Racismo

Carrefour anuncia fundo de R$ 25 milhões para combater racismo no Brasil e melhorar reputação. Ações na Bolsa despencaram

Após episódio trágico no fim de semana e protestos contra a varejista pelo País, ações da empresa tiveram queda de 5,35% na Bolsa

JC
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Publicado em 23/11/2020 às 22:13 | Atualizado em 25/11/2020 às 22:58
Foto: Divulgação/ Carrefour
CARREFOUR Boicote dos consumidores, pressão dos fornecedores e desconfiança dos investidores - FOTO: Foto: Divulgação/ Carrefour
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O Carrefour anunciou nesta segunda-feira (23) a criação de um fundo de R$ 25 milhões para promover ações de inclusão racial e combater o racismo no Brasil. O comunicado veio após o espancamento e morte de João Alberto Freitas, por dois seguranças, em uma das lojas da rede em Porto alegre, na quinta-feira. A tragédia, que aconteceu às vésperas do Dia da Consciência Negra (20), teve repercussão internacional e gerou uma onda de protestos por todo o Brasil no final de semana. As consequências para o grupo também chegaram a Bolsa, com forte queda de 5,35% nos papeis da companhia. 

A criação do fundo é uma resposta aos consumidores; que acompanham e aderem às campanhas de boicote à empresa; às grandes fornecedores da rede varejista, que exigiram um posicionamento sério da empresa; e dos investidores, que podem ter receio em investir nas ações do Carrefour. A criação do fundo é uma clara tentativa de melhorar a reputação do grupo após o episódio João Alberto. Até a Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, da qual o grupo fazia parte, expressou "profunda repulsa" pela morte de João Alberto e desligou o Carrefour por tempo indeterminado. 

>> Grandes empresas anunciam compromisso com a igualdade racial no Brasil, após morte de homem negro no Carrefour

No final de semana, diretores do Carrefour anunciaram que todo o resultado das vendas de todos os hipermercados da rede no País no dia 20 de novembro seria doado para ações de combate ao racismo, mas nesta segunda decidiram anunciar que o valor de R$ 25 milhões será adicionado a essa arrecadação.

“Sabemos que não podemos reparar a perda da vida do senhor João Alberto. Este movimento é o primeiro passo da empresa para que o combate ao preconceito e racismo estrutural, que é urgente no Brasil, ganhe ainda mais força e apoio da sociedade. Acreditamos que poderemos evoluir e contribuir para a construção de uma sociedade mais inclusiva e igualitária”, afirma Noël Prioux, CEO do Grupo Carrefour Brasil.

AÇÕES CONCRETAS

O grupo diz que "nos últimos dias, a empresa vem se reunindo com entidades representativas da causa e com especialistas que atuam nesta frente, visando compreender e aprender sobre como atuar de forma concreta na luta contra todo e qualquer tipo de discriminação, que inclui também outros públicos minorizados". Apesar de tratar como se fosse "aprender" agora sobre antirracismo, a empresa mantém uma plataforma de inclusão há 8 anos e afirma de diversidade e inclusão estão no seu DNA. 

Pressionada por fornecedores, investidores e pelo consumidor, a empresa se compromete a anunciar na quarta-feira (25), os compromissos e o plano de ação do trabalho, que nortearão o fundo. "As iniciativas compreenderão ações internas e projetos de âmbito externo, visando promover ações que envolvam seus milhares de colaboradores e também seus públicos externos".

 

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