Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

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Por Fernando Castilho
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Sem Covaxin e Sputnik V, Brasil só se vacina mesmo é com Coronavac e AstraZeneca

O Brasil, que comprou a CoronaVac e a AstraZeneca, dificilmente receberá até junho as vacinas da Pfizer, Janssen-Cilag

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Publicado em 30/03/2021 às 13:15
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Vacina da Rússia Fábrica de Zelenograd Moscou - FOTO: DIVULGAÇÃO
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Certamente, um dos personagens mais bem informados do Governo Bolsonaro, o líder do Governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho, assina hoje no Jornal do Commercio, um artigo onde diz que temos “uma previsão alvissareira na contratação de 261 milhões de doses pelo Governo Federal, que devem ser entregues até 31 de agosto de 2021”.

Ele conta com as vacinas Coronavac e AstraZeneca produzidas, pelo Instituto Butantã e a Fiocruz em território brasileiro, o que nos assegura 200 milhões de imunizantes.

FBC não incluiu na sua dose de otimismo, nenhuma das vacinas que o Governo ainda negocia com a Pfizer e com a Moderna e nem passou perto das promessa de acesso à indiana Covaxin e da russa Sputnik V.

O líder do Governo no Senado está certo. O Brasil terá que se costurar (o certo seria dizer se vacinar), ao menos até junho, com o que já tem sido produzido aqui mesmo em território nacional. E como ele é do ramo, sabe que ainda que o Governo Bolsonaro tenha aprovado R$ 2 bilhões para compras da Covaxin e Sputnik V, sabe que teremos um longo período de espera.

As suas previsões se confirmaram minutos depois de sua entrevista no programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal nesta terça-feira. Foi quando a Anvisa negou pedido de Certificação de Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos ao laboratório indiano Bharat Biotech, fabricante da vacina contra a covid-19 Covaxin, publicada no Diário Oficial da União, o que FBC, certamente, já sabia.

O imunizante da Índia tem enormes resistências alertada também no JC Online deste domingo, quando o ex-presidente Gonçalo Vecina, disse que a Covaxin é uma vacina sobre a qual não temos nada de informação sobre sua fase 3.

Além disso, ele disse que a Índia, que tem as 20 maiores indústrias de insumos médicos do mundo, convive com 2.980 farmacêuticas quem não funcionariam no Brasil. O que significa que temos de tomar cuidado para garantir se essa vacina é segura.

Na avaliação da Anvisa, o descumprimento de diversos artigos de regras e instruções sobre boas práticas de produção, que incluem problemas na documentação, nos métodos de análise, na integridade dos recipientes e nos métodos usados para "esterilização, desinfecção, remoção ou inativação viral", entre outros.

A Anvisa fez inspeção do laboratório entre os dias 1º e 5 de março, com uma equipe de cinco servidores especializados, que analisaram todas as "áreas fabris das linhas que produzem os insumos farmacêuticos ativos (IFAs) biológicos e as vacinas."

FBC também não relacionou a russa Sputnik V, o que poderia ser estranho uma vez que o Governo que ele defende no Senado já garantiu, na Medida Provisória (nº 1026), que dispensou licitação para a compra de vacinas e a autorização do uso emergencial pela Anvisa, R$ 693,6 milhões para a vacina Sputnik V, junto com mais R$ 1,6 bilhão para a indiana Covaxin que sequer entrou com pedido de registro.

Sobre a vacina da Rússia tem ainda um fato curioso, revelado nesse domingo pelo jornalista Andrew E. Kramer / The New York Times, reproduzida pelo O Estado de S. Paulo, informando que a Rússia, que faz grande alarde com chegada de sua própria vacina, a Sputnik V, na América Latina, na África e até mesmo em alguns países da Europa, contratou a fabricação da Sputnik V junto a uma empresa sul-coreana (que já enviou doses para a Rússia), e planeja fazer o mesmo com uma empresa indiana para adiantar a vacina interna.

A Rússia recebeu dois aviões cargueiros carregados com Sputnik V da fabricante sul-coreana GL Rapha em dezembro, e a empresa planeja enviar outro carregamento nos próximos dias.

Isso revela uma enorme contradição pois a Rússia produz suas vacinas na planta da Binnopharm em Zelenograd depois que o Instituto de Pesquisa Científica Gamaleya concluiu os estudos pré-clínicos da amostra experimental de uma vacina contra o coronavírus não está dando conta de tantos pedidos que vendeu para dezenas de países.

A fábrica da Binnopharm, em Zelenograd, faz parte do Grupo farmacêutico russo Alium é uma unidade de produção biofarmacêutica de ciclo vertical completo ocupando uma área de 32.000 m². Antes das Sputinick V. o principal produto da Binnopharm era a Regevac, a vacina contra hepatite B desenvolvida pela empresa.

A Sputinick V foi primeira vacina de coronavírus do mundo e hoje a Rússia tem quatro acordos de produção na Índia. A empresa indiana Virchow Biotech, com sede em Hyderabad, assinou na semana passada um acordo de fabricação com o Fundo de Investimento Direto da Rússia para fazer 200 milhões de doses de Sputnik V por ano.

De qualquer forma é bom sabe que o Brasil que comprou das farmacêuticas Sinovac Biotech, que produz a CoronaVac e da AstraZeneca, responsável pelo imunizante da Universidade de Oxford, dificilmente receberá até junho as vacinas da Pfizer, Janssen-Cilag, que fabrica a vacina da Johnson & Johnson.

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