Entrevista

Fim do auxílio emergencial leva à insegurança econômica das famílias, avalia secretário de Pernambuco

O auxílio emergencial impactou no crescimento do consumo em Pernambuco, principalmente de eletroeletrônico, como smartphones

Cássio Oliveira
Cássio Oliveira
Publicado em 11/01/2021 às 10:00
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BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
Informação foi confirmada pelo secretário Décio Padilha à Rádio Jornal - FOTO: BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
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O fim do auxílio emergencial, concedido por conta da pandemia do novo coronavírus (covid-19), terá impacto na economia de Pernambuco, afirma o secretário estadual da Fazenda, Décio Padilha. Em entrevista à Rádio Jornal, na manhã desta segunda-feira (11), ele explicou a importância do benefício durante 2020.

"O auxílio foi muito importante na crise da pandemia, pois entramos em ciclo de retomada de crescimento e arrecadação tanto dos Estados quanto da União por consumo e não por estrutura da macro economia. O grosso do auxílio foi destinado a consumo em Pernambuco e foi um consumo enorme, principalmente de eletroeletrônico, como smartphones. Então, na hora que você tem mais de R$ 10 bilhões, de abril até em dezembro, cortando isso não só afeta o Brasil, Pernambuco tem impacto", disse.

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O secretário reforçou que as pessoas ainda estão dentro de contexto de crise. "São 14 milhões de desemprego e ainda existem restrições necessárias de isolamento, não tem tudo funcionando em plenitude e o corte nos leva à insegurança do ponto de vista das famílias, no primeiro quadrimestre de 2021. Se o Brasil não cresce logo, de forma estrutural, e isso demora, o viés de situação complica. Assim, a situação do corte do auxilio é muito impactante", afirmou Décio Padilha.

Pesquisa

Levantamento do especialista em política social Vinícius Botelho, publicada pelo Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), aponta que a pobreza extrema neste ano pode ser maior do que a verificada no País antes da covid-19.

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Assim, o número total de pessoas na extrema pobreza chegaria a 17,3 milhões em 2021, segundo os conceitos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O aumento levaria o País ao pior patamar de pobreza desde o início da pesquisa, em 2012.

Botelho concedeu entrevista ao jornal Estado de S. Paulo e afirmou que "Se nada for feito, a política social vai continuar com a mesma potência que em 2019, mas em uma realidade completamente diferente".

O especialista foi secretário dos ministérios da Cidadania e do Desenvolvimento Social e destacou que, durante a pandemia, as pessoas perderam a renda do trabalho. "Com o auxílio, essa queda foi compensada, mas, como não há alternativa para 2021, podemos cair em uma situação pior do que antes. É como se o Brasil tivesse feito um 'voo de galinha' na redução da pobreza."

Operações de crédito

Além do fim do auxílio emergencial, o secretário Décio Padilha ainda tratou do ajuste fiscal promovido pelo Governo de Pernambuco e que poderá garantir a duplicação na capacidade de investimento do Estado com o acesso a operações de crédito.

"Desde 2016, não conseguimos operação de crédito. Assim, todo investimento é feito de operaão de crédito antiga ou ICMS. Vamos apresentar em 15 de janeiro ao governo federal que Pernambuco fez ajuste fiscal forte nos últimos dois anos, atingimos bons indicadores de poupança corrente, liquidez e endividamento. Após apresentarmos os números, as operações podem ser liberadas em agosto, mas queremos antecipar. Hoje, Pernambuco investe R$ 1,4 bilhões e poderemos ter um crédito para pegar R$ 1,6 bilhões por ano", detalhou.

Ao apresentar os números ao governo federal, Décio Padilha espera que o Estado seja elevado da 'Capag C' para 'Capag B' - classificação que indica a capacidade de pagamento dos entes federados com a União. 

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