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"A psiquiatria é a porta de entrada para tratar doenças mentais; ela não é a UTI", diz médico em live sobre prevenção ao suicídio

Psiquiatra chama a atenção para a importância da especialidade médica como essencial para promover e proteção a saúde mental, assim como a prevenção à tentativa de suicídio, que é considerada uma emergência médica

Cinthya Leite
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Cinthya Leite
Publicado em 14/09/2021 às 16:20 | Atualizado em 14/09/2021 às 16:22
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Estudos apontam que, em mais de 98% dos casos, o suicídio foi causado por distúrbios psiquiátricos não tratados corretamente ou não identificados/acompanhados - FOTO: FREEPIK/BANCO DE IMAGENS
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A psiquiatria é a porta de entrada para o tratamento das doenças mentais; ela não é a UTI. Essa foi a frase que o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), usou para fechar uma live que comandou na última sexta-feira (10), Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Com essas palavras, ele chamou a atenção para a importância da especialidade médica como essencial para promover e proteção a saúde mental, assim como a prevenção à tentativa de suicídio, que é considerada uma emergência médica.

Durante a live, três médicos psiquiatras, quatro jornalistas e eu conversamos sobre o papel da imprensa na prevenção do suicídio, que é resultado de transtornos mentais não tratados. No Brasil, os casos passam de 13 mil por ano - e esse número é subnotificado. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que, a cada 40 segundos, uma pessoa morre por suicídio no mundo. E sobre as tentativas, uma pessoa atenta contra a própria vida a cada três segundos. Ou seja, calcula-se que aproximadamente um milhão de casos de óbitos por suicídio é registrado anualmente no mundo.

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), promove pelo oitavo ano consecutivo a campanha Setembro Amarelo, com o tema Agir salva vidas. A ação, que foi implementada no Brasil em 2014, tem como principal objetivo diminuir índices de suicídio.

Com essa mobilização, os psiquiatras têm a missão de conscientizar a população sobre os fatores de risco para o comportamento suicida e orientar para o tratamento adequado dos transtornos mentais, que representam quase que a totalidade dos casos de morte por suicídio.

Estudos apontam que, em mais de 98% dos casos, o suicídio foi causado por distúrbios psiquiátricos não tratados corretamente ou não identificados/acompanhados. Cerca de 96,8% estão relacionados à depressão e ao transtorno bipolar. Esse cenário preocupante serve de alerta para que a saúde mental seja um tema que não desapareça da pauta da saúde pública. "Precisamos orientar e conscientizar a sociedade sobre a prevenção do suicídio. Por isso, neste mês de setembro, nós concentramos os nossos esforços na prevenção efetiva. A morte por esta causa é uma emergência médica e pode ser evitada através do tratamento adequado do transtorno mental de base", ressalta Antônio Geraldo da Silva. A morte por suicídio pode e deve ser evitada. Para isso, devemos passar as informações corretamente e, de forma responsável, para a sociedade. Apenas dessa forma, conseguiremos diminuir os números, que são alarmantes.

Em Pernambuco 

Na próxima quinta-feira (16), às 20h, o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) realiza, em parceria com a Sociedade Pernambucana de Psiquiatria (SPP), uma live em alusão ao Setembro Amarelo. As palestras serão transmitidas ao vivo, através das redes sociais do Cremepe. O evento virtual contará com as apresentações "Há medicações antissuicidalidade?", ministrada por Antônio Peregrino; "Suicídio e automutilação na adolescência", apresentada pela especialista em psiquiatria na infância e adolescência, Jádia Poggi e "Suicídio no Idoso", com a condução do médico Rodrigo Silva, que é especialista em psiquiatria geriátrica. A moderação será feita pela psiquiatra e conselheira do Cremepe Milena França.

 

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