Segurança

Polícia Federal e o reforço no combate aos crimes em Pernambuco

Em 2020, a PF no Estado foi a unidade do País que mais realizou operações de combate à corrupção

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 09/02/2021 às 20:24
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BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Carla Patrícia Cintra, Superintendente da Polícia Federal de Pernambuco. - FOTO: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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Apesar da pandemia do novo coronavírus e das restrições sanitárias, a Polícia Federal (PF) em Pernambuco conseguiu manter o trabalho de repressão aos crimes ao longo de 2020. E, entre todas as unidades do País, foi a que mais realizou operações de combate à corrupção. A superintendente regional da PF no Estado, a delegada federal Carla Patrícia Cintra, atribui o resultado ao esforço dos profissionais da segurança para evitar os desvios de recursos públicos.

"Se por um tempo foi preciso recuar, por causa da pandemia, a gente aproveitou para ajustar questões administrativas, inclusive da parte estrutural da Polícia Federal. A partir do momento em que se teve um domínio maior de como agir, nós retomamos nossa atividade operacional, inclusive com trabalho preventivo. Nossa delegacia de combate à corrupção recebeu um prêmio graças ao trabalho realizado, com a identificação de autoria e materialidade dos casos investigados. Isso que é mais importante", avalia.

Ao longo de 2020, prefeituras - entre elas a do Recife - foram alvo de operações que investigaram supostos desvios de recursos públicos que deveriam ser usados no combate à covid-19. Milhões de reais teriam saído dos cofres públicos para as contas bancárias de gestores públicos e empresários. Alguns desses inquéritos continuam em andamento e podem ter desdobramentos, a depender das provas colhidas pelos investigadores.

INTERPOL

A Polícia Federal é a representante da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) no Brasil. Uma rede de cooperação, em que há troca de informações entre os países filiados. Um exemplo desse trabalho conjunto é que a PF no Estado conseguiu descobrir, no mês passado, o paradeiro do menino Carlos Boudoux, 13 anos, que foi levado pelo pai para a Argentina em 2015. Nesta terça-feira (09), após mais de cinco anos, Carlinhos voltou a Pernambuco e já está com a família.

"Ele foi localizado através do lançamento de um alerta no sistema mundial e houve manifestação da entrada do suspeito do sequestro no país vizinho. Com um trabalho de inteligência policial, foi possível a localização da criança", diz a superintendente.

Graças à cooperação internacional, também são possíveis as extradições de criminosos. Em Pernambuco, atualmente, há três pedidos em andamento - um da Colômbia, um da Alemanha e um da Suíça. Todos de criminosos envolvidos com tráfico de drogas. "O processo é feito com muito rigor, e envolve o Ministério da Justiça e até o Supremo Tribunal Federal", conta Carla Patrícia.

TRÁFICO

Em 2020, a PF em Pernambuco também conseguiu recorde de apreensão de cocaína. Ao todo, 1.152 kg da droga. E esse trabalho será fortalecido neste ano, promete a superintendente. "Uma das nossas diretrizes é o combate ao entorpecente. Por aqui (em Pernambuco), passa muita cocaína, que chega possivelmente por fronteiras terrestres. Aqui, geograficamente é um ponto interessante de remessa dessa droga. É uma questão urgente combater o tráfico e as organizações criminosas", diz.

LEIA ARTIGO ESCRITO POR CARLA PATRÍCIA:

A Polícia Federal e a missão de representar a Interpol no Brasil

A Polícia Federal é um órgão com inúmeras atribuições, e uma das mais importantes delas é a de ser representante da Interpol no Brasil, que é uma Organização Internacional de Policia Criminal. Sua dimensão é global, contando com mais de 190 países filiados e trocando mutuamente informações e estreitando as fronteiras entre as nações. Ela é atualmente a segunda maior organização internacional, só perdendo em quantidade de membros participantes para a ONU.

Os países filiados assumem o compromisso de facilitar a cooperação internacional policial no combate ao crime, na prevenção de delitos e na busca por pessoas desaparecidas, cumprindo também uma função humanitária. Isso possibilita a PF a abrir um canal direto de comunicação com quase todas as polícias do mundo. Tal representatividade, além de demonstrar a capilaridade e a expertise da inteligência da Polícia Federal, ainda realça pontos extremamente estratégicos e caros a uma polícia que se pretende moderna, eficiente e comprometida com os valores sociais.

