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"Não podemos entrar no clima de fim de pandemia", diz secretário de Saúde ao avaliar os 2 anos de covid-19 em Pernambuco

Para André Longo, a vacinação muda a realidade, mas a desigualdade no acesso aos imunizantes ainda nos deixa inseguros em relação a possíveis novas variantes

Cinthya Leite
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Cinthya Leite
Publicado em 11/03/2022 às 23:12 | Atualizado em 14/03/2022 às 16:49
MIVA FILHO/SES
Para André Longo, vacinação é peça fundamental para que reverter o curso da pandemia e salvar vidas - FOTO: MIVA FILHO/SES
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Nesta entrevista à jornalista Cinthya Leite, o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, faz um balanço da pandemia no Estado e reforça que, mesmo com queda dos indicadores, a situação ainda não é confortável. “A vacinação muda a realidade, mas a desigualdade no acesso aos imunizantes ainda nos deixa inseguros em relação a possíveis novas variantes”, diz Longo.

Leia também: Pandemia de covid-19 completa 2 anos em Pernambuco com lições sobre vacinas e otimismo para próximos meses

JC — Como o senhor avalia o enfrentamento à pandemia, em Pernambuco e no Brasil, ao longo destes 2 anos?
ANDRÉ LONGO — No Brasil, precisamos lamentar a ausência de uma coordenação nacional na condução da pandemia, aliada a um discurso negacionista no plano federal, que gerou uma mensagem inadequada para a população. Precisamos destacar a articulação dos Estados do Nordeste, que se uniram no enfrentamento à pandemia para resistir ao negacionismo, com a criação, inclusive, de um Comitê
Científico de Combate ao Coronavírus. Especificamente aqui em Pernambuco, nesta longa jornada de dois anos, por determinação do governador Paulo Câmara, fomos guiados pela ciência, atuando com total transparência para levar a melhor informação à população e sempre em articulação com as secretarias
municipais de Saúde, por meio do Cosems-PE (Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Pernambuco). Assim, procuramos responder à altura desta maior crise sanitária em 100 anos. Na assistência, colocamos em prática um grande plano de mobilização de leitos, insumos e de recursos humanos e, com isso, montamos a maior rede hospitalar para atendimento de casos de síndrome respiratória aguda grave entre os Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Na vacinação, que é
peça fundamental para que pudéssemos reverter o curso da pandemia e salvar vidas, também estamos fazendo um intenso trabalho. Montamos uma ágil operação logística de distribuição das doses para que todas as prefeituras conseguissem planejar e avançar nas suas ações.

JC — Com a queda dos indicadores nesta fase atual, acredita que estamos perto do fim da pandemia?
ANDRÉ LONGO — Observamos, semana após semana, uma melhora nos indicadores da Covid-19, com redução na positividade, no número de pacientes internados, no registro de novos casos e óbitos. Mas, para continuarmos colhendo resultados positivos, o único caminho é avançarmos ainda mais na vacinação. Também não podemos entrar no clima de fim de pandemia. A vacinação está mudando a realidade, mas a desigualdade no acesso aos imunizantes, ao redor do globo, ainda nos deixa inseguros em relação ao aparecimento de novas variantes.

JC — Onde se concentram hoje os bolsões de não vacinados em Pernambuco e quais as estratégias que têm sido adotadas para solucionar este desafio?

ANDRÉ LONGO — Para atingir esses bolsões e apoiar os municípios com maiores dificuldades, acelerando
a imunização no Estado, criamos, em parceria com a Opas/OMS, o Programa Vacina Mais Pernambuco. E, ao longo dos últimos três meses, fizemos um grande trabalho de varredura vacinal, com busca ativa, casa a casa, em 15 municípios do Estado – a maioria localizada na Mata Sul. Neste trabalho, também detectamos infelizmente que existe um sub-registro das vacinas aplicadas contra a covid-19 na população. Isso significa dizer que as doses são aplicadas, mas não estão sendo devidamente informadas e/ou registradas nos sistemas. Por isso, é importante que as equipes de saúde dos municípios se
organizem e adotem medidas para incrementar o registro de dados nos sistemas oficiais de informação. A precisão das informações é crucial para o planejamento da necessidade municipal e estadual.

JC — A cobertura para a terceira dose ainda está baixa no Estado. Com a pandemia mais calma atualmente, as pessoas podem relaxar e não retornar para tomar este reforço. Como o Estado tem
sensibilizado esse público?

ANDRÉ LONGO — Em dois anos de pandemia, está muito claro que não podemos baixar a guarda. O único caminho para superarmos este momento, é avançarmos ainda mais na vacinação, seja na proteção das crianças de 5 a 11 anos, seja ampliando a cobertura da terceira dose nos adultos que tomaram a segunda dose há mais de quatro meses. As vacinas, como sempre digo, são seguras e são a nossa principal aliada para a proteção da vida e para vencermos o vírus. Por isso, é fundamental o compromisso de cada um de nós com o processo vacinal.

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