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Expectativa é que casos voltem a aumentar, acredita epidemiologista após praias lotadas no feriadão em Pernambuco

A médica epidemiolgista Ana Brito destaca que o novo coronavírus ainda circula e que o fato de ter leito de UTI nos hospitais não pode ser parâmetro para relaxamento das medidas de proteção contra covid-19

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 07/09/2020 às 22:25
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BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Fiscalização tímida não inibiu areias lotadas de gente em Pernambuco e descumprimento de normas sanitárias - FOTO: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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Com dias de sol no feriadão da Independência do Brasil, as areias das praias de Pernambuco foram tomadas por cenas de aglomeração e descumprimento de medidas de proteção contra a covid-19. Esse cenário inquietou autoridades sanitárias, sanitaristas, epidemiologistas e parte da população que tem consciência de que o novo coronavírus ainda está entre nós. Para a médica epidemiologista Ana Brito, pesquisadora da Fiocruz Pernambuco, a consequência do comportamento adotado nas praias no feriadão será refletida nos próximos dias. "A expectativa é que, daqui a 5 dias, volte a aumentar o número de casos. De 10 a 14 dias, podem aparecer as formas moderadas e graves da covid-19. O vírus ainda circula", destaca Ana Brito.

Nesta segunda-feira (7), Pernambuco confirmou 268 novos casos do novo coronavírus, totalizando 132.420 infecções, com 7.721 mortes desde o início da pandemia no Estado. "A interpretação da população é que está caindo o número de óbitos e que há leitos de UTI (unidade de terapia intensiva) em número suficiente. Isso não pode ser o parâmetro (para relaxar nas medidas preventivas), mas infelizmente essa percepção foi induzida no imaginário da população", destaca Ana. 

Nas praias do Grande Recife e do Litoral Sul de Pernambuco, não houve fiscalização que inibisse o comportamento que contraria normas sanitárias para evitar a disseminação do novo coronavírus. A Prefeitura do Recife (PCR) até tentou frear as atitudes inadequadas: realizou operação para conscientizar os barraqueiros e ambulantes sobre a importância de cumprir os protocolos. Mas não adiantou.

A maioria dos banhistas insistiu em ir na contramão das recomendações: poucos usaram máscaras e, em alguns locais das praias, mal se importaram em medir a distância mínima recomendada entre 1,5 metro entre as barracas. Além disso, houve barraqueiros e ambulantes que deixaram de lado o uso das máscaras e permitiram o descumprimento de regras sanitárias pelos clientes. A PCR informou, em nota, que diariamente cerca de 120 profissionais da Diretoria de Controle Urbano (Dircon), da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE), da Guarda Civil Municipal do Recife, da Brigada Ambiental, da Vigilância Sanitária e Procon Recife percorreram os oito quilômetros da orla de Boa Viagem e do Pina para vistoriar se normas (distanciamento entre guarda-sois, ocupação máxima de 10 pessoas por grupo e o uso de máscara pelos vendedores) estavam sendo cumpridas.

Segundo assessoria da PCR, até o fechamento desta reportagem, o balanço da fiscalização somava o registro de três notificações com multa (o valor não foi informado à reportagem) para barraqueiros, além de uma suspensão temporária da licença para ambulante.

Em Porto de Galinhas, no município de Ipojuca, Litoral Sul do Estado, não houve trabalho de conscientização que inibisse aglomerações. Faixas de areia estavam lotadas de banhistas, e o comércio no Centro (lojas, restaurantes e supermercados) também estava cheio. Mais de 2,5 mil máscaras foram distribuídas entre os banhistas e comerciantes. Outra medida de prevenção, a limpeza das mãos, aconteceu com o uso de álcool 70°, colocados em borrifadores. Além disso, equipes da Secretaria de Controle Urbano fiscalizaram a manipulação de alimentos nas barracas de praia, bares e restaurantes, como também atuaram para garantir o respeito do distanciamento entre os guarda-sóis. Mas, ainda assim, o resultado foi de uma multidão na praia.

Em Boa Viagem, a comerciária Adriana Monteiro era uma das poucas banhistas a respeitar as normas e usar máscara na faixa de areia. "Eu já cheguei aqui olhando e encontrei quase ninguém com máscara. A gente traz as crianças para se divertirem, mas ficamos com muito medo, porque há quase ninguém se protegendo", afirma Adriana.

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