IGREJA CATÓLICA

Arquidiocese de Olinda e Recife vai apurar abusos sexuais cometidos por religiosos

Comissão foi criada para investigar as denúncias de vítimas menores de 18 anos, atendendo a decisão do papa Francisco

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 09/05/2021 às 19:32
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EZEQUIEL QUIRINO/ACERVO JC IMAGEM
O arcebispo dom Fernando Saburido determinou a criação da comissão - FOTO: EZEQUIEL QUIRINO/ACERVO JC IMAGEM
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Com dois anos de atraso, a Arquidiocese de Olinda e Recife decidiu atender às determinações do papa Francisco e criar uma comissão para apurar as denúncias de exploração e abusos sexuais praticados pelo clero - que inclui os padres. Em maio de 2019, o líder da Igreja Católica promulgou uma legislação para combater os crimes sexuais nas dioceses - cabendo a cada uma delas a criação de um grupo responsável pelo acolhimento das vítimas e investigação dos religiosos.

A comissão foi instituída em reunião, na Cúria Metropolitana, na última sexta-feira (07), sob o comando do arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido. “É um assunto delicado, mas que a Igreja precisa e vem exigindo que tenha fim, pois trata-se de tema gravíssimo. A coragem do Papa Francisco em assumir e enfrentar o tema move-nos a obedecê-lo, na certeza de que é preciso correção para um caminho de paz e solidariedade para com os menores de idade”, disse o arcebispo.

A comissão, formada por sete membros da Igreja Católica, vai apurar qualquer denúncia relacionada a exploração, maus-tratos e abusos sexuais cometidos contra crianças e adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade. As denúncias serão investigadas e, se comprovadas, serão levadas às instâncias superiores da igreja.

A partir de agora, as pessoas que sofreram os abusos devem recorrer à Comissão para que sejam ouvidas e que a denúncia seja investigada. “Não se trata apenas de uma questão de consciência própria, mas também da obrigação legal da Igreja de ir a fundo nos casos, tomando as providências cabíveis”, comentou o arcebispo.

A Cúria Metropolitana está localizada na Avenida Rui Barbosa, nº 409, no bairro das Graças, Zona Norte do Recife. Os integrantes da comissão já foram escolhidos e, nesta semana, será definida a função de cada um deles.

ANÁLISE

Para o mestre em teologia e doutorando em ciências da religião Liniker Xavier, a criação da comissão é "louvável". "Investigar estes abusos é uma dívida da Igreja Católica que necessariamente precisa ser paga, mas há que se ressaltar ser esta uma iniciativa louvável que demonstra o novo momento que a Igreja vive com o arejado pontificado de Francisco, disposto a enfrentar feridas profundas do catolicismo", afirmou. "Além de investigar estes abusos é preciso garantir que novos casos não voltem a acontecer", completou.

Recentemente, a coluna Ronda JC solicitou à Polícia Civil de Pernambuco, por meio da Lei de Acesso à Informação, estatísticas de religiosos investigados por crimes sexuais em 2020. No entanto, a resposta foi negada sob o argumento de que o setor de estatísticas do órgão não tinha disponível esse recorte de dados.

CONDENAÇÃO

Em 2013, um padre foi condenado pela Justiça por exploração sexual de adolescentes na cidade de Cabrobó, no Sertão pernambucano. Segundo as investigações da Polícia Civil, iniciadas em 2008 a partir de denúncias do Conselho Tutelar, o religioso, então com 43 anos, abusou de garotos em troca de presentes.
O religioso chegou a ser preso em 2012. Na casa dele, na cidade de Floresta, a polícia encontrou vasto material pornográfico, além de lingeries. Dois meses depois, ele teve a liberdade provisória concedida pela Justiça.

Já no começo de 2013, foi condenado a dois anos em regime semiaberto, mas, na ocasião, o juiz decidiu suspendê-la e convertê-la em quatro anos de liberdade vigiada, respeitando algumas restrições - como não sair após determinado horário noturno e não se aproximar de crianças. Na época, o padre foi encaminhado para um centro terapêutico em São Paulo.

 

 

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