LUTO

Saiba quem foi Lailson de Holanda, cartunista que faleceu de Covid-19

Artista foi dono de uma prestigiada trajetória enquanto cartunista e chargista, com passagens também pela música

Emannuel Bento
Emannuel Bento
Publicado em 26/10/2021 às 14:33
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ADEUS Lailson teve sintomas gripais no dia 15 e foi internado dois dias depois; ele havia optado por não se vacinar - FOTO: FACEBOOK/REPRODUÇÃO
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Lailson de Holanda Cavalcanti, que faleceu na madrugada desta terça-feira (26), aos 68 anos, em decorrência da Covid-19, foi dono de uma prestigiada trajetória enquanto cartunista e chargista, com passagens também pela música. O artista havia dado entrada num hospital particular do Recife no último dia 17 de outubro, sendo intubado três dias depois. Ele havia optado por não tomar nenhuma dose das vacinas.


Nascido no Recife, Lailson cresceu no bairro do Espinheiro e começou a publicar suas primeiras charges quando estudou nos Estados Unidos, assinando no jornal escolar do The Pine Cone, no Arkandas. Foi quando ele também recebeu o seu primeiro prêmio: o Award for Best Original Artwork, dado pelo Arkansas High School Press Association.

De volta ao Brasil, trabalhou como professor de inglês para brasileiros e de português para estudantes de intercâmbio do Antioch College. Antes de dedicar-se totalmente ao desenho, chegou a fundar a banda Phetus, que teve entre seus integrantes o guitarrista Paulo Rafael, falecido em agosto deste ano, e o flautista Zé da Flauta.

Nessa fase, o cartunista também marcou a história da música pernambucana. Em 1973, gravou com Lula Côrtes o disco instrumental "SATWA", raridade entre colecionadores e considerado o marco inicial da psicodelia pernambucana. Contudo, decidiu seguir o caminho das charges - em vida, ele dizia que viver de música era muito difícil naquela época.

Lailson de Holanda estreou na imprensa pernambucana em 1975, no Jornal da Cidade. No ano seguinte, foi um dos fundadores da página de humor (depois, jornal alternativo) "O PAPA-FIGO", no Jornal da Semana, ao lado de nomes como Paulo Santos, Ral e Bione, um grupo que início ao movimento de humor nos quadrinhos pernambucanos dos anos 1970.

Desde então, colaborou para veículos do Brasil e do mundo, como Pasquim, MAD (edição brasileira), Revista Visão, Veja 28 Graus, KYX 93, Rei da Notícia, Florida Review, O Europeu, Der Stern, The Guardian, Revista Bundas, Revista Palavra e O Pasquim 21, além de ser editor de arte de agências de publicidade de Pernambuco. Publicou charges no "Diario de Pernambuco" por mais de 30 anos.

Ele foi membro fundador da Associação dos Cartunistas do Brasil, sendo ainda primeiro presidente (2001/2004) da Associação dos Cartunistas de Pernambuco - ACAPE. Venceu prêmios como: Prêmio Imprensa no Salão Internacional de Humor de Piracicaba/SP (1985), Primeiro Lugar no Concurso de Cartoons do Projeto CumpliCidades - Portugal (1994), Prêmio HQ - Mix, melhor livro teórico - Humor Diário (1997). Participou de muitas exposições, sendo seis individuais. Publicou quase 20 livros de histórias em quadrinhos. 

Além de sua atividade como chargista, continuou sendo músico e compositor, tendo participado das bandas como Blusbróders, A Garagem e The Lailson Blues Band e Lailson & Friends. Em 2011, lançou o CD da ópera pop "NASSAU", composta por ele e por Fábio Valois.

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