Polícia

Coronavírus: TJPE autoriza prisão domiciliar para acusado de feminicídio

Empresário acusado de assassinar a namorada no Recife teve a prisão convertida sob o argumento de que faz parte de grupo de risco para doença

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 16/04/2020 às 18:17
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Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
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O empresário Wilson Campos de Almeida Neto, acusado de assassinar a namorada e ex-funcionária Gisely Kelly Tavares dos Santos, em julho de 2017, teve a prisão preventiva convertida em domiciliar. A decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) teve como base o pedido da defesa do acusado, que argumentou que ele sofre de hipertensão arterial e, por isso, faria parte do grupo de risco do novo coronavírus.

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) vai recorrer da decisão da Justiça. Para a promotora Dalva Cabral, o empresário não preenche as especificidades elencadas como prioritárias para a liberação de presos durante esse período de enfrentamento de pandemia.

"Ele não demonstrou, cabalmente, se enquadrar na faixa de risco para o Covid-19, de modo que tendo praticado um bárbaro feminicídio, num momento de absoluta vulnerabilidade da vítima, embriagada, após o quê, saiu dirigindo para Aldeia, em busca de apoio, nada obstante fosse contumaz, dizem os autos, em beber e usar arma de fogo por hobby, atitudes no limite de transgressões e incompatíveis com as enfermidades apontadas pela defesa", afirmou a promotora de Justiça.

RELEMBRE O CASO

Gisely Kelly foi encontrada morta com um tiro na testa e despida no banheiro do apartamento de um amigo do empresário, no bairro do Rosarinho, na Zona Norte do Recife. Uma perícia do Grupo Especializado de Perícias em Homicídios do DHPP apontou que o disparo na cabeça dela foi à queima-roupa, ou seja, efetuado a pouquíssimo espaço entre o revólver e a vítima. Na época dos fatos, a defesa do acusado afirmou que o tiro teria sido acidental, mas a polícia concluiu o inquérito apontando para um homicídio. 

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