Investigação

"Só saio quando falar com ela", diz mãe de Miguel, que aguarda ex-patroa na delegacia

Mirtes Souza, mãe do menino que morreu ao cair de prédio no Recife, questiona abertura da delegacia antes do horário para ouvir Sarí Côrte Real

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 29/06/2020 às 8:57
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Paula Aguiar/TV Jornal
Mirtes, mãe de Miguel, na porta da delegacia aguardando a saída da ex-patroa Sarí Côrte Real - FOTO: Paula Aguiar/TV Jornal
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A empregada doméstica Mirtes Souza, mãe de Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, está na Delegacia de Santo Amaro aguardando a saída da ex-patroa, Sarí Côrte Real, que presta depoimento na manhã desta segunda-feira (29). Na chegada à unidade policial, acompanhada de parentes, Mirtes questionou o fato da ex-patroa ser ouvida fora do horário do expediente da delegacia.

"Ela acabou com a minha vida. Não tenho mais saúde por culpa dela. Ela matou meu filho. Vou ficar aqui até ela sair. Eu tinha que vir para dizer uma verdade na cara dela", disse a mãe. "Ela pode sair daqui a dois, quatro ou cinco dias, mas eu vou ficar aqui, de plantão, na porta da delegacia."

A irmã de Mirtes, Erilourdes de Souza, levantou o clamor de populares que, junto a ela, pediam por "justiça". "Somos pobres, mas somos dignos. É doloso, não é culposo. Se fosse Mirtes, essa hora ela estava no presídio. O que falta em você e em sua família é dignidade. Que o delegado honre sua carteira e faça justiça", afirmou em frente à delegacia.

Como explicado pela coluna Ronda JC, o funcionamento normal da delegacia começa às 8h da manhã. Mas, antes das 6h, o delegado Ramon Teixeira chegou à unidade policial. Pouco depois, Sarí e o marido, o prefeito de Tamandaré Sérgio Hacker (PSB), chegaram à delegacia. O objetivo foi despistar os jornalistas que há dias fazem plantão no local.

Sarí Côrte Real é investigada pela morte de Miguel, que caiu de uma altura de 35 metros do Condomínio Píer Maurício de Nassau, na área central do Recife, no dia 02 de junho. No dia da morte, ela foi autuada em flagrante por homicídio culposo (sem intenção de matar), pagou fiança de R$ 20 mil e foi liberada.

Na noite da sexta-feira passada, o delegado recebeu os laudos da perícia feita no prédio onde Miguel caiu. O resultado das perícias não foi revelado ainda. Também na sexta-feira, a mãe de Miguel, Mirtes Renata Santana de Souza, foi ouvida pelo delegado. Ela saiu sem falar detalhes do depoimento, mas contou que Ramon Teixeira prometeu uma coletiva de imprensa ao final das investigações.

A previsão é de que o inquérito seja concluído até quinta-feira.

Confira imagens da movimentação na frente da delegacia

CASO MIGUEL

O menino Miguel era filho de Mirtes, empregada doméstica de Sarí Côrte Real, esposa do prefeito de Tamandaré. Mirtes havia deixado o filho sob a responsabilidade da patroa e desceu para passear na rua com o cachorro da família. Ao voltar para o prédio, ela se deparou com o filho praticamente morto. Miguel morreu no Hospital da Restauração. Para a mãe de Miguel, faltou paciência da patroa com o filho.

Wellington Lima/JC Imagem
Mirtes Souza, mãe de Miguel, aguarda saída da ex-patroa na Delegacia de Santo Amaro - FOTO:Wellington Lima/JC Imagem

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