Essa atuação na seara humanitária, principalmente nos crimes de tráfico de pessoas e/ou trabalho escravo, ultrapassa o mero cumprimento da lei penal, papel este tão simbólico e sensível que remete a uma função de preservação dos direitos e garantias individuais, cuja salvaguarda também compete às polícias nos regimes democráticos. Há que se ter experiência e credibilidade para tal associação entre polícia e proteção ao cidadão. O fato é que, seja no tocante à atuação além das fronteiras, seja na atuação humanitária, a PF está constantemente se aperfeiçoando.

Presente fisicamente em ao menos vinte diferentes países, a PF possui representações, seja com Adidâncias Policiais ou Oficialatos de Ligação, junto às embaixadas brasileiras. A participação dessas representações internacionais da PF é condição essencial para uma relação de confiança e colaboração entre as polícias estrangeiras e a Polícia Federal brasileira. Sob essa ótica, tal participação deve ser cada vez mais proativa. Isso possibilita a PF atuar em situações anômalas ou suspeitas envolvendo brasileiros no exterior, no âmbito das respectivas embaixadas.

Também cabe a nós, informar a população da nossa disponibilidade e competência para solucionar crimes como sequestro internacional de pessoas, desaparecimentos, localização de foragidos internacionais ou delitos equivalentes de abrangência transnacional. Os resultados que já alcançamos na realização desses trabalhos é a melhor maneira de demonstrar confiabilidade para população a qual servimos.

A atuação da PF na esfera da Interpol pode ocorrer de forma ativa, quando solicitamos o apoio de outras nações para cumprimento das ordens judiciais brasileiras ou passiva, ocasião em que o Brasil recebe a demanda de outros Países.

Em Pernambuco, a representação local da Interpol trabalha integrada à área de inteligência, com vistas a dar celeridade às pesquisas, levantamentos e repasse de dados. Ela também conta com o apoio das unidades operacionais da PF para o cumprimento de medidas restritivas ou de participação em operações coordenadas pela própria Interpol. Este trabalho já apresenta resultados dignos de registro nos últimos anos, seja acionando ou cumprindo demandas de países estrangeiros. No momento, o estado possui três pedidos de extradição ativa, os quais se destinam à Colômbia, Suíça e Alemanha.

Um dos casos emblemáticos solucionados pela representação da Interpol da Polícia Federal em Pernambuco foi a localização, prisão e extradição do chamado “poderoso chefão” da máfia italiana, Pasquale Scotti, em 2015. Ele era procurado pelo assassinato de oito pessoas na Itália, porém a suspeita é que tenha cometido mais de 100 crimes. O procurado residia em Recife há cerca de 29 anos e já possuía uma nova identidade.

Além dele, também houve a localização, prisão e extradição do irlandês Michael Lynn, suspeito de ter dado um golpe de cerca de 80 milhões de Euros em seu país. Ele era o criminoso mais procurado da Irlanda pelo grau de periculosidade, e estava residindo no bairro de Candeias com sua família há cerca de dois anos.

Além de criminosos, a Interpol da PF/PE também localizou diversos brasileiros pelo mundo, seja para unir famílias separadas ou salvando pessoas que foram sequestradas e levadas contra a própria vontade para outros países. Também houve demandas sobre brasileiros que foram adotados por famílias estrangeiras quando crianças, e depois de adultos, procuraram a Interpol para localizar seus parentes consanguíneos e, com sucesso, o encontro foi promovido.

Recentemente tivemos o caso de uma pernambucana que saiu de casa em busca de uma proposta de emprego e acabou sendo levada contra a sua vontade para a Bolívia. Sua mãe acionou a PF, que em cooperação com a representação da PF na Bolívia e a Polícia Nacional Boliviana, conseguiu resgatar a jovem e trazer de volta para a família. Outra situação de grande repercussão que também foi resolvido pela Interpol em Pernambuco foi a do menino sequestrado pelo pai e levado à Argentina. Ele foi localizado através do lançamento de um alerta no sistema mundial e houve manifestação da entrada do suspeito do sequestro no país vizinho. Com um trabalho aprofundado de inteligência policial, foi possível a localização da criança e do sequestrador.

Por essas razões, urge dar mais visibilidade ao potencial e às ações da Interpol. Essa atribuição, ainda pouco conhecida pela sociedade, é uma das missões mais nobres exercidas pela Polícia Federal. Por isso, faz-se necessário difundir as possibilidades de atuação da PF enquanto representante deste organismo internacional no Brasil. Essa grande responsabilidade só pode ser assumida por polícias com alto grau de amadurecimento, e a Polícia Federal cumpre esse requisito. Quanto mais abrangente e conhecido se tornar esse trabalho, melhores serão os resultados atingidos.

A PF está sempre pronta para agir!

Carla Patrícia Cintra Barros da Cunha
Superintendente Regional da Polícia Federal em Pernambuco

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