COLUNA ENEM E EDUCAÇÃO

Quase 80% dos brasileiros são contrários à educação domiciliar ou homeschooling, aponta pesquisa

Pesquisa realizada pela Unicamp e Instituto Datafolha revela que oito em cada dez brasileiros não concordam com o direito dos pais educarem seus filhos em casa, em vez de levá-los para escola

Margarida Azevedo
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Margarida Azevedo
Publicado em 17/05/2022 às 10:59 | Atualizado em 17/05/2022 às 11:18
Guga Matos/JC Imagem
Escola, além de espaço de aprendizado, é local de socialização para crianças, adolescentes e jovens - FOTO: Guga Matos/JC Imagem
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Oito em cada dez brasileiros são contrários ao homeschooling, direito que os pais têm de ensinar os filhos em casa em vez de levá-los para a escola. É o que mostra pesquisa realizada pelo Centro de Estudos em Opinião Pública (Cesop/Unicamp) e Instituto Datafolha.

Nesta terça-feira (17) está na pauta da Câmara dos Deputados, em Brasília, a votação de requerimento de urgência para agilizar a tramitação do projeto de lei que regulamenta o ensino domiciliar no País, tema considerado prioritário pelo governo Bolsonaro.

A pesquisa Educação, Valores e Direitos foi coordenada pelas organizações Ação Educativa e Cenpec. Em relação à educação domiciliar, 78% dos entrevistados afirmaram que os pais não devem ter o direito de tirar seus filhos da escola e ensiná-los em casa.

Foram ouvidas 2.090 pessoas de 16 anos ou mais de idade em 130 municípios entre 8 e 14 de março deste ano. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais dentro do nível de confiança de 95%.

SOCIALIZAÇÃO

"A pesquisa mostra que a população compreende que a escola é um espaço fundamental não apenas para que crianças e adolescentes recebam conteúdos, mas para a socialização, desenvolvimento integral e proteção diante de possíveis situações de violência em casa", destaca o diretor de pesquisa e avaliação do Cenpec, Romualdo Portela de Oliveira.

Essa percepção da importância da escola se fortaleceu durante a pandemia de covid-19, quando crianças, adolescentes e jovens precisaram ficar em casa, com atividades remotas, devido à suspensão das aulas presenciais.

NÚMEROS

Atualmente, segundo a a Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned), somente 15 mil estudantes entre 4 e 17 anos estudam em casa. São 7.500 famílias que praticam o homeschooling, também conforme a entidade.

É um número pequeno, comparado com o universo de alunos na educação básica no Brasil: 46,7 milhões de estudantes matriculados em 178 mil escolas, de acordo com o Censo Escolar 2021 do Ministério da Educação.

RETROCESSO

"A aprovação da educação domiciliar foi declarada inúmeras vezes como a prioridade do governo Bolsonaro para a educação, constituindo um ataque ao direito à educação e ao árduo processo de escolarização no País", afirma a coordenadora institucional da ONG Ação Educativa, Denise Carreira.

"Em um momento em que os gastos com educação estão no menor patamar em dez anos, quando deveria haver mais investimentos para minimizar os impactos da pandemia, a única coisa que o governo tem a propor é uma agenda que prejudica crianças e adolescentes e que não tem apoio popular", critica Denise, que integra a Rede de Ativistas pela Educação do Fundo Malala.

FORA DE TEMPO

O Movimento Todos pela Educação também é contrário à educação domiciliar. Em nota divulgada nesta segunda-feira (16), a entidade considera a legalização do homeschooling uma "medida equivocada e absolutamente fora de tempo".

"O Todos Pela Educação é contra qualquer incentivo à educação domiciliar. Torná-la uma prioridade na gestão educacional é equivocado e o assunto não deveria ser um tema de debate do Congresso Nacional neste momento. Afinal, passa longe do que precisa ser feito para melhorar a educação no Brasil e evidencia uma inversão de prioridades do governo federal", diz a entidade. 

A Campanha Nacional pelo Direito à Educação e mais 350 entidades assinam o Manifesto contra a Regulamentação da Educação Domiciliar e em Defesa do Investimento nas Escolas Públicas. No documento, as entidades consideram que a possível autorização e regulamentação é “fator de extremo risco e constitui mais um ataque ao direito à educação como uma das garantias fundamentais da pessoa humana". 

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