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Otimismo aumentou entre lojistas, diz pesquisa da Fecomércio-PE

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio voltou a subir em outubro chegando próximo a 100 pontos, segundo a Fecomércio. Proximidade das festas de fim ano animam comerciantes.

Edilson Vieira
Edilson Vieira
Publicado em 28/10/2020 às 21:19
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Movimento do comércio está acima das expectativas em relação as projeções feitas no início da pandemia. Renda extra do auxílio emergencial ajudou a manter o consumo. - FOTO: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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O final de ano será de otimismo para os lojistas. É o que aponta o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) de Pernambuco, avaliado todos os meses pela Fecomércio-PE. O índice mede a percepção que os empresários do comércio têm sobre o nível atual e futuro de vendas e a intenção em investir em curto e médio prazo. O Icec cresceu 6,9% neste mês de outubro, passando de 93,4 para 99,9 pontos, segundo a Fecomércio. Foi a terceira alta após cinco quedas consecutivas.

O economista da Fecomércio, Rafael Ramos, explica que para ser considerado satisfatório o índice de confiança deve estar acima de 100 pontos. O número nacional é de 103,1 pontos, mas o resultado atual de Pernambuco é bem significativo, diz Ramos. “Os números deste mês, mais uma vez confirmam que o comportamento da confiança empresarial no segundo semestre será bem mais positivo que no primeiro semestre, e que provavelmente volte a atingir a zona de avaliação positiva no último bimestre do ano”, avaliou o economista.

COMEMORAÇÕES

Para Ramos, a comemoração de datas importantes para o comércio como o Dia dos Pais e o Dia das Crianças, apresentaram boa movimentação no comércio. Este comportamento positivo por parte do consumidor em datas comemorativas, ajuda a puxar a confiança do empresariado, revelando para a classe um período de turbulência bem mais curto do que havia inicialmente projetado.

O presidente da Associação de Lojistas de Shoppings de Pernambuco, Ricardo Galdino, confirma que “não há como não estar otimista” depois do que ele chamou de “pandemônio”, num trocadilho com a pandemia da covid-19. “Mês a mês o cliente tem voltado. Ainda não no volume anterior a pandemia, claro, mas a gente imagina que com o adicional do décimo terceiro salário e as festividades de Natal, o comércio de fim de ano não vai passar em branco”, afirmou Galdino.

SETORES

As atividades mais impactadas positivamente nos últimos meses e que vem puxando a recuperação do comércio, segundo a Fecomércio, continuam sendo os setores de eletrodoméstico, com alta de 50% em comparação com o ano passado. Em seguida vem o setor de móveis e o de material de construção. O segmento de hiper e supermercados continuam com alta modesta, mas positiva, diante da necessidade de um maior consumo destes itens para as pessoas que ainda continuam em isolamento, mesmo após a permissão de reabertura dos estabelecimentos.

O estudo da Fecomércio destaca ainda que a economia vem respondendo e se recuperando de maneira bem mais rápida do que o esperado em alguns setores, com a produção industrial e a demanda por serviços apresentando altas superiores às projeções feitas nos primeiros meses da pandemia. “O nível de consumo neste segundo semestre está acimam do esperado. Isso se a gente olhar para as projeções de abril e março. Eram projeções apocalípticas, de quedas altíssimas. Mas o auxílio emergencial e o resgate de parte do FGTS conseguiram atenuar a queda do consumo”, pontuou Rafael Ramos.

ELEIÇÕES

A proximidade com as eleições municipais e a possibilidade de renovação de parte da gestão municipal e de capitais também podem estar acelerando a recuperação da confiança, cita a análise da Fecomércio. “Anos pós-eleição apresentam ambiente de negócios melhores, pois os novos gestores geralmente impõem medidas que buscam elevar investimentos com incentivos ao setor privado”, registra o relatório.
Para o próximo mês, espera-se que a confiança continue com variação positiva e fique acima dos 100 pontos. Em novembro acontece a Black Friday, data já consolidada no calendário de compras dos pernambucanos, incentivando mais um movimento de consumo, dessa vez via canais digitais.

Esse otimismo do empresariado vai pelo menos até dezembro, diz Rafael Ramos, já que em janeiro haverá uma desmobilização em relação a injeções financeiras que chegaram até o mercado. “Não haverá décimo terceiro salário e nem auxílio emergencial. E ainda há o risco das famílias se endividarem neste final de ano. O que vai determinar a manutenção dos níveis de consumo então será a capacidade de aumentar a geração de emprego e de renda”, pontuou o economista.

 

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