MÚSICA

Bia Villa-Chan (PE) e Armandinho Macêdo (BA) promovem intercâmbio do frevo em show gratuito no Recife Antigo

Show integra a programação realizada pela Prefeitura do Recife para celebrar o título de Cidade Criativa da Música, certificado pela Unesco em novembro de 2021

Bruno Vinicius
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Bruno Vinicius
Publicado em 10/05/2022 às 15:31 | Atualizado em 10/05/2022 às 15:56
Marcelo Ferreira/Divulgação
A apresentação da pernambucana Bia Villa-Chan e do baiano Armandinho Macêdo exaltará Recife e Salvador - FOTO: Marcelo Ferreira/Divulgação
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A passagem do Clube Vassourinhas, do Recife, pela cidade de Salvador, em 1951, fez o frevo mudar o percurso da história do axé. Esse intercâmbio, muitas vezes pouco lembrado, deu destaque ao ritmo pernambucano no carnaval da Bahia com uso da guitarra baiana. A apresentação da pernambucana Bia Villa-Chan e do baiano Armandinho Macêdo, ambos cantores e multi-instrumentistas, pretende exaltar essa ligação musical nordestina na Praça do Arsenal, no dia 11 de maio (quarta-feira), às 20h.

O show integra a programação realizada pela Prefeitura do Recife para celebrar o título de Cidade Criativa da Música, certificado pela Unesco - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em novembro de 2021. Salvador, aliás, também recebeu o mesmo título em novembro de 2020. A apresentação é, então, um abraço entre essas duas potências culturais e históricas através da relação entre frevo e axé.

Serão apresentadas releituras de clássicos de ambos os estados, tanto com a guitarra baiana de Armandinho quanto o bandolim de Bia Villa-Chan - as cordas acústicas também ocupam um espaço tradicional no frevo por conta dos frevos de bloco, seus blocos líricos e bandas de pau e corda.

"Será uma conciliação geral da música pernambucana com a baiana, do frevo pernambucano com o frevo baiano, de sotaque baiano, com guitarra baiana. Eu sou neto de pernambucano e a gente herdou esse micróbio do frevo", comenta Armandinho.

"Armandinho foi precocemente contaminado pelo micróbio do frevo e levou a guitarra distorcida para o ritmo. Existia um mito de que o frevo só poderia ser tocado em grandes orquestras. Ele tira o frevo dessa redoma, colocando-o em cima de um trio. Ele torna o frevo pop", diz Bia Villa-Chan.

Sobre os artistas

Nascida no Recife, Bia Villa-Chan é neta do bandolinista Heitor Villa-Chan, um dos fundadores da troça Pirilampos de Tejipió. Exímia instrumentista, toca guitarra, contrabaixo, bateria, clarinete, sax e piano, sendo o seu principal instrumento o bandolim. Já gravou com Alceu Valença, Luiz Caldas, Maciel Melo e venceu o Troféu Gonzagão, do Instituto Intercultural Brasil. Também vem trazendo para o contexto das redes sociais diferentes interpretações do ritmo, procurando popularizar e democratizar clássicos na esfera virtual.

Armandinho é fruto direto dessa relação do frevo com a Bahia. Ele é filho de Osmar, da dupla Dodô e Osmar, que, inspirada pelo Vassourinhas, passou a tocar frevo em cavaquinhos (ou paus elétricos) que produziam sons distorcidos através dos potentes alto- falantes dos trios elétricos. Armandinho consolida a presença da guitarra ao conhecer a obra do norte-americano Jimmy Hendrix, dando origem à guitarra baiana.

Sobre o título de Cidade Criativa da Música

Com o título de Cidade Criativa da Música, a capital pernambucana passou a integrar a Rede de Cidades Criativas, formada por 295 cidades em 90 países, que tem por objetivo favorecer a cooperação e o fortalecimento da criatividade como fator estratégico de desenvolvimento sustentável, nos aspectos econômico, social, cultural ou ambiental.

O título foi resultado de um intenso trabalho de escuta de representantes da cena musical recifense e seus variados estilos, ritmos e vocações sonoras, que embasou a candidatura apresentada à Unesco pela Prefeitura do Recife, com chancela da Comissão Nacional, no primeiro semestre.

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