Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

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Por Fernando Castilho
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Com governo em crise e popularidade em baixa, Bolsonaro agora precisa aglomerar. E ele vai aglomerar valendo

Bolsonaro sabe que o que lhe resta é se abraçar com a bandeira nacional e pedir aos seus apoiadores que não lhe abandonem. E fará isso tentando tocar o tambor mais alto que puder.

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 23/05/2021 às 21:00
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Andre BORGES / AFP
Grande parte dos motociclistas que participaram sem máscara da manifestação de apoio a Bolsonaro. - FOTO: Andre BORGES / AFP
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O presidente Jair Bolsonaro precisa aglomerar. Não é mais uma questão de desrespeito ao que recomendam os infectologistas. É uma questão de sobrevivência política. Para tentar mostrar alguma resistência às dificuldades que o seu governo enfrenta e já consumiu grande parte de seu capital político.

O balanço, quando se aproxima de 30 meses de gestão, definitivamente não é bom. A economia patina com 14 milhões de desempregados e 26 milhões de pessoas que não conseguem renda suficiente para se manter formando um contingente de 40 milhões de brasileiros sem perspectiva de melhora nos próximos 18 meses de governo que restam.

O presidente também carrega as consequências de uma gestão desastrosa na epidemia do coronavírus que já consumiu mais de R$ 800 bilhões em despesas médicas e financeiras. Mas que deixaram um cenário que, em junho, deve chegar a 500 mil mortos e 18 milhões de infectados. O coronavírus, em 2021, não só custa mais caro em termos despesas com internações. Ela é duas vezes mais letal que 2020.

A partir deste mês, Bolsonaro também passou ter que conviver com uma CPI no Congresso que só produz informação ruins sobre como o seu governo gerencia a epidemia. E ele já viu que a mediocridade dos senadores que estão na comissão será insuficiente para lhe proteger. E mesmo a habilidade do líder do Governo no Senado (Fernando Bezerra Coelho), pouco tem ajudado. Bolsonaro parece só contar com o próprio filho em sua defesa. Os senadores que lhe apoiam tem tido um desempenho caótico nas sessões. 

O presidente também acumula derrotas no STF quando tenta atuar à sua maneira histriônica e equivocada. Há um ano, o presidente não ganha nenhum embate no Judiciário.

Para completar, a Polícia Federal entendeu de investigar um de seus mais fiéis colaboradores na pasta do meio ambiente acusando o ministro Ricardo Sales não apenas de desmandos e de uma gestão errática e caótica, mas de suspeitas sobre receitas de seu escritório pessoal que se aproxima de uma acusação formal de corrupção.

O presidente também acumula problemas na caserna. E mesmo que insista que em chama-lo “meu Exercito, precisou demitir os três comandantes militares e o próprio ministro da Defesa, no último dia 30 de março, exatamente por eles não aceitarem as pressões do presidente para que manifestassem apoio aos atos que pudessem atropelar a Constituição. Eles se recusaram a associar o prestígio dos militares junto a sociedade ao governo quando ele ameaçava desrespeitar a Carta Magna.

São problemas demais e acontecendo ao mesmo tempo. O presidente sabe que precisa reagir. E sabe que não será o Centrão a quem a cada diz entrega nacos do poder vai botar a cara na rua e na mídia para lhe defender.

O presidente sabe que o Centrão pode até aprovar leis que o ajudem governar ou tentar avançar em temas que ele julga de relevância, mas não dará um grito de “Mito!” em nenhum lugar.

Esse caldo político tem assustado o presidente. Ele sabe que precisa resistir de alguma maneira e tentar sair das cordas no ringue da crise em que seu governo está neste momento. E aí a opção é mesmo aglomerar.

Acredita que as redes sociais e "exercito" de robôs que propagam suas mensagens ajudarão a manter o moral de a sua "tropa" naquilo que ele considera uma guerra do Bem (ele) contra o Mal (todos os que pensam diferente). 

A concentração de Brasília, na semana passada, foi uma espécie de "teste prático" para definir um formato. Mesmo que se isso implique em ter que colocar parte da estrutura do governo para organizar as ações.

Neste domingo, no Rio de Janeiro, se pôde observar foi o Gabinete de Segurança Institucional, do General Augusto Heleno, que precisou cuidar de tudo nos bastidores. Isso custa caro e dá trabalho.

Nenhuma manifestação desse tipo com a participação de tanta gente é bancada apenas pelos adeptos pagando as despesas de seu bolso. Seja ela de direita ou de esquerda esse tipo de manifestação tem que ter retaguarda de logística, organização e e dinheiro.

Mas é o que o presidente tem para hoje. Ou melhor, é o que o presidente tem para os próximos meses e por isso ele vai aglomerar.

Bolsonaro sabe que a vacinação de mais brasileiros não o ajudará porque essa bandeira foi apropriada pela oposição. Sabe que a CPI da Covid vai produzir um colossal volume de informações ruins sobre seu governo nos próximos meses.

Ele também já percebeu que Paulo Guedes não vai reverter a percepção de um crescimento econômico medíocre, em 2021, e bem baixo em 2022 quando precisará ir às ruas defender seu legado. O problema é que; Que legado?

Por isso, a partir de agora, o presidente (talvez ouvindo o Pastor Silas Malafaia), vai radicalizar no discurso de segunda a sexta e aglomerar pelo Brasil nos sábados e domingos quando a tendência é a crise do coronavírus enfrentar uma nova onda de internações e mortes.

O presidente não tem outra opção. Depois de consumir quase 30 meses de um governo errático e sem entregas Bolsonaro sabe que o que lhe resta é se abraçar com a bandeira nacional e pedir aos seus apoiadores que não lhe abandonem. E fará isso tentando tocar o tambor mais alto que puder.

Em cinco palavras, "Bolsonaro agora vai aglomerar valendo!"

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