REUNIÃO

Poder público busca novas alternativas para conter violência entre torcidas organizadas

Mesmo com a extinção 'formal' das Torcidas Organizadas, novos episódios de selvageria foram protagonizados no clássico entre Sport x Santa Cruz, no último sábado

Filipe Farias
Filipe Farias
Publicado em 09/03/2020 às 6:20
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ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
Torcida organizada do Santa Cruz, Inferno Coral, agradeceu aos participantes do que chamaram de " invasão a casa de festejos" - ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
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Após mais uma derrota do poder público para as torcidas uniformizadas, a Jovem (do Sport) e Inferno Coral (do Santa Cruz), que mesmo “extintas” promoveram inúmeras cenas de selvageria na Região Metropolitana do Recife antes e depois do Clássico das Multidões do último sábado, a Secretaria de Defesa Social (SDS) pretende buscar novas medidas para conter os episódios de vandalismo nos eventos esportivos realizados no Estado. É importante salientar que no próximo dia 25 de março, haverá um novo encontro entre rubro-negros e tricolores, também na Ilha do Retiro, pela última rodada da 1ª fase do Estadual.

De acordo com nota enviada pela SDS, no próximo dia 16 de março, às 9h, no Centro Integrado de Comando de Controle Regional (CICCR), está programada uma reunião para apresentação da nova Matriz de Risco. Trata-se de um conjunto de indicadores que avalia e define condições necessárias de segurança pública e privada, mobilidade, ordenamento urbano, entre outros aspectos, para a realização de um determinado jogo, a partir de suas características. Participam do Grupo de Trabalho (GT) Futebol - criado em março de 2019, por portaria do secretário Antonio de Pádua, para monitorar e avaliar a segurança de eventos esportivos: SDS, com todas as suas operativas, Grupamento Tático Aéreo (GTA), Ministério Público (MPPE), Tribunal de Justiça (TJPE), poder público municipal, Federação Pernambucana, além de Sport, Náutico e Santa Cruz.

Vale a pena relembrar que, no dia 18 de fevereiro deste ano, o juiz Augusto Sampaio Angelim, da 5ª Vara da Fazenda Pública da Comarca do Recife, determinou a extinção das três organizadas mais violentas do Estado (Jovem, Inferno Coral e Fanáutico, ordenando ainda o encerramento dos respectivos Cadastros Nacionais de Pessoa Jurídica - (CNPJ).

Com a extinção ‘formal’ das três uniformizadas, a Polícia Militar deixou de fazer a tradicional escolta dos membros das Organizadas até o estádio, antes e depois dos jogos - como foi confirmado pelo tenente coronel Ricardo Lopes, coordenador de planejamento operacional da Polícia Militar, em entrevista ao comentarista da Rádio Jornal, Maciel Júnior, na última sexta-feira. Ainda de acordo com a fala do Cel. Lopes, antes do clássico, o planejamento feito para essa partida foi de um efetivo com 497 policiais, sendo 112 na área interna da Ilha do Retiro e 385 no entorno, cobrindo um raio de cinco quilômetros do estádio.

Porém, diante da decisão da PM de não realizar mais a escolta e de promover um acompanhamento policial apenas no entorno da Ilha do Retiro, o que se viu na prática foram confusões descentralizadas. Casos de violências e confrontos, com pessoas sendo espancadas de maneira covarde (ler matéria ao lado), em Camaragibe, no início da Avenida Conde da Boa Vista, na Avenida Agamenon Magalhães e em Olinda foram registrados, inclusive, com relatos de disparos de tiro.

NOTA

De acordo com a nota enviada pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS), apenas sete pessoas foram detidas e conduzidas à Delegacia de Combate à Intolerância Esportiva. Ainda segundo o comunicado oficial, “o Grupamento Tático Aéreo (GTA) dispersou uma briga entre torcedores do Santa Cruz e do Sport na Avenida Agamenon Magalhães e sobre a Ponte José de Barros Lima, que dá acesso ao bairro da Ilha Joana Bezerra. O Grupamento Tático Aéreo (GTA) foi acionado pelo CIODS e utilizou artefatos não-letais de efeito moral (gás lacrimogêneo) para ajudar a conter torcedores que promoviam tumulto”.

Procurado pela reportagem do Jornal do Commercio, o Tenente Coronel Tibério Noronha, comandante do comandante do Batalhão de Polícia de Choque de Pernambuco, informou apenas que ‘o Batalhão de Choque só responde pelo policiamento interno e, dentro do estádio, não houve nenhum problema’. Já a Polícia Militar, através de nota, informou que ‘atuou durante o clássico entre Sport e Santa Cruz, em todo entorno do local do jogo e nas principais vias de acesso, agindo nos focos onde existiam grupo de torcedores querendo praticar desordem.

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