MÚSICA

Discos raros de Lula Côrtes e Faviola, da Rozenblit, são lançados no streaming

"Flaviola e o Bando do Sol" e "Rosa de Sangue", dos pernambucanos Flaviola e Lula Côrtes, são as duas novidades que a Rozenblit traz aos seus canais digitais

Bruno Vinicius
Bruno Vinicius
Publicado em 22/10/2021 às 16:59
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Secult-PE/Divulgação
Obra de Lula Côrtes chega ao streaming pela Rozenblit - FOTO: Secult-PE/Divulgação
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Durante décadas, alguns discos da gravadora Rozenblit - uma das maiores fabricantes do mercado fonográfico brasileiro nas décadas de 1950 e 1960 - ficaram desconhecidos dos consumidores da música na era digital. Em um processo de resgate das suas obras publicadas, a gigante pernambucana tem publicado álbuns raros e importantes para a música popular brasileira nas plataformas de streaming. "Flaviola e o Bando do Sol", de Flaviola, e "Rosa de Sangue", Lula Côrtes, são as duas novidades que a Rozenblit traz aos seus canais digitais.

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Ambos discos foram digitalizados pelo próprio engenheiro de som da época, Hélio Rozenblit, que está à frente do processo da gravadora. O primeiro disco chega em um momento oportuno para relembrar o primeiro trabalho solo do poeta, cantor e compositor recifense Flaviola. O artista é considerado um dos ícones da psicodelia pernambucana, em um movimento chamado Udigrudi, ao lado de Alceu Valença, Ave Sangria, Lula Côrtes, Marconi Notaro e Lailson.

O artista, que residia no Rio de Janeiro, faleceu em junho deste ano, vítima da Covid-19, aos 68 anos. "Flaviola e o Bando do Sol", que é de 1974, chegou a ter uma reedição em LP, lançado em 2020. O ano também marcou seu último trabalho inédito, o disco "Ex-Tudo". "Martelo dos 30 anos" (1985), "Quasar do sertão" (1986) e "Décimas de um cantador" (1987) foram algumas das parcerias que o artista teve com Zé Ramalho.

"Flaviola e o Bando do Sol" ficou disponível, a partir desta sexta-feira (22), nos canais da Rozenblit no Deezer, Spotify, Tidal, Apple Music e Youtube. "Tido como o detentor da sonoridade mais doce entre os demais lançamentos da música psicodélica pernambucana, este álbum é marcado pelos vocais sem iguais e pelas suas letras ricas de um teor poético, atestado pelas adaptações musicais de Shakespeare, Maiakóvski, García Lorca e Henriqueta Lisboa feitas por Flaviola em um verdadeiro trabalho de ourives", diz o comunicado do selo.

RARIDADE

Primeiro disco solo de Lula Côrtes, "Rosa de Sangue" era um dos álbuns mais raros da música brasileira até pouco tempo. Em 2019, teve relançamento pela Polysom, e retornou ao mercado fonográfico em formato LP. O mesmo já havia acontecido com a sua parceria com Zé Ramalho, o álbum "Paêbirú – Caminho da montanha do sol", de 1975, considerado a produção mais rara - e também mais cara - do Brasil. 

Em 1980, quando a Rozenblit já enfrentava uma crise financeira, Lula foi a estúdio com as composições prontas e finalizou seu material. No mesmo ano, o artista assinou com a Ariola, multinacional que estava apostando no mercado brasileiro na época. Ao migrar de selo, Lula levou algumas canções do disco da Rozenblit no álbum "O Gosto Novo da Vida", em 1981. Isso desencadeou uma batalha na justiça, tornando o "Rosa de Sangue" raro nas prateleiras nacionais, porque nenhum dos dois selos quis investir. 

Em junho de 2019, a Polysom relançou o material de Lula Côrtes na coleção "clássicos em vinil", trazendo ao público um produto quase inédito. O "Rosa de Sangue" traz canções clássicas, como "Noite Preta", sua parceria com Alceu Valença e Zé Ramalho, sendo esta disponibiliza no primeiro disco solo de Zé; e "A Pisada é Essa", um hino de Capiba, de 1952.

"Rosa de Sangue" chegará aos canais digitais da Rozenblit no dia 29 de outubro. "Mais uma vez reunindo galácticos como Alceu Valença, Paulo Rafael, Zé da Flauta, Agrício Noya, Zé Rosas e outros, além de demonstrar a faceta que Lula desfrutava de grande pai musical da cena da época, dando espaço para novos nomes de então como Tito Lívio, Don Tronxo e Rodolfo Aureliano. Musicalmente, o tricórdio, indissociável de sua imagem, ressoa tão bem aos ouvidos como sempre, sem contar o encaixe perfeito de letras renomadas na voz do rei Luiz Gonzaga e uma total repaginada de uma composição de, também rei, Capiba", aponta o comunicado da gravadora.

 

 

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