ARTESANATO

Pouco público mas expectativa de bons negócios na Fenahall 2021

A Feira Nacional de Artesanato (Fenahall) abriu suas portas ao público nesta sexta-feira (8) seguindo rigorosos protocolos de higiene e limitação no número de visitantes

Edilson Vieira
Edilson Vieira
Publicado em 08/01/2021 às 22:43
Tião Siqueira/JC IMAGEM
Fenahall 2021 acontece no Classic Hall, em Olinda, até o próximo dia 17 de janeiro - FOTO: Tião Siqueira/JC IMAGEM
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A abertura da 18ª edição da Feira Nacional de Artesanato (Fenahall) nesta sexta-feira (8), no Classic Hall, em Olinda, e que segue até o próximo dia 17, ao contrário do que se viu nos anos anteriores, atraiu poucos visitantes no primeiro dia. Mas, o que podia ser um prenúncio ruim para as vendas, não chegou a desanimar os expositores. São cerca de duzentos deles, 20% a menos do que a edição de 2020. Entre os artesãos, lojistas e comerciantes do setor de alimentação havia alívio (pela realização da feira), e esperança de recuperar o faturamento perdido em 2020.

A vendedora Leide Daiane, que comercializa quadros para decoração e molduras, percebeu uma mudança no perfil do público. “Ano passado isso aqui estava cheio. Hoje tem bem menos gente, mas quem veio, veio para comprar, e não só para olhar”, disse Daiane, com a experiência de quem participou das 17 edições anteriores da Fenahall.

O mestre artesão Cícero Rodrigues, disse que recebeu o convite para participar da Fenehall deste ano com receio. Ele é de Petrolina, no Sertão do Estado, e cria peças figurativas de animais em madeira. Cícero contou que veio para o Recife “cheio de dúvidas”, se iria conseguir ou não vender suas peças. Vendeu 10, só neste primeiro dia. “Aquele medo que eu tava, passou. Já estou achando bom”, disse com um sorriso enquanto dava o acabamento em mais uma encomenda de clientes.

DETERMINAÇÃO

A Fenahall é uma espécie de prévia menor da Fenearte, a principal feira de artesanato de Pernambuco e uma das maiores do País, que acontece tradicionalmente no mês de julho, mas que em 2020 foi cancelada por conta da pandemia. O arquiteto Leonardo Cavalcanti, coordenador da Fenahall, disse que carregou por muito tempo a angústia de não saber se iria conseguir reunir os artesãos e o público este ano. “No ano passado, quando recebemos a notícia de cancelamento da Fenearte, eu me perguntei: e agora? Ou eu fazia uma Fenahall cheia de limitações ou escolhia o caminho mais fácil, que era desistir do evento deste ano”, afirmou Cavalcanti. Ele disse que já havia gente demais “quebrando por medo de empreender” e seguiu em frente, com a preocupação de oferecer segurança a expositores, funcionários e o público.

A Fenahall só conseguiu autorização do Governo do Estado para acontecer porque mudou sua configuração. Eliminou possíveis pontos de aglomeração, como os shows ao vivo, e deixou de ser considerada evento para ser denominada de feira de negócios. "A mudança fez com que a gente não precisasse se enquadrar no Decreto Estadual que limita o público de eventos a 150 pessoas", explicou Leonardo Cavalcanti. Assim, o que é levado em conta pelas autoridades é a capacidade máxima de público em relação ao espaço do local.

"Poderíamos comportar 870 visitantes mas decidimos limitar pela metade, 435 pessoas por vez. Os visitantes são contados na entrada e na saída. Quando completa a lotação, paramos a venda de ingressos. Só vai entrar mais gente na medida que outros saiam", pontuou o coordenador.A esse protocolo somam-se outros como o uso obrigatório de máscara, oferta de álcool em gel e de pias para a lavagem das mãos, e uso de uma máquina de sanitização de ambientes a cada duas horas.

SEGURANÇA

Foi a sensação de segurança que levou as amigas Vania de Deus, corretora, e Vania Brandão a visitarem a feira logo no primeiro dia. "Está bem tranquilo aqui e estou achando seguro", afirmou Vania de Deus, com a amiga completando: "Gostamos muito de artesanato e pensamos como deve estar sendo difícil para os artesãos. Viemos por eles, também", argumentou Brandão.

Sobre a expectativa de faturamento deste ano, o coordenador Leonardo Cavalcanti é menos preciso. "É difícil projetar. Vai depender da resposta do público, que este ano também tem a opção de comprar online pelo site [www.artenamao.com.br]. Mas eu não acredito que haverá uma redução grande nas vendas", espera Leonardo. No ano passado a Fenahall movimentou cerca de R$ 3 milhões em negócios diretos e o mesmo valor em vendas indiretas, geradas por encomendas após o encerramento da feira.

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Gostamos muito de artesanato e pensamos como deve estar sendo difícil para os artesãos. Viemos por eles, também", ressalta Vania Brandão (esq.) que foi à feira com a amiga Vânia de Deus. Ambas se sentiram seguras com as medidas sanitárias - FOTO:EDILSON VIEIRA/JC
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Aquele medo que eu tava, passou. Já estou achando bom", conta o mestre artesão Cícero Rodrigues, de Petrolina, que estava receoso com o fluxo de vendas na Fenahall deste ano - FOTO:EDILSON VIEIRA/JC
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Leonardo Cavalcanti, coordenador da Fenahall, enfrentou os "haters" e levou o projeto de realizar a feira adiante. "Os protocolos de segurança existem e estão sendo praticados". - FOTO:Edilson Vieira/JC
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Vendedora na Fenahall 2021, Leide Daiane percebeu mudança no perfil do público. "Quem está vindo vem para comprar, e não apenas para olhar". - FOTO:Edilson Vieira/JC

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