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Crianças devem ficar no fim da fila da vacina contra covid-19, diz epidemiologista

Em entrevista ao programa Saúde e Bem-Estar, da TV JC, Wanderson Oliveira disse que a prioridade da imunização será o público da campanha de influenza, excluindo os menores de 18 anos, pois as vacinas não são testadas neles

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 20/11/2020 às 23:44
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ALUÍSIO MOREIRA/DIVULGAÇÃO
"Serão duas doses (da vacina) com intervalo de 14 dias entre cada uma. Fazer isso para 200 milhões é impossível em curto tempo. Continuamos entendendo que a máscara é nosso cinto de segurança", disse Wanderson Oliveira - FOTO: ALUÍSIO MOREIRA/DIVULGAÇÃO
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O Ministério da Saúde anunciou esta semana que a definição dos públicos que serão priorizados na imunização contra a covid-19 será feita depois da conclusão dos testes pelas empresas que desenvolvem pesquisas para desenvolver vacinas que oferecem proteção contra o coronavírus. Especialistas já preveem, no entanto, que as crianças e os adolescentes podem ser o último grupo a se imunizado contra a doença. "A prioridade será o público da campanha de influenza, excluindo os menores de 18 anos, pois as vacinas não são testadas neles, nem a do Butantan (Coronavac) nem a da Fiocruz (desenvolvida pela AstraZeneca e Universidade de Oxford)", disse, nesta sexta-feira (20), o epidemiologista Wanderson Oliveira, ex-secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, durante o programa Saúde e Bem-Estar, da TV JC.

Assista ao programa:

Na ocasião, ele avaliou o cenário epidemiológico da covid-19 em Pernambuco e, de acordo com as análises das últimas semanas, o epidemiologista reforçou que, apesar de o Estado vir apresentando oscilações no número de casos, a tendência ainda é de queda. Contudo, Wanderson deixou claro que ainda não é momento de relaxar diante das medidas de proteção.

De acordo com o especialista, enquanto a sociedade ainda não contar com as vacinas contra o novo coronavírus, os cuidados com o uso da máscara, por exemplo, não deve ser abandonados. E mesmo quando a imunização for iniciada, não conseguirá alcançar a maior parte da população no primeiro momento. "As vacinas só serão úteis para pessoas com 19 anos anos ou mais e para grupos prioritários, como aqueles com comorbidades (doenças preexistentes), idosos e profissionais de saúde (são os mais expostas ao vírus). Teremos um volume grande de pessoas que não terá a imunização, nem mesmo se desejarem comprar", salientou Wanderson.

O Plano de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19, apresentado na última quinta-feira (19), pelo atual secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, apontou que o público-alvo será detalhado apenas após a conclusão dos estudos de fase 3 dos imunizantes testados. "Só assim conseguiremos avaliar em quais grupos (a vacina) teve maior eficácia", afirmou. A campanha de divulgação do processo de produção e aprovação do imunizante, bem como da capacidade do País de distribuir os insumos, está prevista para ser lançada entre dezembro e janeiro. A mobilização para chamar os públicos prioritários para aplicação das doses e locais de vacinação é o passo seguinte, que deve ocorrer assim que houver definição sobre as vacinas.

Ainda durante o programa na TV JC, Wanderson frisou não ter dúvidas de que os imunizantes chegarão no próximo ano. "Antes de julho, vamos estar fazendo uma campanha nacional. Hoje a vacina, enquanto produto, ainda não existe. Mas temos um horizonte: excelentes produtos demonstrando eficácia elevada, na ordem de 90%", disse. O epidemiologista também sublinhou que inicialmente não haverá doses para a totalidade de brasileiros. "Para vacinarmos todas as pessoas no País (considerando cerca de 200 milhões de habitantes), precisaríamos ter 400 milhões de doses, porque cada vacina, considerando as que estão em fase mais avançada, exige a aplicação de duas aplicações. Não temos 400 milhões de doses no mundo. Então, não vai ter vacina para todo mundo, ao mesmo tempo, no primeiro ano de campanha", explicou Wanderson.

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