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Álcool na gestação segue fazendo vítimas entre os bebês, alertam especialistas

No Brasil, 15% das gestantes consomem bebidas alcoólicas, fator de risco para o desenvolvimento de transtornos neurológicos e danos congênitos

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 05/10/2021 às 11:28
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No mundo, a cada mil bebês, de 6 a 9 nascem com síndrome alcoólica fetal - FOTO: FREEPIK/BANCO DE IMAGENS
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Análise apresentada na publicação Álcool e a Saúde dos Brasileiros – Panorama 2021 indica tendência de redução da abstinência entre as mulheres entre 18 e 34 anos, com variação média anual de 2% ao ano, o que significa que mais brasileiras em idade fértil passaram a beber entre 2010 e 2019. Além disso, o uso abusivo de bebidas apresenta tendência de aumento com média anual de 5% para a mesma faixa etária.

São dados preocupantes não somente do ponto de vista da saúde feminina, mas sinal de alerta para as futuras gerações. No Brasil, estima-se que 15% das gestantes consomem bebidas alcoólicas, fator de risco importante para o desenvolvimento de transtornos neurológicos e neurocomportamentais, além de danos congênitos, conhecidos como transtorno do espectro alcoólico fetal (em inglês, FASD – fetal alcohol spectrum disorders). Nesse contexto, a síndrome alcoólica fetal (SAF) é a que tem o quadro mais grave. Trata-se de doença sem cura, mas totalmente evitável, desde que a gestante não consuma álcool. 

“Apesar de importante incidência, os danos causados pelo uso de álcool na gravidez ainda são pouco conhecidos pela população e suas consequências podem persistir por toda a vida adulta da criança. Portanto, a prevenção é fundamental, e o nosso papel é contribuir na disseminação de conhecimento a respeito do perigo”, destaca a vice-presidente executiva do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), Erica Siu, referência nacional no tema. 

No mundo, a cada mil bebês, de 6 a 9 nascem com síndrome alcoólica fetal. No Brasil, não há dados oficiais, mas estudo realizado em maternidade da periferia de São Paulo aponta que 38 a cada mil nascidos sofriam de algum transtorno relacionado ao uso de álcool. No entanto, estimativas indicam que sequer 1% das crianças afetadas é diagnosticada. 

Para a especialista em pediatria neonatal, Conceição Aparecida de Mattos Segre, que é conselheira científica do Cisa, essa falta relevante de detecção pode ser explicada pela complexidade do próprio diagnóstico, pela dependência da presença de alterações faciais (que ficam menos nítidas com o passar dos anos), pela necessidade de preparo das equipes de saúde para identificar os casos e carência de uma equipe multidisciplinar. 

“O diagnóstico precoce e o tratamento multidisciplinar são essenciais para promover o melhor desenvolvimento e possibilitar um aumento da qualidade de vida das crianças acometidas. Sem o diagnóstico correto, deixamos uma geração de brasileiros e famílias sem o atendimento de que tanto precisam”, alerta Conceição Aparecida. 

A campanha é promovida pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Associação Médica Brasileira (AMB) e Cisa, com o apoio da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), com apoio da brasileira Marjan Farma. O objetivo é disseminar conhecimento científico sobre os riscos do consumo de álcool durante a gravidez. A ação acontece nas redes sociais com a publicação de conteúdos especiais sobre efeitos do álcool no feto e as consequências para a saúde do bebê, diagnóstico e tratamento.

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