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Por Fernando Castilho
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Passeio de Jeff Bezos, da Blue Origin, é um novo negócio que mira o espaço

Novos investidores espaciais, Richard Branson, Elon Musk e Jeff Bezos não estão interessados apenas em fazer turismo suborbital

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 20/07/2021 às 20:30
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JOE RAEDLE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
Oliver Daemen, Jeff Bezos, Wally Funk, e Mark Bezos - FOTO: JOE RAEDLE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
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Esqueça essa história de turismo espacial que os bilionários Richard Branson, da Virgin Galacti, Elon Musk, da SpaceX, e Jeff Bezos, da Blue Origin - que nesta terça-feira (20) foi ali num voo suborbital da Terra - estão vendendo. Há 50 anos, quando a Nasa pôs um homem na lua, precisou desenvolver um pacote de tecnologias que nos legaram a redução dos custos de foguetes, expansão de satélites e criação de coisas simples que dependeram dessa evolução. 

Por traz da série de imagens dos turistas espaciais, entre eles Wally Funk (pioneira do setor aeroespacial de 82 anos), está a perspectiva de um novo negócio de tecnologia de ponta que está, literalmente, a milhares de quilômetros do turismo especial. Enquanto a Virgin Galacti orbitou a 89 quilômetros do solo terrestre, a Blue Origin de Jeff Bezos chegou a 100 quilômetros.

É importante não esquecer que Richard Branson, fundador do Grupo Virgin, foi ao espaço no último dia 11 num foguete de sua própria empresa, e a missão Unity 22 com 6 pessoas partiu de um espaçoporto construído pela empresa no Novo México, nos EUA, e como Jeff Bezos ficou alguns minutos no espaço, quando os tripulantes puderam sentir a ausência da gravidade.

A cápsula tem seis poltronas reclináveis de couro com acessos para janelas de 110 cm de altura por 73 cm de largura foi ao espaço graças a New Glenn é o sistema de voo orbital da Blue Origin e cápsula New Shepard é basicamente o segundo estágio da New Glenn.

Divulgação/Virgin Galactic
Richard Branson, fundador da Virgin Galactic - Divulgação/Virgin Galactic

É importante não esquecer. Há 50 anos, quando a Nasa pôs um homem na lua, precisou desenvolver um pacote de tecnologia que nos legaram a redução dos custos de foguetes, expansão de satélites (hoje temos 4,987 satélites orbitando a Terra), uma Rede global de estações e tecnologias como a Lansat, os satélites ajudam a identificar potenciais depósitos de petróleo e observações ambientais que nos ajudam a identificar desmatamentos.

Pouca gente lembra, mas coisas simples como o forno de micro-ondas e muitas tecnologias por trás do GPS, previsão do tempo e até smartphones, foram alavancadas graças aos passos de Neil Armstrong e Buzz Aldrin na superfície lunar.

Portanto, a briga de Branson, Musk, Bezos e do fundador do Google, Larry Page, que está ponde dinheiro na Planetary Resources, uma startup que espera alcançar os asteroides, miram as tecnologias que vão surgindo pelo caminho.

Outra coisa, nessa corrida, a SpaceX de Elon Musk é capaz de reutilizar seus foguetes Falcon 9. Musk pretende voar para Marte já em 2024. E isso quer dizer que terá que desenvolver tecnologias para isso.

A novidade dessa onda de turismo espacial é que pouca gente sabe que hoje as empresas comerciais agora respondem por cerca de 80% da indústria espacial global de US $ 424 bilhões, de acordo com o professor Loizos Heracleous, da Warwick Business School. Na década de 1950, foi o contribuinte americano quem passou a conta, pois os contratos eram com a Nasa.

Quando, no último dia 11, Richard Branson, da Virgin Galacti, se juntou a outros cinco tripulantes para a 22ª missão suborbital da empresa, sua nave VMS Eve (um avião WhiteKnightTwo, foi subindo até alcançar a altitude de quase 13 km, quando o avião liberou a nave VSS Unity, que seguiu rumo ao espaço. Existe uma aposta que esse tipo de tecnologia ajude a baratear o lançamento de satélites cada vez mais necessários no mundo moderno.

Bezos já conseguiu com a nave New Shepard, e sua primeira viagem tripulada, oferecer uma nova opção de envio de equipamentos muito mais baratos que a Nasa.

Na prática, a SpaceX e a Blue Origin já estão trabalhando em projetos de naves lunares sob contratos concedidos no ano passado pela NASA por quase US $ 1 bilhão. A Nasa deve avaliar os esforços de cada uma das empresas neste mês, antes de uma missão de teste com apenas uma delas.

Por exemplo, a Virgin Galactic, criada em 2004, que teve alguns acidentes fatais em seu histórico, desenvolveu sistemas de segurança, e vem realizando testes de voo bastante robustos.
Como todo bilionário, Musk tem suas excentricidades. Ele até já disse que sonha com uma colônia em Marte poderia salvar a Humanidade.

Mas porque tanta badalação por uma viagem de 10 minutos e 10 segundos, tem em que a viagem foi concretizada? Talvez a palavra seja sonho.

Se a gente prestar a atenção entre a separação da cápsula às 10h16 a voltou à Terra depois do foguete atingir velocidade máxima de 3.595 km/h está a comprovação de uma grande variedade de tecnologias. O saldo disse é que vai ajudar a humanidade nos próximos anos.

 

JIM WATSON / AFP
Elon Musk, o fundador da fábrica de veículos elétricos Tesla - JIM WATSON / AFP

 

A SpaceX, do rival bilionário de Jeff Bezos, está indiscutivelmente à frente da Blue Origin. Mas essa é uma corrida que está começando. E a última coisa que eles estão pensando é fazer turismo espacial.

Para quem reclama que esses voos são turismo de rico e que não são importantes, pois o espaço começa somente aos 100 km, é bom lembrar estamos falando de um novo negócio de classe mundial, que pode ser chamado empreendedorismo suborbital.

Portanto, essa briga de Richard Branson, Elon Musk e Jeff Bezos com sua Blue Origin é tudo, menos turismo espacial.

Divulgação/Virgin Galactic
Richard Branson, fundador da Virgin Galactic - FOTO:Divulgação/Virgin Galactic
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Elon Musk, o fundador da fábrica de veículos elétricos Tesla - FOTO:JIM WATSON / AFP

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