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Retorno a 2013: após 9 anos, Recife volta a ter alto risco de infestação do mosquito da dengue, chicungunha e zika

Levantamento mostra que capital pernambucana está com risco alto de surto para as arboviroses

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 11/04/2022 às 16:47 | Atualizado em 11/04/2022 às 17:26
MARCOS PASTICH/PCR
Pneus velhos abandonados estão entre os principais criadouros do mosquito Aedes aegypti - FOTO: MARCOS PASTICH/PCR
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O mais recente ciclo do Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa) do Recife traz um índice de 3,4%, que representa um risco alto de surto para dengue, zika e chicungunha. Isso significa que 3,4% dos imóveis da cidade estão com focos do mosquito Aedes aegypti, que transmite as arboviroses.

A última vez que esse índice havia sido registrado foi em 2013, um ano antes de a transmissão da chicungunha ter sido confirmada em território nacional. 

O Mapa da Dengue, como é chamado o LIRAa, é um instrumento fundamental para o controle do mosquito Aedes aegypti, que transmite dengue, chicungunha e zika. Com base nas informações coletadas no LIRAa, o município pode identificar os bairros onde estão concentrados os focos de reprodução do mosquito, bem como o tipo de depósito (criadouros) onde as larvas foram encontradas.

O objetivo é que, com a realização do levantamento, os municípios tenham melhores condições de fazer o planejamento das ações de combate e controle do mosquito Aedes aegypti, em especial nas áreas de maior risco e em alerta. Entre essas localidades no Recife, estão os bairros Cohab, Várzea, Ibura e Jordão, que estão acima da média da capital, com risco muito alto de infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa igual ou maior que 4,0%). 

A pedido do JC, a Secretaria de Saúde do Recife (Sesau) comentou sobre o último LIRAa, que apresentou resultado geral de 3,4% (risco alto). "O número pode ser explicado pelas chuvas noturnas desde o início do mês de março, a alta umidade e as altas temperaturas, que favorecem o encurtamento do ciclo do mosquitos Aedes."

Saiba como denunciar os focos do mosquito 

Para realizar denúncias de possíveis focos do mosquito, os recifenses podem ligar para a Ouvidoria Municipal do Sistema Único de Saúde, através do telefone 0800 2811520. A Prefeitura do Recife também disponibiliza a plataforma Bora Se Cuidar contra o Mosquito no site ou no app Conecta Recife. A ferramenta permite que os moradores do Recife acionem a Vigilância Ambiental de forma rápida e eficiente, utilizando geolocalização. 

O que mostram os números 

Neste ano, até a semana epidemiológica de número 13, de 27 de março a 2 de abril, foram notificados 299 casos suspeitos de arboviroses, sendo 187 casos de dengue, 110 de chicungunha e 2 de zika. Entre essas notificações, foram confirmados 53 casos de dengue e 40 casos de chicungunha. Em
comparação ao mesmo período do ano anterior, houve redução de aproximadamente 77% dos
casos notificados de arboviroses e de 89% dos casos confirmados das doenças. 

Diante do atual risco alto apontado pelo LIRAa, é fundamental o município investir em ações de prevenção e vigilância para evitar subida no número de infecções. 

Os criadouros 

O armazenamento de água, como tonel e caixa d'água, desponta historicamente como o principal tipo de criadouro em cidades como o Recife. Além disso, é importante a população ficar atenta a depósitos domiciliares, categoria em que se enquadram vasos de plantas e garrafas. O lixo também tem sido um depósito com maior número de focos encontrados. 

A Sesau informa que, desde abril de 2021, aos fins de semana, tem sido intensificada a realização de mutirões em diversas comunidades da cidade, onde agentes de saúde ambiental e controle de endemias (asaces) fazem a inspeção de residências e pontos estratégicos. Entre esses locais, estão borracharias e ferros-velhos. O objetivo é identificar e tratar possíveis focos de mosquitos, eliminá-los e aplicar larvicida biológico nos depósitos de água. 

"Os asaces visitam também locais classificados como pontos estratégicos, que são imóveis com grande potencial de conter criadouros de mosquito dentro da comunidade. Nesses locais, é realizada a eliminação de depósitos que acumulam água, aspirações de alados (mosquitos adultos) e também tratamento químico com inseticida", diz, em nota, a Sesau. Além disso, os profissionais recolhem pneus, que podem se tornar grandes focos de proliferação do Aedes.

As áreas escolhidas para as ações apresentam um maior índice de infestação do mosquito e risco de adoecimento da população, de acordo com indicadores entomológicos e epidemiológicos.

Durante todo o ano de 2021 e em janeiro e fevereiro de 2022, os asaces da Prefeitura do Recife visitaram mais de 2,8 milhão de imóveis. Além disso, a Vigilância Ambiental do Recife também realiza outras atividades continuadas para controle dos mosquitos transmissores das arboviroses, como manutenção das ovitrampas (armadilhas para monitorar a infestação do mosquito) e análise das estações disseminadoras de larvicidas.

A Sesau solicita que a população também colabore para evitar a proliferação do mosquito, já que mais de 80% dos focos são encontrados dentro das residência. 

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