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Bolsa tem manhã de recuperação com apoio externo, ainda ancorado com EUA-China

Sinais de que o acordo fase 1 assinado entre EUA e China em janeiro deve ser mantido, como afirmou o presidente norte-americano, Donald Trump, devem conduzir os negócios

Agência Estado
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Publicado em 23/06/2020 às 11:30
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A sinalização de paz entre os dois países já impulsiona os mercados acionários europeus e em Nova York, com ganhos na faixa de 1%, inclusive com valorização até maior, como é o caso da bolsa alemã - FOTO: REPRODUÇÃO
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A terça-feira (23) é de recuperação do Ibovespa, que na segunda (22) fechou em queda de 1,28%, aos 95.335,96 pontos. O principal índice à vista da B3 volta a transitar em nível acima deste patamar, impulsionado hoje pelo exterior positivo, devido a expectativas positivas nas relações comerciais entre as duas maiores potências do globo. Sinais de que o acordo fase 1 assinado entre EUA e China em janeiro deve ser mantido, como afirmou o presidente norte-americano, Donald Trump, devem conduzir os negócios.

A sinalização de paz entre os dois países já impulsiona os mercados acionários europeus e em Nova York, com ganhos na faixa de 1%, inclusive com valorização até maior, como é o caso da bolsa alemã (2,54%, às 10h48). Alguns indicadores de atividade do continente europeu mostraram resultados acima do esperado, indicando que a retomada está prosseguindo, após a paralisa por conta do isolamento social devido à pandemia de coronavírus.

O índice de gerente de compras (PMI) composto da zona do euro subiu de 31,9 para 47,5 de maio para junto, ante expectativas de 40,9. Na Alemanha, o PMI preliminar de indústria e serviços do mesmo período avançou a 35,8, depois de 32,3, também superando as estimativas. Já o PMI composto do Reino Unido teve alta de 30 para 47,6, maior do que as projeções.

Para Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe da Levante Ideias de Investimentos, o otimismo externo deve continuar se sobrepondo ao noticiário político desfavorável. Em sua avaliação, apesar dos fator negativos na política, principalmente após a prisão de Fabrício Queiroz, ex-policial militar e ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, na Quinta-feira passada, o investidor segue atento a expectativas de reformas. "Os fatos negativos estão no radar, mas o ponto que mexe com o mercado é o casamento do presidente Jair Bolsonaro e o Centrão, e que pode resultar em reformas", cita.

Sinais de retomada da agenda de reformas internas também completam o otimismo no mercado local. Nesta quarta, por exemplo, é esperada a votação do marco regulatório do saneamento "Tem grande chance de passar, e irá beneficiar o segmento, o País", diz o estrategista-chefe da Levante Ideias de Investimentos, Rafael Bevilacqua. Hoje, em evento virtual, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que retomará a agenda da reforma tributária, com expectativa de que a discussão comece na semana que vem. Já a reforma administrativa, disse, ainda "não chegou", devendo ficar para o ano que vem.

Apesar da alta hoje, o estrategista não vê espaço para grandes saltos do Ibovespa, devido "à falta de novidades" no noticiário. "Precisa de algo novo pra fazer a Bolsa andar mais. Temos o dia a dia político, com alguns barulhos, assim como no exterior, principalmente nos EUA. Porém, nada que sugira uma mudança estrutural", afirma.

Da mesma forma, um operador acrescenta que sem "novidades", o ambiente para que o índice Bovespa alce novos voos é limitado, porém, sem desprezar a possibilidade de avanço, como, por exemplo, atingir os 97.500 pontos, considerada por grafistas a primeira resistência importante. "Tem liquidez, mas não tem nada de novo", cita a fonte. Aliás, Bevilacqua volta a chamar a atenção para esse montante de dinheiro nos mercados. "É preciso tomar cuidado com essa abundância de liquidez. Os mercados podem sair da crise com os ativos inflados."

Além dos ganhos firmes das bolsas externas, a alta do petróleo no mercado internacional impulsiona as ações da Petrobras, com ganhos perto a 2%. Mesmo que o minério de ferro tenha fechado em baixa de cerca de 1% na China, sinais de manutenção do acordo sino-americano favorecem os papéis da Vale ON (1,07%).

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