EX-PRESIDENTE DA CAIXA

Áudios mostram Pedro Guimarães ameaçando funcionários por perder R$ 100 mil por mês

Ex-presidente da Caixa fala palavrões, ameaça funcionários de demissão e diz que vai devolver dinheiro que ganhou por acumular cargos em conselhos

Rodrigo Fernandes
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Rodrigo Fernandes
Publicado em 05/07/2022 às 10:56 | Atualizado em 05/07/2022 às 11:11
JÚLIO NASCIMENTO/PR
Pedro Guimarães pediu demissão do cargo de presidente da Caixa nesta quarta (29) - FOTO: JÚLIO NASCIMENTO/PR
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Novos áudios revelados pelo portal Metrópoles mostram o ex-presidente da Caixa, Pedro Guimarães, exaltado após descobrir que deixaria de ganhar mais de R$ 100 mil por mês de salário.

As gravações foram feitas durante uma reunião realizada no final do ano passado, quando Guimarães ainda ocupava o cargo de presidente da empresa.

Na conversa, Pedro Guimarães parecia nervoso ao saber da aprovação da mudança no regimento interno da companhia, que limitaria a participação de executivos, incluindo ele, em conselhos de subsidiárias da Caixa e de empresas privadas das quais o banco é sócio.

A mudança nas regras faria com que o próprio Pedro ficasse impedido de ocupar o cargo de conselheiro em mais de duas empresas do tipo.

Antes da decisão, ele integrava 21 conselhos, e recebia salário médio de R$ 200 mil por mês — R$ 56 mil de remuneração como presidente da Caixa, e mais de R$ 130 mil em jetons, que são gratificações por trabalho extra.

Ex-presidente da Caixa esbraveja palavrões em áudios

Nas gravações divulgadas nesta terça-feira (5), Pedro Guimarães orienta o então vice-presidente Celso Leonardo Barbosa a fazer os cálculos de quanto havia recebido em desacordo com a nova regra, para então solicitar a devolução.

Guimarães se mostrou preocupado com a possibilidade de a situação vir à público e comprometer a sua imagem.

“Vai me desgastar, isso é pra me desgastar. Puta que pariu, eu vou devolver o dinheiro. Faz a conta, entendeu, Celso? Tem que fazer a conta e tem que fazer a conta que doa mais no meu bolso, ou seja, assumir o CAs (conselhos de administração) que eu ganho menos. P* que pariu, isso é tão ridículo. Me mato de trabalhar que nem um filho da p* do c* elevado à décima quinta pra nego só me f*”, disse Guimarães.

“Ô, Celso, veja isso no detalhe. Eu vou devolver o dinheiro, não tem condição. Como é que eu não vou devolver o dinheiro? Vai estourar essa merda daqui a seis meses, dizer que estou roubando a Caixa. Eu não estou, eu não sei, eu era contra, nunca ninguém falou isso para mim”, continuou.

Em outro momento da conversa, Guimarães ameaçou demitir funcionários que estivessem querendo se proteger da situação para se manter no cargo após uma troca de funcionários ocasionada por uma eventual vitória de Lula nas eleições de 2022.

“Está chegando a eleição e nego está querendo fazer hedge (se proteger), e eu vou tirar todo mundo que eu achar que está fazendo hedge. Porque, deixa eu falar para todos vocês: ou vocês estão comigo ou vão buscar Haddad e o Lula. Não tem essa de querer ficar comigo e com o Lula”, disse Guimarães aos subordinados presentes.

“Eu não posso confiar nas pessoas de dentro do banco? Porque isso para mim é falta de lealdade. É querer, p*, fazer hedge para se o presidente (Jair Bolsonaro) não ganhar (a eleição). Só que eu vou tirar”, falou.

“Isso é um absurdo total. Porque nunca eu cogitei aceitar ficar só restrito a dois conselhos. Teve um erro aí, que não sei se foi de má-fé ou porque as pessoas não fizeram o dever de casa. Imagina, quer dizer que eu só poderia estar na Caixa? E aí vou estar na Caixapar, na Caixa Seguridade, na Caixa Asset, na Caixa Cartões, e não vou estar nas cagadas e não vou estar nas subsidiárias?”, comentou no áudio.

Pedro Guimarães devolveu o dinheiro?

Questionado sobre a devolução do dinheiro, o advogado de Guimarães, José Luis de Oliveira Lima, afirmou que não havia o que devolver, pois os pagamentos foram feitos dento da lei. Confira a nota do advogado na íntegra.

Pedro Guimarães não extrapolou em nenhum momento os limites legais e estatutários no que se refere à participação em conselhos de administração. Até novembro de 2021, a Caixa aplicava vedação prevista na Lei das Estatais (Lei 13.303/2016) apenas à participação remunerada em até dois conselhos de empresas públicas, sociedade de economia mista e suas subsidiárias. Tal vedação não incluía empresas privadas.

Em novembro de 2021, o Estatuto Social da Caixa foi alterado, passando a incluir o limite de participação remunerada a dois conselhos, independentemente da natureza pública ou privada. A partir de então, Pedro Guimarães restringiu sua presença remunerada em conselhos ao novo critério estabelecido no estatuto.

Ele não tinha que devolver nada, pois tudo estava dentro da lei.

Outros áudios

No último dia 30, outros áudios também mostravam Pedro Guimarães submetendo funcionários a situações de constrangimento. Ele foi acusado de assédio moral.

Nas gravações, ele se queixa de decisões tomadas sem o seu crivo. “Não é aceitável… Caguei para a opinião de vocês, porque eu que mando. Não estou perguntando. Isso aqui não é democracia, é a minha decisão”, afirmou.

 

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