Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

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Por Fernando Castilho
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Como se proteger dos golpes nas redes sociais que usam o WhatsApp

Especialistas em Lei Geral de Proteção de Dados apontam que é preciso ter cuidado com as informações que são colocadas nessas redes e mostram que já tem gente se passando até por funcionário de banco.

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 17/04/2021 às 21:30
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O brasileiro passa impressionantes 24% do seu dia online no WhatsApp. - FOTO: NE10
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No país que tem mais de 24 milhões de aposentados do INSS descobrir uma forma de enganar os segurados virou esporte nacional de golpistas que, a partir deste mês, “lançaram” no mercado um novo golpe depois que o INSS ampliou para até 40% o comprometimento da aposentadoria com empréstimos: O cancelamento falso de empréstimos consignados.

Funciona assim: Uma pessoa liga para o aposentado e pergunta se ele recebeu o crédito de algum empréstimo que não pediu? Irritado como o banco, o aposentado diz que quer devolver.

O golpista - que tem acesso irregular de dados do INSS - envia um PIX pelo WhatsApp ou um boleto falso e quando a pessoa devolve o crédito acaba transferindo o dinheiro para uma pessoa que não é do banco ficando com o prejuízo e devendo o empréstimo que não pediu.

O Brasil é um dos maiores usuários do WhatsApp. Perde em número para a Índia, mas é líder em interação. Uma pesquisa da gigante Visa revelou que 79% dos brasileiros já comprou algum serviço ou produto pelo WhatsApp, business ou pessoal, com pagamento por meio de links de pagamento, transferência bancária ou na entrega do produto.

A pesquisa inédita encomendada pela Visa e realizada pela empresa Morning Consult, em março de 2021, mostrou que os portadores de cartões Visa querem realizar transferências no WhatsApp.

Ou seja, pessoas que tem o cartão querem usá-lo combinado com o WhatsApp. O público com mais de 65 anos é o mais interessado na solução, com 83% deles afirmando ter interesse em usar o WhatsApp para transferências de dinheiro.

O vice-presidente de Inovação e Soluções da Visa do Brasil. Percival Jatobá está envolvido em um projeto relacionado com o cartão de crédito e WhatsApp para transferências de dinheiro e que proteja informações confidenciais, convertendo os dados em tokens e armazenando-os com segurança.

"O objetivo é garantir a segurança está no DNA da Visa e essa também foi uma das premissas dentro do projeto com o WhatsApp. As transferências via WhatsApp são viabilizadas a partir dos recursos da plataforma Visa Direct.”

Entretanto, segundo a especialista em Lei Geral de Proteção de Dados, Daniela Vasconcelos, ter uma rede social é cada dia mais comum entre várias faixas etárias.

Por isso, é preciso ter cuidado com as informações que são colocadas nessas redes. Especialmente se pessoas desconhecidas tiverem acesso a diversas informações íntimas, como conversas particulares.

VEJA AS DICAS DA ESPECIALISTA LOGO ABAIXO

O volume de golpes com o WhatsApp que o Banco Central divulgou, esta semana, divulgou uma lista com os principais golpes envolvendo o PIX, entre eles, o golpe da clonagem do WhatsApp e o do falso funcionário de banco e das falsas centrais telefônicas.

No golpe da clonagem do WhatsApp, os criminosos enviam uma mensagem pelo aplicativo fingindo ser de empresas em que a vítima tem cadastro.

Eles solicitam o código de segurança, que já foi enviado por SMS pelo aplicativo, afirmando se tratar de uma atualização, manutenção ou confirmação de cadastro.

Com o código, os bandidos conseguem replicar a conta de WhatsApp em outro celular. A partir daí, os criminosos enviam mensagens para os contatos da pessoa, fazendo-se passar por ela, pedindo dinheiro emprestado por transferência via PIX.

 

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Um outro golpe é o do falso funcionário de banco e das falsas centrais telefônicas. O fraudador entra em contato com a vítima se passando por um falso funcionário do banco ou empresa com a qual o cliente tem um relacionamento ativo.

O criminoso oferece ajuda para que o cliente cadastre a chave PIX, ou ainda diz que o usuário precisa fazer um teste com o sistema de pagamentos instantâneos para regularizar seu cadastro, e o induz a fazer uma transferência bancária.

E tem um mais sofisticado. O golpe de engenharia social com WhatsApp. O criminoso escolhe uma vítima, pega sua foto em redes sociais, e, de alguma forma, consegue descobrir números de celulares de contatos da pessoa.

Com um novo número de celular, manda mensagem para amigos e familiares da vítima, alegando que teve de trocar de número devido a algum problema, como, por exemplo, um assalto.

A partir daí, pede uma transferência via PIX, dizendo estar em alguma dificuldade financeira. Segundo a consultora Ligia Mello, isso se deve ao fato de o brasileiro passar impressionantes 24% do seu dia online no WhatsApp!"

"Não é novidade para ninguém que o WhatsApp é um dos aplicativos de conversa mais utilizados no Brasil, e no mundo. Nossa pesquisa revelou que 98% da população já criou uma conta no app, 93% utilizam no seu dia a dia”.

A Febraban ressalta que o cliente sempre deve desconfiar de mensagens que prometem dinheiro fácil e que chegam pelas redes sociais ou e-mail.

Uma medida simples para evitar que o WhatsApp seja clonado é habilitar, no aplicativo, a opção "Verificação em duas etapas" Configurações/Ajustes > Conta > Verificação em duas etapas.

Desta forma, é possível cadastrar uma senha que será solicitada periodicamente pelo aplicativo.

Essa senha não deve ser enviada para outras pessoas ou digitadas em links recebidos. É importante ressaltar que os dados pessoais do cliente jamais são solicitados ativamente pelas instituições financeiras, tampouco funcionários de bancos ligam para clientes para fazer testes com o PIX. Na dúvida, sempre procure seu banco para obter esclarecimentos.

VEJA COMO SE PROTEGER

CUIDADO COM AS PROMOÇÕES

Por mais que muitas empresas usem as redes sociais para fazer suas propagandas e lançar promoções para seus usuários, existem páginas falsas criadas para obter os dados dos seus usuários. É sempre importante verificar se a promoção procede e ficar atento às perguntas que solicitam dados pessoais como CPF, endereço, número de conta bancária.

CUIDE DO QUE PUBLICA EM REDES SOCIAIS

Ao publicar dados pessoais em redes sociais, sem restrições, essas informações tornam-se públicas. As empresas também podem solicitar seus dados pessoais, em redes sociais, porém, é importante observar os termos e a finalidade dessa solicitação. Isso porque, ao ceder seus dados, muitas vezes eles podem ser compartilhados com outras empresas. Entretanto, é importante saber que, esses dados cedidos ou tornados públicos, continuam resguardados pela LGPD.

ATIVE A AUTENTICAÇÃO DE DOIS FATORES

Para manter a segurança dos seus dados, o recurso faz com que o usuário digite uma senha adicional de seis números para acessar a conta. Caso sua senha vaze, a dupla autenticação é um obstáculo a mais para o acesso indevido a sua conta.

ATIVE O ALERTA DE LOGINS

A opção permite que o usuário receba alertas quando qualquer outro dispositivo tentar acessar sua conta. Assim o dono do perfil pode tomar providências, antes que o infrator consiga utilizar-se indevidamente da sua conta. Crie uma senha menos óbvia, utilizando o maior número de caracteres, mesclando letras com números. E alerta, também, para manter o mínimo de informações pessoais no seu perfil.

 

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