IMPACTO

Obra da Ponte Iputinga-Monteiro deve valorizar imóveis, além de melhorar trânsito. Entenda o que dizem os especialistas

O lado positivo vai ocorrer pela melhoria da mobilidade. Já com relação aos impactos nos imóveis, os executivos apresentam visões divergentes. Dois deles acreditam que o fluxo maior de pessoas e veículos podem impactar negativamente imóveis de bairros como Poço da Panela e Monteiro, enquanto um construtor diz que a melhoria da mobilidade pode ser mais um fator de valorização para estes bairros.

Angela Fernanda Belfort
Angela Fernanda Belfort
Publicado em 14/09/2021 às 18:12
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ATRASO Equipamento começou a ser erguido em 2012, mas estava com trabalhos interrompidos há 7 anos - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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A retomada da construção da Ponte do Monteiro vai ser positiva para a cidade do Recife como um todo, mas pode impactar com uma maior quantidade de pessoas e carros circulando bairros mais calmos, como o Poço da Panela e Monteiros. "Acredito que os imóveis vão se valorizar, porque é uma área que todo mundo quer morar, mas tem o problema do trânsito. Quando esse problema diminuir, vai valorizar mais ainda", diz o diretor comercial da Construtora Suassuna Fernandes Engenharia, Saulo Suassuna Fernandes Filho. Segundo ele, essa valorização vai ocorrer nos imóveis existentes em bairros como Casa Forte, Monteiro, Santana e Apipucos.

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"Nesta área, 50% do solo é verde e em alguns locais chega a 60%. É a área mais arborizada da cidade", diz Saulo. "Quem estava pensando em se mudar por causa do trânsito, vai desistir. Quem estava querendo vir, vai querer mais ainda. E quem descartava vir por causa do trânsito, vai reverter esta decisão", resume Saulo. 

Ele acredita que a busca por terrenos nos bairros citados acima vai aumentar, mas não considera que vai ocorrer a construção de mais prédios nestes locais, porque há pouca disponibilidade de terreno e os existentes não são grandes, além da lei para construir na área ser muito rigorosa. "Nestes bairros, às vezes, um terreno não dá para construir um prédio grande e aí o dono (do terreno) prefere alugar para um estabelecimento comercial, porque a remuneração supera a da construção de um prédio pequeno", comenta. Geralmente, os donos de terreno costumam trocar o terreno por apartamentos depois que o prédio fica pronto, mas a quantidade de apartamentos é proporcional ao tamanho do terreno.  

Saulo acredita também que os estabelecimentos comerciais de Monteiro, Casa Forte e imediações vão se beneficiar, porque moradores de bairros como Iputinga e Cordeiro vão ter acesso, de uma forma mais rápida,  a uma infraestrutura que vai estar do outro lado da ponte. 

OUTRO LADO

O presidente da Ademi, Avelar Loureiro Filho, diz que de imediato não vê impacto na construção de imóveis na área, porque bairros como Monteiro e Poço da Panela não têm mais muita área pra construir e fazem parte dos 12 bairros que têm a legislação mais rígida para construções novas. "A ponte vai  ter um impacto grande para moradores de bairros como Cordeiro, Caxangá e Várzea se deslocarem mais rapidamente para a Zona Norte", comenta. "No lado Sul da Ponte, pode ser que ocorra uma valorização dos imóveis em bairros como Iputinga, Várzea, Cordeiro e  Engenho do Meio. Do lado Norte, vai gerar mais fluxo de carros e pessoas, em bairros que as pessoas prezam por serem menos agitados, como, por exemplo, o Poço da Panela e Monteiro. E não considero que isso influencie positivamente na valorização dos imóveis deste bairro. Mas no geral, a construção da ponte é muito positiva para a cidade melhorar a mobilidade da cidade", resume. Outro bairro que Avelar acredita que a ponte também vai beneficiar o bairro de Casa Amarela, porque ao entrar no Monteiro o motorista já vai sair na Iputinga, que é zona oeste do Recife.

Arquiteto, urbanista e consultor técnico da Ademi, Sandro Guedes, argumenta que a ponte é bem vista no sentido de melhorar a mobilidade da cidade, já que vai construir uma conexão entre os bairros de Monteiro, na Zona Norte, e a Iputinga, na Zona Oeste, da cidade. "A valorização (dos imóveis) será relativa, porque são bairros que já estão consolidados e com pouca verticalização, como Monteiro, Apipucos, Poço da Panela e que têm baixa densidade populacional. Esse aumento do fluxo de carros e pessoas podem incomodar e gerar uma desvalorização dos imóveis destes bairros", argumenta. Por outro lado, ele também acredita que locais como Torre e Iputinga, que já possuem uma maior densidade populacional, podem ter uma valorização dos imóveis com a construção do empreendimento.

Sandro também diz que os impactos da construção da ponte devem ser distintos dos dois lados, porque eles possuem densidades populacionais "também distintas". E acrescenta: "O plano diretor da cidade para construir em bairros como Iputinga e Torre tem regras menos restritivas".  

EMPREENDIMENTO

A ponte Monteiro-Iputinga é chamada de Engenheiro Jaime Gusmão. As obras da construção do empreendimento começaram nesta segunda-feira (13). A obra tem um orçamento de R$ 38 milhões e deve beneficiar, diretamente, 58 mil pessoas, de acordo com informações da Prefeitura do Recife. O prazo para realização das obras é de 24 meses. Ela vai ligar a Zona Norte à Zona Oeste da cidade, reduzindo em até 33% o tempo de deslocamento das pessoas que moram nessas duas regiões.

A obra estava parada há sete anos e é muito importante para a mobilidade da cidade, porque vai ser implantada numa área onde não existe nenhuma ponte para veículos num trecho de quase 5 km do Rio Capibaribe. Atualmente, as pontes mais próximas ao longo do Capibaribe nesta região são a ponte da BR-101 e a ponte-viaduto Governador Cordeiro de Farias, que liga os bairros da Torre e Parnamirim. "É uma obra positiva porque há uma grande distância sem conexões entre estes dois lados da cidade", conclui Sandro Guedes. 

Segundo informações da Prefeitura do Recife,  somente como exemplo, a nova ponte reduzirá a distância entre o Parque de Exposições do Cordeiro e a Praça de Casa Forte dos atuais 6,7 km (via Torre-Parnamirim) e 8 km (via BR-101) para apenas 4,39 km. Motoristas indo do Parque do Caiara para o Parque Santana hoje precisam percorrer 5,1 km (via Torre-Parnamirim) ou 7,7 km (pela BR-101), distância que cairá para 3,82 km com a nova ponte.

 

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