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Coronavírus: plasma sanguíneo de pacientes recuperados pode atenuar sintomas nos doentes

Estudos buscam a diminuição dos sintomas da infecção e da carga viral no organismo, resultando em uma menor utilização de leitos de UTI

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 13/04/2020 às 20:33
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KARIM SAHIB/AFP
No momento, o mundo inteiro corre contra o tempo para desenvolver a vacina do novo coronavírus - FOTO: KARIM SAHIB/AFP
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Várias pesquisas, em todo o mundo, têm como objetivo identificar um tratamento efetivo para a covid-19. Entre elas, está um consórcio de estudos que utilizará o plasma sanguíneo convalescente de pacientes recuperados da doença. O procedimento consiste na transfusão do plasma, a parte líquida do sangue, de um paciente curado para outro infectado. Nessa terapia, espera-se que os anticorpos presentes no plasma forneçam imunidade às pessoas com a doença.

Esses estudos buscam a diminuição dos sintomas da infecção e da carga viral no organismo, resultando em uma menor utilização de leitos de unidades de terapia intensiva (UTIs). Ainda não há tratamento comprovado que cure o paciente com a covid-19. Os cuidados ofertados atualmente são de suporte e tratamento de sintomas, como febre, tosse e dores no corpo.

De acordo com o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Denizar Vianna, a comunidade científica busca de forma acelerada alternativas terapêuticas, que vão de medicamentos a procedimentos. “Um desses procedimentos que já foi testado em outras epidemias é a transfusão de plasma convalescente”, disse o secretário.

Denizar Vianna explicou que esse não é um procedimento simples. “É preciso identificar qual é o melhor doador e o melhor receptor. Há toda uma preocupação com a qualidade do plasma porque não podemos transfundir condições que possam causar danos para o indivíduo”, explicou. Segundo ele, não basta identificar um artigo publicado, é preciso passar por avaliação metodológica. “Temos que avaliar se o estudo é pertinente, se tem validade e se responde à hipótese que foi formulada. Os técnicos do Ministério da Saúde estão preparados para isso."

O secretário anunciou ainda que teve início nesta semana uma força-tarefa com instituições filantrópicas e universidades públicas para chegarem rapidamente a uma resposta para o uso do plasma sanguíneo. “Nós, como formuladores de políticas de saúde, temos a responsabilidade de fundamentar toda essa política em evidências científicas”, ressaltou Denizar Vianna.

A pesquisa 

O ensaio clínico é conduzido em vários centros de pesquisa ao mesmo tempo para testar a segurança e a eficácia de diferentes tipos de tratamentos em pacientes distribuídos aleatoriamente. Devem ser incluídos 400 indivíduos, sendo que 200 receberão o plasma de pessoas curadas e 200 não receberão esse tratamento.

Os pesquisadores farão o acompanhamento por três meses, mas a expectativa é que os resultados preliminares sejam divulgados em um mês. Após esse prazo, será possível expandir o estudo para mais centros de saúde ou elaborar um protocolo de assistência minimamente controlado a ser utilizado no contexto de pesquisa. Participam do estudo os centros de excelência em pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein, o Hospital Sírio Libanês, a Universidade de São Paulo (USP) e a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Todos em São Paulo.

Estudos anteriores são promissores, mas desenvolvidos com número limitado de pacientes e, por isso, mais evidências científicas precisam ser produzidas para avaliar o uso do plasma em pacientes infectados pelo novo coronavírus.

Análise das evidências

O Ministério da Saúde elaborou uma revisão sistemática, que trabalha com artigos científicos para identificar e avaliar evidências sobre a eficácia e a segurança do plasma convalescente para tratamento da covid-19. Segundo a diretora de Ciência e Tecnologia, do Ministério da Saúde, Camile Giarreta, esse trabalho auxilia na identificação de lacunas de conhecimento e na priorização de temas de pesquisas a serem apoiadas pela pasta.

Essa síntese de evidências, realizada também em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), com o Hospital do Coração (HCor) e com a Universidade de Campinas (Unicamp), analisou três estudos observacionais do tipo ‘série de casos’ e 15 estudos clínicos que estão ocorrendo no mundo. De forma geral, os pacientes apresentaram melhora dos sintomas clínicos e da lesão pulmonar, além de diminuição dos valores de carga viral. Apesar disso, as evidências encontradas até o momento são preliminares, necessitando de mais testes em ensaios clínicos randomizados, bem delineados e aprovados em comitê de ética e específicos para o tratamento da covid-19.

De acordo com a secretária-executiva da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), Cristiane Fulgêncio, já foram aprovadas ou estão em análise pela Comissão pelo menos outras dez pesquisas que avaliam a eficácia do plasma convalescente.

Ainda que não tenha resultados conclusivos, o plasma convalescente pode ser potencialmente utilizado em contextos de ensaios clínicos previamente aprovados para fortalecer os dados, atestar a eficácia e resguardar os pacientes e doadores de tratamentos experimentais.

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