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''Usaremos medidas que possam trazer conforto na questão de combustíveis'', diz Bolsonaro em Pernambuco

A Petrobras subiu o preço da gasolina pela 4ª vez no ano. Ainda assim, Bolsonaro disse que não vai interferir na política de preços

Cássio Oliveira
Cássio Oliveira
Publicado em 19/02/2021 às 14:32
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Adalberto Marques/MDR/Divulgação
Presidente Jair Bolsonaro durante agenda no Sertão de Pernambuco - FOTO: Adalberto Marques/MDR/Divulgação
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Em sua passagem por Pernambuco, nesta sexta-feira (19), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reafirmou que pretende fazer mudanças na Petrobras. Ele ressaltou que não irá interferir na política de preços da empresa, mas cobrou maior previsibilidade para que a população não seja surpreendida com os reajustes no preço dos combustíveis. Ele não deu detalhes sobre quais alterações planeja na companhia.

"Anuncio que teremos mudança, sim, na Petrobras. Jamais vamos interferir nessa grande empresa, na sua política de preço, mas o povo não pode ser surpreendido com certos reajustes, faça-os, mas com previsibilidade, é isso que queremos. Se lá fora aumenta o preço do barril do petróleo, e aqui dentro o dólar está alto, sabemos das suas repercussões no preço do combustível, mas não continuará sendo um segredo de estado. Quero transparência de todos aqueles que tenho a responsabilidade de indicar", afirmou o presidente.

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A Petrobras anunciou nessa quinta-feira (18) mais um aumento dos preços médios de venda às distribuidores da gasolina e do diesel, que irão vigorar a partir de sexta-feira (19), segundo comunicado da estatal. O preço médio de venda de gasolina nas refinarias da Petrobras passará a ser de R$ 2,48 por litro, refletindo aumento médio de R$ 0,23 por litro. Já o preço médio de venda de diesel passará a ser de R$ 2,58 por litro, refletindo aumento médio de R$ 0,34 por litro.

"Tomamos a decisão de zerar todos os impostos federais em cima do botijão de gás. Se na origem ele custa menos de R$ 40, não justifica na ponta ele custar R$ 90 ou R$ 100. O governo federal faz sua parte, bem como decidimos, que nos próximos dois meses zeraremos os impostos federais em cima do diesel. Nestes dois meses, usaremos medidas que possam trazer conforto na questão de combustíveis no Brasil", afirmou o presidente.

O governo vem sofrendo pressão do setor de transporte por conta do valor dos combustíveis e por isso deve alterar a estrutura de tributação do setor. Nessa semana, foi enviado à Câmara o Projeto de Lei Complementar (PLP) 16/21, do Poder Executivo, que unifica em todo o País as alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidentes sobre combustíveis. A lista inclui gasolina, diesel, biodiesel, etanol e gás natural e de cozinha, além de vários outros derivados de petróleo. A proposta prevê que a cobrança será no local de consumo final. As alíquotas poderão variar conforme o produto e serão definidas depois pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que reúne os secretários da Fazenda dos 26 estados e do Distrito Federal.

Ramal do Agreste

Adalberto Marques/MDR/Divulgação
Presidente Jair Bolsonaro e ministro Rogério Marinho acionaram as comportas do primeiro trecho do Ramal do Agreste, no reservatório de Barro Branco, em Sertânia. - Adalberto Marques/MDR/Divulgação

O presidente esteve em Pernambuco para dar início aos testes e pré-operação do 1° trecho do Ramal do Agreste, na Estrutura de Controle do Reservatório Barro Branco, em Sertânia, Sertão do Estado. Acompanhado de aliados pernambucanos como o senador Fernando Bezerra Coelho, o prefeito Miguel Coelho e o deputado federal Pastor Eurico, Bolsonaro cumprimentou funcionários da obra, teve seu ministro do Turismo, Gilson Machado, tocando sanfona e ouvir gritos de "água para o Nordeste. 'Dale' Bolsonaro", durante a cerimônia. 

"Estamos em Pernambuco, pousamos na Paraíba, é sempre motivo de muita alegria visitar o nosso Nordeste. Água é vida para este povo sofrido, isso é mais que ganhar na Mega-Sena, água não tem preço", disse Bolsonaro.

O acionamento das comportas possibilita o início dos testes na estrutura e o enchimento do sistema adutor até o Reservatório Góis (antigo Reservatório Negros). Após a testagem de todas as estruturas do Ramal e, posteriormente, da Adutora do Agreste, o abastecimento poderá ser iniciado.

Após sair de Barro Branco, as águas passam por oito trechos de canais, quatro sifões e três túneis, que somam 37,4 quilômetros, até chegarem ao Reservatório Góis, que tem capacidade de armazenar 14,7 milhões de metros cúbicos de água. Toda essa estrutura integra o Marco 1 do Ramal do Agreste, que ainda é composto por mais dois trechos, com previsão de conclusão até julho de 2021. O tempo estimado de testes é de 80 dias.

No total, o Ramal do Agreste tem 70,8 quilômetros de extensão e capacidade de vazão de 8 mil litros de água por segundo. Quando finalizado, vai levar as águas do Eixo Leste do Projeto São Francisco, que está em pré-operação desde 2017, à região de maior escassez hídrica de Pernambuco.

A obra, executada diretamente pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), tem investimento federal total de R$ 1,67 bilhão, dos quais R$ 1,3 bilhão já foram empregados. Desse montante, 88% dos recursos foram liberados no governo do presidente Jair Bolsonaro. Cerca de 2,6 mil trabalhadores atuam no empreendimento, que está com 84,15% de execução.

O Ramal do Agreste vai alimentar a 1ª etapa da Adutora do Agreste, que possui 690 quilômetros de extensão. Com a conclusão dos dois empreendimentos, 1,3 milhão de habitantes em 23 cidades pernambucanas terão abastecimento regular. Quando a 2ª etapa da Adutora do Agreste, com mais 710 quilômetros, for concluída, os beneficiários podem chegar a até 2,2 milhões de habitantes em 68 municípios.

A 1ª etapa da Adutora do Agreste está com 69% de execução e tem previsão de conclusão em dezembro de 2021. O investimento federal é de R$ 1,25 bilhão.

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Presidente Jair Bolsonaro e ministro Rogério Marinho acionaram as comportas do primeiro trecho do Ramal do Agreste, no reservatório de Barro Branco, em Sertânia. - FOTO:Adalberto Marques/MDR/Divulgação

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