TRAGÉDIA

Acidente com 16 mortos em voo da Noar, no Recife, completa 10 anos; processo foi arquivado por falta de provas

Aeronave que seguiria para Natal, no Rio Grande do Norte, caiu três minutos após a decolagem na Avenida Boa Viagem

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 13/07/2021 às 6:30
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JC Imagem/Arquivo
Bimotor da Noar Linhas Aéreas caiu em um terreno da Avenida Boa Viagem. Dezesseis pessoas morreram - FOTO: JC Imagem/Arquivo
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Há exatos dez anos, os pernambucanos começavam o dia com a notícia de uma tragédia aérea: a queda de uma aeronave, do tipo bimotor, em um terreno na Avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Piloto, copiloto e 14 passageiros morreram na hora. Familiares e amigos das vítimas, desolados, chegavam ao local. E se perguntavam o motivo do acidente, que ocorreu três minutos após a decolagem do avião da Noar Linhas Aéreas no Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes - Gilberto Freyre. Uma década depois, a dor e a saudade ainda permanecem para os parentes. E algumas interrogações, após o processo ser arquivado pela Justiça Federal.

"Meu mundo ruiu, assim como também o mundo de mais outras 15 famílias. Experimentei a dor do luto, o luto de um filho. Não existe algo mais difícil para uma mãe. Precisei me readaptar à vida, enfrentar muitos desafios em busca de uma superação. Minha família toda adoeceu juntamente com as famílias dos outros integrantes do voo. Foi um tempo de um vazio existencial muito grande e de muitos por quês questionáveis. Hoje completam 10 anos dessa tragédia. Perguntas sem respostas para nossas famílias, durante esses longos anos. Ficamos esperando a justiça ser feita para fecharmos esse ciclo de nossa história", conta a dentista Taciana Guerra, mãe do também dentista Raul Farias, de 24 anos, uma das vítimas da tragédia. 

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A dentista Taciana Guerra com o filho caçula, Raul Farias, que morreu no acidente - ACERVO PESSOAL

Taciana é vice-presidente da Afavnoar, uma associação criada por familiares e amigos das vítimas para acompanhar o caso. "O processo foi arquivado por falta de 'provas' que incriminasse alguém. E mais uma vez somos calados e nos sentimos vítimas da impunidade. Nós, familiares, assistimos perplexos a todos os fatos narrados pelo Cenipa (órgão que executou a investigação), onde foram apontadas falhas mecânicas, técnicas, administrativas, todas passivas de terem sido evitadas caso fossem observadas as normas pertinentes à segurança de voo. E fomos obrigados a nos calar ao vermos a Justiça arquivar o processo porque não encontrou a quem culpar. Esse é mais um caso para o esquecimento" diz a dentista.

O acidente com o bimotor aconteceu pouco antes das 7h do 13 de julho de 2011. A aeronave seguiria para Natal, no Rio Grande do Norte. Segundo as investigações, o piloto detectou um problema no bimotor menos de um minuto após a decolagem e chegou a avisar à torre de controle que tentaria retornar ao aeroporto, mas não houve tempo para isso.

CONFIRA A SIMULAÇÃO DO ACIDENTE:

 

AS INVESTIGAÇÕES

Sobre o acidente, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que falhas humanas, mecânicas e de treinamento contribuíram para a queda. Entre os fatores, o primeiro evento que desencadeou a queda do avião foi a fadiga precoce de uma pequena peça conhecida como haleta que estava no motor esquerdo e causou a parada da turbina durante a decolagem.

O órgão federal apontou ainda que o treinamento dos pilotos para os casos de emergência por falha de motor foi insuficiente, porque foi realizado com altura de 400 pés, quando o manual indicava 1,5 mil pés.

A investigação do Cenipa não tem caráter punitivo. Ela tem o objetivo de identificar as causas dos acidentes para evitar que novos venham a ocorrer pelos mesmos motivos.

As investigações foram conduzidas pelo delegado federal Antônio de Pádua. Ele concluiu o inquérito em 2013, mas alegou, à época, que não poderia dar detalhes do caso porque estava sob sigilo. A intenção do inquérito era apontar, sob o âmbito criminal, se houve culpados para o acidente fatal.

Somente no ano passado, o Ministério Público Federal confirmou que o processo foi arquivado e homologado pela Justiça Federal, respectivamente, em março e abril de 2019

Apesar da falta de respostas, familiares das vítimas fecharam acordos individuais e receberam indenizações da empresa viária, que deixou de operar naquele mesmo ano do acidente.

A LISTA DAS VÍTIMAS

Rivaldo Cardoso (piloto)

Roberto Gonçalves (co-piloto)

André Freitas

Antônia Jalles

Camila Marino

Carla Moreira

Débora Santos

Bruno Albuquerque

Natã Braga da Silva

Marcelo Campelo

Maria da Conceição de Oliveira

Jonhson do Nascimento Pontes

Marcos Ely Soares de Araújo

Breno Faria

Raul Farias

Ivanildo Santos Filho

 

 

 


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A dentista Taciana Guerra com o filho caçula, Raul Farias, que morreu no acidente - FOTO:ACERVO PESSOAL

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