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De homem de confiança de Bolsonaro ao escândalo e prisão: conheça Milton Ribeiro, ex-ministro preso pela PF por corrupção

Milton Ribeiro ficou um ano e oito meses no comando do Ministério da Educação. É o ministro, até agora, que mais permaneceu no cargo na gestão Bolsonaro

Margarida Azevedo
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Margarida Azevedo
Publicado em 22/06/2022 às 11:08 | Atualizado em 22/06/2022 às 16:46
BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Milton Ribeiro foi o ministro da Educação que mais permaneceu no cargo, até agora, no governo Bolsonaro - FOTO: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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Com Estadão Conteúdo

O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, 64 anos, foi preso na manhã desta quarta-feira (22) pela Polícia Federal. Está sendo investigado por corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência por suposto envolvimento em um esquema para liberação de verbas do Ministério da Educação.

Ribeiro ocupou a titularidade do MEC de julho de 2020 a março deste ano. Ficou no cargo, portanto, por um ano e 8 meses. Durante sua gestão foi muito criticado, sobretudo porque nesse período houve o auge da pandemia de covid-19, quando as escolas tiveram que suspender as aulas presenciais e adotar o ensino remoto. O MEC deveria ter coordenado ações para enfrentar o problema, mas pouco fez.

Ele foi o quarto ministro da Educação no governo Bolsonaro e o que mais permaneceu na função até então. Entre janeiro e abril de 2019, o comando do MEC ficou com o olavista colombiano Ricardo Vélez. Em seguida, assumiu o polêmico Abraham Weintraub, que permaneceu no MEC por um ano e dois meses, saindo em junho de 2020.

O ministro seguinte, Carlos Alberto Decotelli, não chegou a tomar posse oficialmente. Informações inverídias no seu currículo, com títulos acadêmicos contestados pelas universidades, geraram uma crise no governo e inviabilizaram sua permanência.

Milton Ribeiro é pastor presbiteriano, teólogo, advogado e professor brasileiro. Foi reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente, segundo seu currículo disponível na plataforma Linkedin, é vice-presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Presbiteriano Mackenzie, entidade mantenedora da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

EVANGÉLICO

Ele é pastor efetivo da Igreja Presbiteriana Jardim de Oração, em Santos (SP). À época de sua escolha para chefiar o MEC , entre as características que fizeram com que fosse cotado, estava o "apreço à família e aos valores", disseram conhecidos e integrantes do governo.

Após o esquema do gabinete paralelo ser revelado em março, o presidente Jair Bolsonaro (PL) chegou a afirmar que colocaria a "cara no fogo" por Ribeiro. Hoje, após anúncio da prisão do ex-ministro, o presidente afirmou que "Se a PF prendeu, tem um motivo".

Ribeiro foi o quarto ministro da Educação a deixar a pasta durante o governo Bolsonaro. Desde 2019, todos os nomeados para a Pasta foram protagonistas de controvérsias que acabaram, em maior ou menor medida, desgastando o Executivo federal.

O ex-ministro foi denunciado no STF pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo crime de homofobia em janeiro de 2022. A denúncia foi realizada após o ex-ministro afirmar, em entrevista concedida ao Estadão em 2020, que adolescentes "optam" pelo "homossexualismo" por pertencerem a "famílias desajustadas".

Em abril deste ano, Ribeiro disparou acidentalmente uma arma de fogo no Aeroporto Internacional de Brasília, atingindo uma funcionária da Gol Linhas Aérea por estilhaço. O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro infringiu regras da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ao se dirigir ao balcão de uma companhia aérea com uma arma de fogo carregada, conforme apontou à época o gerente do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, com base em resolução do órgão regulador.

Antes de integrar o governo Bolsonaro, Ribeiro foi vice-reitor do Mackenzie e cuidava de questões acadêmicas na universidade, quando o reitor era o ex-governador de São Paulo Claudio Lembo. Além disso, Ribeiro é especializado também no estudo do Velho Testamento.

Sua indicação ao Ministério da Educação foi atribuída ao Ministro-chefe da Secretaria-Geral, Jorge Oliveira, e ao ministro da Justiça, André Mendonça, também presbiteriano.

 

 

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