FORRÓ

Dia do Forró: forrozeiros comemoram título de Patrimônio do ritmo, mas querem espaço

O Dia do Forró e o aniversário de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, chegam em um momento de alívio após um período turbulento para a classe artística

Bruno Vinicius
Bruno Vinicius
Publicado em 13/12/2021 às 18:07
ANDRÉA RÊGO BARROS/PCR
cristina amaral - FOTO: ANDRÉA RÊGO BARROS/PCR
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Durante dois anos, o forró ficou sem o seu maior palco. O São João, um dos festejos mais populares do País, foi interrompido por dois ciclos por causa da pandemia. Por isso, hoje, dia 13 de dezembro, tornou-se ainda mais significativo para o gênero. O Dia do Forró e o aniversário de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, são comemorados em meio a boas notícias após período turbulento para artistas. O título de Patrimônio Cultural Imaterial pelo Iphan, concedido na última quinta-feira (9), dá a sustentabilidade que a expressão cultural precisava nesse processo de retomada de shows e eventos festivos.

O reconhecimento do forró veio com um fato inédito para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). É o primeiro ritmo brasileiro a ser considerado como um supergênero, por abrigar o baião, o xote, o xaxado, o chamego, o miudinho, a quadrilha e o arrasta-pé. “A pesquisa aponta que a primeira menção à palavra forró foi localizada em um jornal amazonense de 1914, referiu-se a seringueiros cearenses possivelmente em suas atividades festivas”, disse a relatora do processo no conselho do Iphan, Maria Cecília Londres Fonseca.

Parte desse imaginário foi construído com o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, responsável por nacionalizar esse gênero. Não à toa, a data em que se celebra o forró é o mesmo dia do seu aniversário.

O artista deixou um legado para outras gerações, que foram construindo as raízes do ritmo em Pernambuco, por exemplo. Como é o caso da cantora Cristina Amaral, que mistura o forró a outros gêneros regionais. “O forró é importante pela sua variedade de ritmos, pela riqueza de gêneros que a gente tem, pela forte história cultural reconhecida pelo Brasil todo. E pela referência do nosso rei Luiz Gonzaga, que pelo fato de ser o nosso precursor do forró, é comemorado no dia do seu aniversário”, explica Cristina.

A cantora explica que a pandemia foi um momento delicado para os artistas, sobretudo os do forró, em decorrência da não realização de shows e eventos. “Toda a classe produtiva foi prejudicada. Tivemos que usar a criatividade, a tecnologia contribuiu muito para o nosso trabalho. Ainda estamos recuperando esse momento, não está sendo fácil, mas com fé a gente consegue”, pontua.

Divulgação
Maciel Melo 4 - Divulgação

“Foi muito difícil. Foi uma tristeza enorme, além da falta de trabalho, pois ficamos 2 anos sem trabalhar e ver o público. Então, quando veio essa pandemia, fomos os primeiros a entrar em isolamento e estamos sendo os últimos a sair. Todos os outros setores da economia foram voltando aos poucos e a gente não voltou de maneira nenhuma. Passamos 2 anos sem receita nenhuma, tivemos alguns incentivos governamentais, mas é diferente de estar no palco trabalhando”, enfatiza Maciel Melo, um dos nomes mais importantes do forró-pé-de-serra.

Retorno dos shows

Com o retorno aos palcos e a dúvida sobre as grandes festas populares, Maciel Melo incentiva a vacinação coletiva como uma forma de se pensar em eventos presenciais em 2022. “Espero que todo mundo encare essa questão como uma catástrofe de saúde pública. E vacine. Todo mundo tem que se vacinar. Isso só vai acabar quando todo mundo estiver vacinado, não tem que se discutir se vai virar jacaré ou isso ou aquilo”, pondera o cantor.

Apesar de pontuar que a retomada tem sido realizada aos poucos, Cristina Amaral considera que o reconhecimento do forró pelo Iphan é algo que vai ajudar nesse processo. “É um título muito importante para a nossa cultura, para a manutenção e preservação do nosso forró. É um reconhecimento sociocultural e político e as políticas públicas são importantes para a continuidade do nosso forró”, diz Amaral.

“Essa questão do forró como patrimônio é muito legal. Espero que isso não fique só no papel: tem que ter uma contrapartida nisso tudo. Já que foi oficializado, têm que ter uma lei para que o São João tenha um certo espaço para o forró tradicional. Não adianta tornar isso como patrimônio e quando chegar o São João, os caras enchem esse pessoal da galera estilizada, do sertanejo e do piseiro, mais atuais e mais modernos, mas que não têm a ver com a tradição. Esses estilos têm o ano inteiro. Então, no mês de junho, deviam dar prioridade aos artistas que trabalham com isso”, afirma Maciel Melo.

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