CONSEQUÊNCIA

Bolsonaro desconhece a história e se aventura num protesto de servidores provocado por ele mesmo

o presidente Jair Bolsonaro (PL) enfrenta nos próximos dias [18 de janeiro] protestos de servidores públicos contra o anúncio do atual governo de conceder reajuste para policiais federais, rodoviários federais e agentes penitenciário

Romoaldo de Souza
Romoaldo de Souza
Publicado em 13/01/2022 às 8:25
Foto: Agência Brasil
De acordo com o presidente eleito, toda população pagará a conta do reajuste salarial - FOTO: Foto: Agência Brasil
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Quanto assumiu a Presidência da República, em dezembro de 1992, o presidente Itamar Franco (1930-2011) reuniu a equipe de ministros e as primeiras recomendações foram de que não aceitaria insubordinação, que qualquer denúncia de corrupção seria apurada com o denunciado fora do cargo, e que nenhum aumento salarial de servidor público seria anunciado sem que os recursos estivessem garantidos.

Então ministro da Educação, Murílio Hingel, disse ao presidente que já tinha uma série de reivindicações com pedidos de aumento salarial para os professores universitários federais. “No nosso governo, Murílio, vamos tratar servidor por igual. Não vamos dar aumento a esta ou àquela categoria. Ou todos recebem reajuste ou ninguém vai ser beneficiado isoladamente, qualquer que seja o problema”, disse o presidente.

30 anos depois, e o presidente Jair Bolsonaro (PL) enfrenta nos próximos dias [18 de janeiro] protestos de servidores públicos contra o anúncio do atual governo de conceder reajuste para policiais federais, rodoviários federais e agentes penitenciários.

A rebelião no Serviço Público teve início logo após as promessas de Bolsonaro quando auditores fiscais passaram a entregar cargos de confiança em protesto contra a exclusividade do aumento aos agentes policiais.

Bolsonaro não é de seguir recomendação nem gosta de ler a história dos presidentes que sentaram-se antes na cadeira que ocupa até o fim do ano, mas bem que poderia seguir a recomendação de Itamar Franco. “Servidor é como filho. Se você der um presente a um e não der a outro, vai criar uma ciumeira…”. Bolsonaro pelo visto não teme o ciúme na Esplanada dos Ministérios.

Pense nisso!

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