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Coronavírus: Fiocruz Pernambuco testa substâncias em busca de novos medicamentos para tratar covid-19

Uma das moléculas analisadas por pesquisadores contra o novo coronavírus já foi testada para combater a zika. Agora, será avaliada a atividade da substância no combate à covid-19

Cinthya Leite
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Cinthya Leite
Publicado em 31/03/2020 às 22:09 | Atualizado em 31/03/2020 às 22:24
ASCOM/FIOCRUZ PERNAMBUCO
É preciso que o poder público tenha maior controle sobre esses lugares. As restrições promovidas pelo Estado e prefeituras são fundamentais e evitam a contaminação, mas é preciso que as autoridades tenham controle desses ambientes", diz o pesquisador da Fiocruz PE e coord. do estudo, Lindomar Pena - FOTO: ASCOM/FIOCRUZ PERNAMBUCO
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O conhecimento e a experiência adquiridos, em Pernambuco, por cientistas que atuaram na linha de frente do combate mundial à zika, em 2015 e 2016, dão pistas valiosas para o enfrentamento ao novo coronavírus, que já infectou, pelo menos no Estado, 87 pessoas, levando seis delas ao óbito, em menos de um mês. Como especialistas preveem que, passada esta pandemia, a doença ainda continue circulando no mundo, com surtos localizados e esporádicos, cria-se uma força-tarefa para desenvolver novos tratamentos e ferramentas diagnósticas para a covid-19.

“O objetivo das nossas pesquisas é descobrir antivirais para tratar a doença e conseguir debelar a infecção pelo novo coronavírus. Uma das moléculas já foi testada para combater a zika e agora nós vamos avaliar a atividade no combate à covid-19. Essa substância, por sinal, apresentou resultado promissor, in vitro (em ambiente de laboratório), contra zika”, explicou o pesquisador Lindomar Pena, do Departamento de Virologia do Instituto Aggeu Magalhães (IAM), unidade da Fiocruz em Pernambuco. Ele reforça que esse é um estudo in vitro que testará a ação antiviral de substância que não está disponível no mercado para outras doenças. Ou seja, é diferente do que aconteceu com a hidroxicloroquina, indicada para malária, mas usada experimentalmente contra o novo coronavírus.

“Nós temos uma linha de pesquisa de descoberta de novos antivirais, mas não trabalhamos com drogas já aprovadas para usos em humanos. Nosso foco são moléculas que são isoladas de várias fontes, como plantas e animais, cuja atividade não é conhecida”, diz Lindomar. Ele destaca que não são substâncias que possam ser usadas nesta atual pandemia. “Mas se trata de uma primeira fase da possível descoberta de novas drogas.”

Segundo o pesquisador, há dezenas de moléculas à disposição para testes e que foram criadas por universidades brasileiras com as quais o IAM trabalha em cooperação. “São substâncias desenvolvidas por parceiros para ter a atividade testada contra o câncer e várias outras doenças. Agora, vamos analisar a eficácia diante do coronavírus”, informa Lindomar, que acredita na possibilidade de a covid-19 se tornar endêmica (doença que ocorre com frequência de casos em determinada região) na nossa população. “Certamente esse vírus continuará conosco, como os da gripe, o da chicungunha e o da zika. Por isso, a ideia de pesquisar as moléculas é importante para pesquisar novas terapias e conseguir vencer a infecção nos próximos momentos de surtos. Depois da fase in vitro, que deve ocorrer ao longo de todo este ano, partiremos para a etapa em animais.”

Balanço 

Nesta terça-feira (31), o Ministério da Saúde informou que o Brasil tem 5.717 casos confirmados de covid-19. Foram 1.138 novas confirmações em 24 horas. O número de óbitos também aumentou: agora são 201 vítimas fatais. A maior parte está em São Paulo, que concentra 136 mortes e lidera a lista nacional, com 2.339 pacientes que tiveram resultado positivo para a doença. Já em Pernambuco, as 87 confirmações estão distribuídas por 11 municípios, além do Arquipélago de Fernando de Noronha e da ocorrência de pacientes em outros Estados e países.

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