco novas instalações acadêmicas. A proposta do Ministério da Educação (MEC) é criar 10 novos institutos no País a partir do desmembramento de câmpus de 11 institutos já existentes em nove Estados (São Paulo, Paraná, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Pará). Reitores vêm a proposta com preocupação e vão consultar a comunidade acadêmica sobre o assunto. O MEC deu prazo até 20 de setembro para que as instituições se posicionem em relação à proposta.

No caso de Pernambuco a previsão é originar o Instituto Federal do Agreste de Pernambuco, que terá reitoria em Caruaru, no Agreste. Atualmente, o Estado possui o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) e o Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IF Sertão PE). Juntas, essas duas instituições somam cerca de 37 mil alunos distribuídos em 22 cidades. O IFPE em 16 municípios, com 27 mil estudantes, e o IF Sertão PE em seis, com quase 10 mil discentes.

Para implantar o novo instituto, o MEC pretende retirar sete câmpus hoje pertencentes ao IFPE: as unidades localizadas em Belo Jardim, Pesqueira, Garanhuns, Caruaru, Vitória de Santo Antão, Barreiros e Palmares. Ou seja: caso a proposta seja implementada, o IFPE ficará restrito aos câmpus situados no Recife e Região Metropolitana (Olinda, Paulista,
Abreu e Lima, Igarassu, Cabo de Santo Agostinho, Jaboatão dos Guararapes e Ipojuca).

O câmpus de Afogados da Ingazeira, no Sertão, que também faz parte do IFPE, passará para a gestão do IF Sertão. Na prática, portanto, o IFPE terá metade dos câmpus (de 16 para 8) e ficará com 10 mil alunos a menos.

Hoje o IF Sertão tem unidades em Petrolina (dois câmpus), Floresta, Salgueiro, Ouricuri, Santa Maria da Boa Vista e Serra Talhada. Ganhará, portanto, mais uma unidade, a de Afogados da Ingazeira, caso o MEC siga com o que está sendo planejado.

CONSULTA

A proposta do MEC foi apresentada aos reitores durante reunião realizada no início desta semana, em Brasília, com a presença do ministro da Educação, Milton Ribeiro. Entre as justificativas para o reordenamento, o governo argumenta a diminuição da distância entre as unidades e suas respectivas sedes institucionais (reitorias); posicionamento das sedes em cidades populosas e com adequada infraestrutura urbana; e otimização dos tempos de deslocamento e dos custos da gestão institucional. Atualmente a rede federal conta com 38 institutos, dois Cefets e o Colégio Pedro II (RJ).

"Acho essa proposta inapropriada para o momento. O MEC falou claramente e enfaticamente na reunião que não será criado nenhum curso novo, novas vagas ou novos câmpus. Será apenas mudança de nomenclatura e gestão. Ou seja, vão criar novas estruturas administrativas para situações que já existem. Estamos vivendo um período orçamentário difícil. Qual a justiticativa para isso acontecer agora?", questiona o reitor do IFPE, José Carlos de Sá. "Temos que resolver enormes problemas criados pela pandemia, estamos no processo de retorno gradual das atividades presenciais. Há questões mais urgentes para serem resolvidas", complementa.

Um dos argumentos do MEC - mudar a gestão dos câmpus por causa da distância deles em relação à reitoria - não se aplica no IFPE, ressalta José Carlos. "Os câmpus de Barreiros e Vitória de Santo Antão estão mais pertos de Recife, onde está nossa reitoria, do que de Caruaru. O mesmo acontece em relação a Afogados da Ingazeira, caso passe a ser do IF Sertão, que tem a reitoria em Petrolina", observa o reitor do IFPE.

Ele pretende lançar uma consulta pública à comunidade acadêmica, no formato virtual, nos dias 14 e 15 de setembro. A partir do resultado dessa consulta, o Colégio de Dirigentes do IFPE, formado pelos cinco pró-reitores, 16 diretores dos câmpus e pela direção de EAD vai se reunir para definir o posicionamento e tomar a decisão. Na próxima semana está prevista uma live, ainda sem data certa, para explicar os detalhes da proposta do ministério aos alunos, professores e servidores. O IFPE conta hoje com 1.003 técnicos e 1.249 docentes. Só em Afogados da Ingazeira são 766 estudantes.

SERTÃO

Por meio de nota, a reitora do IF Sertão PE, Leopoldina Veras, informou que "só irá se posicionar oficialmente após um amplo debate com a comunidade do IFSertãoPE, deliberação no Conselho Superior da instituição e alinhamento com o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE)".

No dia seguinte à reunião em Brasília, a reitora participou de uma reunião do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) para tratar sobre a temática.

Na quarta-feira (1º), ela repassou os detalhes para as pró-reitorias e convocou reunião do Colégio de Dirigentes (Codi) para a última quinta-feira (02). Na próxima semana deve haver uma rodada de diálogos com os servidores e representantes dos estudantes de todas as unidades do IF Sertão PE, informa a instituição.

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