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CHUVAS EM PERNAMBUCO: Tragédias podem ensinar muito, mas gestores têm que querer aprender

A comunidade que investiu suas economias para fazer sua casa em morros pode ser mobilizada para que o dinheiro do Estado chegue com uma infraestrutura mínima e resolutiva

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Fernando Castilho

Publicado em 01/06/2022 às 16:00 | Atualizado em 01/06/2022 às 20:46
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Foi em 1979 e começou por Casa Amarela, Nova Descoberta e depois chegou ao Vasco da Gama. Com verba do extinto BNH, a Prefeitura do Recife começou o projeto de contenção dos morros e resolveu o problema.
O que começou na gestão Gustavo Krause prosseguiu na de Jarbas Vasconcelos. É bem verdade que, nos anos seguintes e sem dinheiro, a própria PCR começou a colocar lona plástica, que é uma gambiarra e não resolve. Mas para morro o formato é esse mesmo. Envolvendo a comunidade, é claro.

Tragédias podem ensinar muito aos governantes se eles pensam em ficar na política. Vai muito além de uma visita relâmpago do presidente ou dessa bobagem de autoridades saírem gravando e colocando nas redes sociais depoimentos das pessoas como se não fossem responsáveis por ela.

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Eles são. E precisam refletir o que podem fazer daqui para frente para abordar a questão de forma honesta e criativa.

Sim, é verdade que existe um quadro geral de escassez de recursos. O Governo Federal saiu da ação de fazer casa para baixa renda entregando todo o custo do subsídio ao FGTS. E a junção dos ministérios da Cidadania e Desenvolvimento Regional não vêm  priorizando a questão da habitação. Isso é o que tem para hoje, amanhã e depois.

BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
Para muita gente, não houve tempo de nada. Era salvar eletrodomésticos, móveis ou proteger a vida - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

A melhor condição financeira do Estado fez o governador Paulo Câmara anunciar que pode investir R$ 100 milhões na ajuda às famílias. É um bom dinheiro e deve ir além dos primeiros socorros. Mas a mesma comunidade que investiu suas economias para fazer sua casa em morros pode ser mobilizada para que o dinheiro do Estado chegue com uma infraestrutura mínima e resolutiva.

Só que isso põe na mesa de trabalho o desafio de buscar soluções de baixo custo e que envolvam a comunidade que é dona do espaço. E talvez seguir soluções que passem por dar dignidade a quem por conta e risco fez sua casa. É quando o Estado deixa ser protagonista arrogante para ser coadjuvante decisivo.

Mas tem que mudar o jeito de pensar e, no ato seguinte, mudar a atitude do fazer.

 

 

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