INVESTIGAÇÃO

Compesa conclui apuração das causas de deslizamento que deixou 7 mortos no Recife

Relatórios finais apontaram vários fatores para queda de barreira no bairro de Dois Unidos, inclusive ligações clandestinas

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 05/07/2021 às 6:30
FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
Cinco adultos e duas crianças morreram na queda da barreira em Dois Unidos, na véspera do Natal de 2019 - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Depois de mais de um ano e meio, surgem as primeiras conclusões sobre as causas do deslizamento de barreira, que resultou em sete mortos e três feridos, no Córrego do Morcego, no bairro de Dois Unidos, Zona Norte do Recife. A Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) afirma que consultorias especializadas apontaram, em relatórios conclusivos, para “ligações clandestinas ao longo da tubulação rompida e a presença significativa de água no solo, acúmulo de lixo e ocupações irregulares” como alguns dos fatores determinantes para a queda da barreira, no dia 24 de dezembro de 2019. A Polícia Civil ainda não concluiu o inquérito criminal instaurado para apontar se houve culpados pelas mortes.

No dia da tragédia não chovia. Mas, segundo testemunhas, dois canos da Compesa se romperam durante a madrugada e houve o vazamento de muita água. Cerca de uma hora depois, ocorreu o deslizamento da barreira. Duas residências foram atingidas e destruídas. Morreram cinco adultos e duas crianças. O casal Emanuel Henrique de França, 25, e Erika Virgínia Abade, 19, e o filho, Érick Junior, 2, estavam em uma das casas. Também foram vítimas Lucimar Alves, 50, a neta dele, Daffyne Kauane Alves, 9; Lia de Oliveira, 45, e a companheira dela, Claudia Bezerra, 47.

À coluna Ronda JC, a assessoria da Compesa afirmou que “os relatórios confirmaram a existência de múltiplos fatores de influência para o acidente”, como os mencionados acima. De acordo com a Companhia, a ruptura da tubulação ocorreu como desdobramento de outros problemas, como informou trecho da nota a seguir:

“Documentos apontaram, após a realização de ensaios geotécnicos e geológicos, em conformidade com os padrões da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e ainda simulações computacionais, como hipótese mais provável para a ruptura da barreira, o inicial deslizamento/deslocamento parcial da massa do solo devido a fator de segurança efetivamente baixo, características geotécnicas e morfológicas da encosta, além da atividade antrópica (a exemplo de ligações clandestinas e cortes de barreiras), dando causa aos demais desdobramentos, como a ruptura da tubulação da Compesa e uma maior saturação do terreno”.

Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
Deslizamento de barreira deixa mortos e feridos em Dois Unidos, no Recife - Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem

Por fim, a Compesa declarou que o governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social, prestou auxílio às famílias, “com a concessão de auxílio funeral, auxílio moradia, apoio psicológico e, ainda, as devidas indenizações”. Os valores pagos não foram divulgados.

INQUÉRITO POLICIAL SEM CONCLUSÃO

Apesar de todo esse tempo, a Delegacia do Alto do Pascoal, responsável pelo inquérito criminal que pode apontar responsáveis pela tragédia, ainda não encerrou as investigações. Nem deu prazo para isso.

Em nota à coluna, a assessoria da Polícia Civil afirmou que o inquérito “segue em andamento com designação especial do delegado Victor Marinho”. Segundo o órgão, “já foram realizadas diversas diligências, incluindo perícias e atualmente se aguarda respostas de alguns órgãos oficiais para os questionamentos formulados”. A Polícia Civil destacou, por fim, que “está apurando se há responsabilidade de ordem criminal no fato”.

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