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Na alta da covid-19, Recife tem aumento de 173% em casos de chicungunha; 63% da população estão em risco de adoecer

A chicungunha, responsável por epidemias em 2015 e 2016, apresenta-se mais uma vez como a mais torturante das arboviroses

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 19/05/2021 às 21:43
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FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
INSPEÇÃO Vigilância Ambiental do Recife está visitando imóveis - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Mergulhado na fase mais dura de covid-19, o Estado de Pernambuco precisa reforçar a vigilância diante de um alerta sanitário além da pandemia: o aumento expressivo no número de pessoas que têm manifestado com sintomas de chicungunha. A doença, responsável por epidemias em 2015 e 2016, apresenta-se mais uma vez como a mais torturante das arboviroses (doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti), devido à sua característica mais marcante: as dores e os edemas nas articulações, que podem durar meses. Em comparação com os primeiros cinco meses de 2020, Pernambuco teve um aumento de 100% nas notificações de chicungunha este ano: saiu de 1.206 para 2.400 casos. No Recife, esse salto foi ainda mais expressivo: saiu, em 2020, de 171 para 468 este ano, considerando o mesmo período (incremento de 173%). Os dados estão nos boletins epidemiológicos das Secretarias de Saúde Estadual e Municipal.

Leia também: Notificações de chicungunha têm aumento de 99% em Pernambuco; casos de zika crescem 55% 

Outro detalhe é que esse cenário ainda pode se tornar mais penoso, o que exige que os governos e a sociedade redobrem os cuidados. Um estudo feito por pesquisadores da Fiocruz Pernambuco mostrou que 37% dos recifenses já tiveram chicungunha. Ou seja, há 63% da população da capital em risco de se infectar atualmente, neste momento em que o vírus tem feito mais doentes. A pesquisa, intitulada Inquérito de Arboviroses do Recife, é coordenada pela médica epidemiologista Cynthia Braga, pesquisadora da Fiocruz Pernambuco, e examinou moradores da cidade nos anos de 2018 e 2019, cerca de três anos após a tríplice epidemia de arboviroses no Estado. Os resultados do levantamento estão em análise final para publicação científica, mas Cynthia antecipou os destaques do estudo para a reportagem do JC, a fim de alertar as autoridades e a população para medidas preventivas neste momento de pico de casos de chicungunha.

FIOCRUZ PE/DIVULGAÇÃO
Os resultados do inquérito corroboram que há uma necessidade urgente de se discutir políticas públicas intersetoriais para enfrentamento a essas arboviroses", reforça a médica epidemiologista Cynthia Braga, pesquisadora da Fiocruz Pernambuco - FIOCRUZ PE/DIVULGAÇÃO

Para o inquérito, foram sorteados 884 domicílios. Somando os residentes deles, 2.071 pessoas (5 a 65 anos) passaram por exames de dengue, chicungunha e zika. "Nossa amostra representou todas as classes sociais do Recife. Chama a atenção o fato de, em tão pouco tempo (considerando a epidemia que ocorreu em 2015 e 2016), a chicungunha ter acometido 37% da população geral do Recife. E a doença se torna expressiva porque faz sintomas (intensos) em 70% das pessoas infectadas", diz Cynthia.

A coordenadora da pesquisa também adverte sobre a quantidade de pessoas ainda suscetível à zika. "É uma doença cuja prevalência chegou a 55% no nosso estudo. Então, ainda temos 45% da população em risco de ter zika." Ainda segundo Cynthia, o levantamento mostrou que quase 90% dos moradores do Recife já tiveram algum tipo de dengue (adoeceu por um dos quatro sorotipos). "Os resultados corroboram que há uma necessidade urgente de se discutir políticas públicas intersetoriais para enfrentamento a essas arboviroses", reforça a médica epidemiologista.

FIOCRUZ PE/DIVULGAÇÃO
Os resultados do inquérito corroboram que há uma necessidade urgente de se discutir políticas públicas intersetoriais para enfrentamento a essas arboviroses", reforça a médica Cynthia Braga, da Fiocruz PE - FOTO:FIOCRUZ PE/DIVULGAÇÃO

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