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É preocupante: em meio à covid-19, Pernambuco não atinge meta em nenhuma das vacinas do calendário infantil

Queda na vacinação soa um alarme para a importância de se colocar a caderneta em dia como meio de evitar o reaparecimento de doenças

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 15/09/2020 às 23:12
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BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
Atualmente, em Pernambuco, as coberturas estão na faixa de 50% - e deveria ser de 95% para a maioria das vacinas - FOTO: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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Em meio ao isolamento social e ao receio de ir aos postos de saúde durante a pandemia de covid-19, os índices nacionais de coberturas vacinais de bebês, crianças e gestantes relembram o cenário de 2018: níveis bem abaixo dos percentuais de 90% a 95% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para conferir proteção contra agentes infecciosos que causam doenças graves e geralmente letais, como o sarampo, ou bactérias que provocam meningite. Em Pernambuco, a situação é grave: todas as vacinas indicadas a menores de um ano estão este ano muito abaixo da meta. "As coberturas estão na faixa de 50%, o que traz grande preocupação porque, à medida em que as pessoas voltam cada vez mais à normalidade, circulando para ir ao trabalho e às escolas, correm o risco de estarem expostas às doenças que circulam, como sarampo. Ou seja, podemos ter o ressurgimento de novos surtos e epidemias com a baixa adesão à imunização", alerta a superintendente de Imunizações da Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES), Ana Catarina de Melo.

O depoimento dela sublinha o quanto a queda na vacinação soa um alarme para a importância de se colocar a caderneta em dia como meio de evitar o reaparecimento de doenças. A poliomielite, pólio ou simplesmente paralisia infantil, tem o último registro no Brasil em 1989. E isso se deve exclusivamente à vacinação. Mas infelizmente a taxa de imunização para a doença, em Pernambuco, está em 52,7% - e deveria ser de, pelo menos, 95%. Se formos ver o ano anterior (2019), a meta também não foi alcançada: a cobertura ficou em 83,6%.

Com a pandemia, a mudança na percepção de risco da população (muitos ainda acreditam que a vacinação só deve ser feita em campanhas) foi aliada ao receio de infecção pelo novo coronavírus numa ida ao posto de saúde. É um medo compreensível diante das recomendações para se ficar em casa. Agora, os governos precisam reavaliar se a estratégia de imunização adotada atualmente é a melhor para possibilitar a proteção dos bebês, crianças e mulheres grávidas.

Do calendário da gestante, fazem parte três vacinas. Entre elas, uma tem especialmente acendido a luz vermelha em plena pandemia no Estado: a dTpa (tríplice bacteriana acelular, que protege contra difteria, tétano e coqueluche), exclusiva para grávidas na rede pública. "Em anos anteriores, já esteve abaixo dos 10% de cobertura. Hoje o índice permanece muito baixo, em 44%", diz Ana Catarina. A meta é atingir 95% dessas mulheres. Para elas, a dTpa é importante porque, ao serem imunizadas, elas zelam pela própria saúde e transferem anticorpos ao bebê, que fica protegido nos primeiros meses de vida até que possa completar o esquema vacinal. Em todas as gestações, a partir da 20ª semana, é necessário tomar a dTpa, mesmo nos casos em que a dose tenha sido aplicada anteriormente.

Na tentativa de aumentar a adesão à vacinação, o Programa Nacional de Imunização (PNI) realizará de 5 a 30 de outubro, com Dia D em 17/10, uma campanha nacional para atualizar a caderneta de vacinação até os 15 anos. Contra a poliomielite, o público-alvo são as crianças menores de 5 anos. Já a imunização contra sarampo, caxumba e rubéola (feita com a tríplice viral) será voltada a adultos de 20 a 49 anos, independentemente da situação vacinal (de já ter tomado a dose antes ou não). "Isso será feito com o objetivo de corrigir possíveis falhas que possam ter ocorrido em aplicações anteriores", frisa Ana Catarina.

 

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