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Banco do Brasil "não é tatu nem cobra", mas poderia ajudar muito as empresas se o governo quisesse

Na crise da covid-19 o BB está totalmente ausente do programa de ajuda do próprio governo.

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 23/05/2020 às 15:30
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Foto: Sérgio Lima/ AFP
O ministro da Economia, Paulo Guedes sobre o Banco do Brasil "tem que vender essa porra logo". - FOTO: Foto: Sérgio Lima/ AFP
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Por Fernnado Castilho da Coluna JC Negócios

Abstraído o festival de palavrões e bobagens ditas na reunião do presidente da República com seus auxiliares no último dia 22 de abril, a verdade é que no Governo Bolsonaro o Banco do Brasil não tem qualquer importância estratégica e, como disse o próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, no vídeo da reunião: “tem que vender essa porra logo”.

» Veja a íntegra da reunião ministerial do governo Bolsonaro

O problema é que como Guedes reconheceu o “Banco do Brasil não é tatu nem cobra, porque ele não é privado, nem público”. Não é mesmo. É uma empresa de capital aberto que tem 212 anos que poderia ser estratégica, inclusive, na ajuda as empresas em crise pela sua capilaridade e estrutura que possui.

Mas, como se pode ver, o BB está totalmente ausente do programa de ajuda do próprio governo. No programa de ajuda às empresas para o pagamento de salários, o BB não chegou a ajudar 200 mil trabalhadores das empresas que são suas clientes.

Na verdade, as únicas notícias sobre o banco foram sobre uma declaração do seu presidente Rubens Novaes dizendo que  “governadores e prefeitos impedem a atividade econômica e oferecem esmolas aos pobres com o dinheiro alheio” e outra sobre publicidade num site acusado de distribuir fake news.

O Ministro Paulo Guedes disse que o Banco do Brasil é um caso pronto de privatização. Pode ser. Mas o papel estratégico do BB lhe confere um papel preponderante no sistema bancário.

Como diz o seu presidente na reunião ele tem a felicidade, nesse momento, de contar com folhas de pagamento de empresas públicas, forças armadas e de milhares de empresas privadas. Além da presença no setor agrícola. O BB não precisa fazer muita força para ser grande. Já por natureza.

Mas, assim como avalia Paulo Guedes, Rubens Novaes também acha que com o BNDES cuidando do desenvolvimento e a Caixa da área social, o Banco do Brasil estaria pronto para um programa de privatização.

Para um liberal como Rubens Novaes, deve ser ruim comandar um banco que gostaria de vender. Como disse no BB "a gente não tem a mesma facilidade de contratação, a gente não tem a mesma facilidade de demissão de maus funcionários".

Além disso o presidente do BB se queixa do Tribunal de Contas que segundo ele “hoje em dia, é uma usina de terror”. Para um servidor público, convenhamos que essa opinião sobre o órgão que cuida do zelo das finanças públicas não é uma avaliação contributiva.

O problema é que o BB é grande demais para ser privatizado e sua importância para referência do próprio sistema torna sua presença no mercado estratégica para um país como o Brasil.

Numa situação de crise como a que o País está vivendo com a covid-19, ele deveria ter liderado o processo de ajuda às empresas. Poderia usar sua rede para ajudar o BNDES - que não tem capilaridade – para fazer o dinheiro chegar na ponta.

Entretanto esse definitivamente não é o foco do seu presidente e muito menos do presidente da República, a despeito do discurso de ajuda às empresas a voltarem a funcionar.

Mas como o conceito é de só atuar onde pode mandar a opção de Paulo Guedes foi deixar o Banco do Brasil não é tatu nem cobra à margem de ações mais visíveis na ajuda às empresas em crise.

Mesmo que o próprio Rubens Novaes tenha reconhecido na reunião que apesar de todo o “aumento de risco que passou haver no sistema bancário. O Banco do Brasil está expandindo bastante seus empréstimos.”

O Banco do Brasil já foi a maior instituição bancária do País. Sempre ajudou o governo e fez parte de nossos desenvolvimento econômico. Mas parece que seu futuro está selado no Governo Bolsonaro. Qualquer dia desse pode virar um tatu. Escondido debaixo da terra e quase em extinção.

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