Morte

Em Celebração, sua última música, Moraes Moreira canta 'músico que é músico não para de tocar'

Cantor e compositor morreu nesta segunda-feira (13), aos 72 anos

Katarina Moraes Bruna Oliveira
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Katarina Moraes
Bruna Oliveira
Publicado em 13/04/2020 às 12:38 | Atualizado em 13/04/2020 às 13:10
DAYVISON NUNES/JC IMAGEM
Na quarta edição do festival, que acontecerá entre os dias 16 e 19 de abril, as atrações farão homenagens ao cantor - FOTO: DAYVISON NUNES/JC IMAGEM

As canções do cantor e compositor Moraes Moreira, que morreu na manhã desta segunda-feira (13), embalaram a trilha sonora da vida de muitos brasileiros. No entanto, na música 'Celebração', que faz parte do seu último álbum que tem o mesmo nome, lançado em 2019, o artista pareceu deixar uma mensagem sobre a sua partida e a sua contribuição para a música brasileira. "Músico que é músico não para de tocar", diz trecho da composição.

Na canção, o artista, que tinha 72 anos e morreu enquanto dormia em sua casa no Rio de Janeiro, fala sobre a arte da música brasileira e elementos utilizados para que várias delas sejam feitas, além de citar nomes de grandes cantores e compositores. Confira a obra:

Somos a forma, o pensamento

Que se transforma, num instrumento

Chorinho sim, um violão

Um bandolim, e a inspiração

Mas o pandeiro é necessário

Se faz parceiro no itinerário

O cavaquinho, também a flauta

Tão no caminho e tudo exalta

Chora na melô de Pixinguinha

Vem vibrar que só, choro de Jacob do Bandolim

Saltita aí no choro de Waldir Azevedo

Ninguém sabe qual é o melhor

Chora no chorinho de Armandinho

E no violão, Yamandu comanda no violão

Nego veio Dominguinhos, toca a mil Hamilton de Holanda

Somos a forma, o pensamento

Que se transforma, num instrumento

Chorinho sim, um violão

Um bandolim, e a inspiração

Mas o pandeiro é necessário

Se faz parceiro no itinerário

O cavaquinho, também a flauta

Tão no caminho e tudo exalta

Chora na melô de Pixinguinha

Vem vibrar que só, choro de Jacob do Bandolim

Saltita aí no choro de Waldir Azevedo

Ninguém sabe qual é o melhor

Chora no chorinho de Armandinho

E no violão, Yamandu comanda no violão

Nego veio Dominguinhos, toca a mil Hamilton de Holanda

Vou pedir Davi licença pra quem não se tem

Vai ter recompensa essa é a lei

Músico que é músico não para de tocar

Todo logradouro público haveremos de ocupar

Vou pedir Davi licença pra quem não se tem

Vai ter recompensa essa é a lei

Musico que é musico não para de tocar

Todo logradouro público haveremos de ocupar

Morte

A causa da morte de Moraes Moreira ainda não foi informada. Também ainda não se sabe sobre quando e onde será o sepultamento.

Vida e obra

Nascido Antônio Carlos Moreira Pires na cidade de Ituaçu, Moraes começou a carreira tocando sanfona em festas de São João. Na adolescência, aprendeu a tocar violão enquanto estudava em Caculé. Depois, se mudou para Salvador e conheceu Tom Zé. Formou com Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão os Novos Baianos, ficando com o grupo de 1969 até 1975.

Sucessos

Com Luiz Galvão, compôs a maioria das canções dos Novos Baianos, que é responsável por um dos discos mais icônicos da música brasileira, Acabou Chorare, de 1972, considerado pela revista Roling Stone Brasil, em 2007, o melhor álbum da história da música brasileira.

Em sua carreira solo compôs diversos sucessos de músicas de carnaval, como "Pombo Correio", "Vassourinha Elétrica" e "Bloco do Prazer", dentre outras.

Em 1994, Moreira gravou o álbum "O Brasil Tem Concerto", influenciado pela música erudita, e no ano seguinte o Moraes Moreira Acústico MTV, que mais tarde foi transformado em CD e DVD.

Três anos depois, o baiano gravou um disco carnavalesco em que comemora seus 50 anos, intitulado de "50 carnavais" e dois anos depois lança o disco "500 Sambas" em homenagem aos 500 anos de descobrimento do Brasil.

Em 2000, o disco "Bahião com H" trouxe Moraes tocando o baião com seu característico sotaque baiano. Em 2003, completou sua trilogia que tinha como tema o Brasil, e incluía os três álbuns Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira (1979) e O Brasil Tem Concerto (1994) e Meu Nome é Brasil (2003).

O disco "De repente", que mistura hip hop com repente nordestino e o swing característico de seu violão, foi lançado em 2005.

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