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Semaglutida oral: além de emagrecer e tratar a diabetes, remédio faz bem ao coração. Entenda

Nova pílula também pode atuar em fatores de risco para doenças cardiovasculares

Cinthya Leite
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Cinthya Leite
Publicado em 11/04/2022 às 11:45 | Atualizado em 14/06/2022 às 9:26
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Produzido pela Novo Nordisk, medicamento conta com tecnologia exclusiva de absorção e estará disponível em doses de 3mg, 7mg e 14mg - FOTO: REPRODUÇÃO/TWITTER
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Atualizada às 17h22

A nova pílula contra a diabetes tipo 2, que também tem apresentado resultados para quem precisa perder peso, ainda previne doenças do coração. Na última semana, a farmacêutica Novo Nordisk anunciou a chegada, ao mercado brasileiro, da semaglutida oral (ou Rybelsus, nome comercial), já aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O remédio deve ser ingerido diariamente, em jejum, pelo menos meia hora antes do café da manhã. 

O novo remédio, Rybelsus, é a versão em comprimidos para administração oral da semaglutida. A Novo Nordisk também comercializa o Ozempic, que consiste na semaglutida injetável. Ambos os medicamentos possuem a mesma indicação terapêutica.

"O diferencial do Ozempic, em relação a outras classes (de medicamentos para o mesmo fim), é promover a proteção cardiovascular, com redução de risco (de doenças do coração) de até 40%. Esse é um benefício que também temos com a formulação oral (ou seja, com Rybelsus)", diz a endocrinologista Teresa Vazquez, do Recife, que foi a São Paulo para acompanhar o lançamento da semaglutida oral na última semana. 

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A endocrinologista Teresa Vazquez, do Recife, tem boas expectativas com a nova opção terapêutica. "Essa medicação já tem comprovação de eficácia para tratar a diabetes, com a vantagem de ofertar também a perda de peso." - DIVULGAÇÃO

Segundo a farmacêutica, a semaglutida oral, além de ter potente controle glicêmico (ajudar a controlar os níveis de açúcar no sangue) e promover a perda de peso em pacientes com diabetes tipo 2, também pode atuar em fatores de risco para doenças cardiovasculares

Inovação

A semaglutida oral é o primeiro agonista GLP-1 (hormônio que otimiza a produção de insulina no sangue e promove a sensação de saciedade) em pílula e está disponível no Brasil para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlada, a fim de melhorar o controle glicêmico, em associação à dieta e ao exercício físico.  

"Trata-se de um passo importante para todos os pacientes com diabetes tipo 2, pois Rybelsus é o primeiro biológico em comprimido produzido para tratar a doença. O projeto de seu desenvolvimento sempre foi visto como algo arriscado, pois a probabilidade de dar certo era de apenas 10%. Mesmo assim, a Novo Nordisk tomou para si esse risco e conquistou resultados surpreendentes, abrindo novas possibilidades para os pacientes. Sem dúvidas, é uma das maiores inovações do segmento no Brasil, e no mundo, e o mais potente e completo antidiabético oral disponível", assegura a diretora médica da Novo Nordisk, Priscilla Mattar. 

Doses da semaglutida oral 

O novo medicamento está disponível nas doses de 3mg, 7mg e 14mg, com o intuito de facilitar a adaptação ao tratamento, conforme necessidade do paciente. Cada caixa do produto contém 30 comprimidos (três cartelas com 10 comprimidos em cada). As embalagens são convenientemente coloridas para facilitar a identificação das doses. 

Um detalhe importante é que essa medicação também diminui os fatores de risco de eventos cardiovasculares em pacientes com diabetes. 

Estima-se que 537 milhões de pessoas têm diabetes no mundo. Entre elas, 90% convivem com diabetes tipo 2. No Brasil, dentre as 16 milhões de pessoas que convivem com a doença, 12 milhões têm o tipo 2 (75%).

Apesar da disponibilidade de mais de 60 medicamentos antidiabéticos orais para o diabetes tipo 2, muitos pacientes não atingem os níveis necessários de açúcar no sangue, reforçando a necessidade de tratamento mais eficazes. Nesse contexto, o lançamento de Rybelsus representa mais uma opção para tratar os pacientes. 

Sobre a diabetes

A diabetes é uma condição crônica que se caracteriza pela produção insuficiente ou resistência à ação da insulina, hormônio que regula a glicose (açúcar) no sangue e garante energia ao organismo. A incidência mais comum de diabetes é o tipo 2, quando o organismo apresenta resistência à ação da insulina produzida pelo pâncreas.

A diabetes tipo 2 está diretamente relacionada ao sobrepeso, sedentarismo, triglicerídeos elevados, hipertensão e hábitos inadequados.

Embora seja considerada uma doença silenciosa e não apresente sinais na maior parte do tempo, alguns sintomas podem surgir quando os níveis de açúcar estão muito altos no sangue, incluindo fome e sede frequentes, vontade de urinar constante, formigamento nos pés e mãos, visão embaçada e demora na cicatrização de feridas no corpo. 

Já o diabetes tipo 1, geralmente diagnosticado na infância ou adolescência, e também em adultos, ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente, o que exige um tratamento com uso diário de insulina. Os sintomas incluem fome e sede frequentes, vontade de urinar constante, fraqueza, perda de peso, fadiga, náusea e vômito. 

Vale frisar que, quando não tratada adequadamente, a diabetes pode desencadear complicações no coração, artérias, olhos, rins e nervos. Independentemente do tipo, ao aparecimento de qualquer sintoma é fundamental que o paciente procure o atendimento médico especializado para dar início ao tratamento adequado. 

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