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Coronavírus: "Estamos vencendo uma batalha, mas ainda não vencemos a guerra", diz diretor do Samu Recife

Médico comenta sobre cuidados que a população precisa ter no processo de retomada gradual das atividades

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 10/06/2020 às 1:15
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FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
Especialmente para quem precisa circular pelas ruas, todos os cuidados devem ser mantidos, como distanciamento social, higienização das mãos, etiqueta respiratória e uso de máscara - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Com o achatamento da curva epidêmica da covid-19 em Pernambuco, os dados nos mostram que menos pessoas têm adoecido pelo coronavírus no Estado. Ontem foram confirmados 305 novos casos da infecção – o menor número diário de pessoas com a doença desde 5 de maio. A interpretação dessa queda levanta várias possibilidades, incluindo o reflexo da última semana de quarentena rígida vivenciada em cinco municípios do Grande Recife na segunda quinzena do mês passado. Isso só reforça o quanto precisamos continuar a ter cautela, no nosso comportamento diário, ao longo de todo esse processo de retomada gradual de atividades.

“Quem não precisa não deve sair de casa, mesmo com uma reabertura controlada. A epidemia não acabou. O fenômeno da segunda onda deve vir, e isso tem acontecido em todo o mundo. A partir do momento em que as pessoas voltam a transitar, o vírus volta a ser transmitido. Todos os cuidados precisam ser mantidos, como higienização das mãos, etiqueta respiratória, uso de máscara e distanciamento social. Estamos vencendo uma batalha, mas ainda não vencemos a guerra”, disse ontem o médico Leonardo Gomes, diretor-geral do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Metropolitano do Recife, em entrevista ao programa Balanço de Notícias, da Rádio Jornal, ao comentar sobre o declínio dos casos de covid-19 e a queda nos chamados diários do Samu por suspeita de coronavírus.

Testagem

Paralelamente ao menor número de novos casos da doença confirmados ontem, desde o início de maio, Pernambuco registrou o menor volume diário de testes realizados desde 6 de maio. Ou seja, o retrato isolado da testagem em 24 horas nos mostra que o Estado voltou a apresentar a mesma quantidade de exames feitos há pouco mais de 30 dias. E atualmente se sabe que a proposta do governo estadual tem sido incrementar a realização de testes para se ter uma dimensão cada vez mais fiel da epidemia. Segundo a assessoria da Secretaria Estadual de Saúde (SES), o dia de ontem teve um número pequeno de exames (666 ao todo, incluindo testagem rápida e RT-PCR) porque houve uma entrada menor de testes na plataforma E-SUS, um sistema de notificação do Ministério da Saúde usado pelos municípios para notificar os casos leves de covid-19.

A queda no número de testes observada ontem foi expressiva, em comparação com os demais dias deste mês (em 4/6, foram feitos 2.449 exames, com 1.044 confirmações) e também com os últimos 26 dias de maio – mês que a chegou a ter 3.250 exames realizados em 24 horas (29/5). Pela dificuldade da extração e visualização de dados no E-SUS, segundo informou a SES, em próximos momentos desta semana ou da próxima, o Estado tende a registrar aumento das confirmações diárias de covid-19, que poderá ser também provocado pelo (provável) acúmulo da entrada de testes na plataforma.

Isolamento social

Para o chefe do setor de Infectologia do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), Demetrius Montenegro, a avaliação do dia a dia não é o melhor parâmetro para acompanhar a forma com que a epidemia evolui numa localidade. “Essa análise é melhor quando feita por semanas epidemiológicas. A comparação entre elas diminui a variabilidade diária que pode ocorrer. De qualquer forma, o menor número de casos de covid-19 que vemos hoje é fruto da quarentena rígida pela qual passamos. E não é pelo fato de ela ter acabado que a população deve voltar a circular normalmente pelas ruas. O isolamento social continua. Sair de casa só se for por extrema necessidade”, frisa o infectologista.

Em coletiva de imprensa online realizada na segunda-feira (8), o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, frisou que, apesar de ser observada atualmente a curva de desaceleração da covid-19, especialmente na capital pernambucana, o comportamento mundial da doença não tem sido e nem será de apenas um pico. “Nós viveremos um processo de ondas, de aumento e de diminuição de casos. Precisamos estar preparados caso haja uma nova subida.” Até agora Pernambuco tem confirmação de 41.010 pessoas já infectadas e 3.453 vítimas fatais da covid-19 – desse total, respectivamente, 17.133 casos e 1.315 óbitos são do Recife.

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