RESISTÊNCIA

Thera Blue e Gabi da Pele Preta lançam 'Recados'

Cantor e compositor natural de Caruaru e radicado em São Paulo lança música e videoclipe ao lado de artista conterrânea, como forma de manifesto audiovisual contra o preconceito racial e religioso

Daniel Ferreira
Daniel Ferreira
Publicado em 30/12/2020 às 10:15
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Composta por elenco negro, o videoclipe de "Recados", assim como a música, encampa o renascimento da negritude no reconhecimento de suas origens, da fé de seus ancestrais e na possibilidade de ressignificar dor e sofrimento através de alegria e exaltação da existência - FOTO: Reprodução
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Está no ar o novo trabalho do pernambucano radicado em São Paulo Thera Blue. Na canção Recados, lançada no último 21 de dezembro, ele e a conterrânea Gabi da Pele Preta saúdam Exu, divindade do Candomblé, em um canto de existência da negritude e das religiões afro-brasileiras. A música também ganha um videoclipe que pede basta ao preconceito contra a cultura negra.


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A canção foi feita por Thera Blue junto ao parceiro de composição Isaac Maia, de forma despretensiosa e espontânea, durante passagem pelo Recife. Blue, que vive em São Paulo há 35 anos, enxergou nos versos simples dedicados a Exu uma forma de honrar suas raízes e trazer empoderamento ao povo negro. “Sabe quando uma energia quer se soltar, mas está represada? ‘Recados’ estava inquietando dentro de mim”, explica o artista.

 

Exu é o conhecido na religiosidade afro-brasileira como orixá das encruzilhadas, que rege os inícios e os caminhos. Na ótica cristã e colonizadora, a entidade é frequentemente associada ao diabo, uma visão estigmatizada que demoniza os cultos de matriz africana e acirra o preconceito racial e de crença religiosa. Em “Recados”, Exu é metáfora para a negritude, que deseja viver e revelar sua essência, mas é violentada cotidianamente.

 

“A canção é um pedido de respeito e empatia, e, ao mesmo tempo, um instrumento para mostrar a beleza, a fé e a verdade do povo negro”, comenta Thera Blue. A faixa foi produzida remotamente durante a quarentena, e reúne elementos próprios da canção brasileira e sonoridades da cultura africana. Uma sutileza poética que convoca a paz e a boa relação entre os povos originários do Brasil.

 

Thera assina a produção, que conta com guitarra e violão de Pedro Vivant e percussões de Beto Bala – músicos oriundos do Balé Majê Molê, tradicional grupo de dança afro de Peixinhos, Olinda/PE –; contrabaixo e edição pelo cantautor Vertin Moura; participação especial de Gabi da Pele Preta, cantora de Caruaru/PE, terra natal de Blue, com quem divide os vocais; mixagem e masterização por Chris Lemgruber.

 

 

Confira o vídeo:

 

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