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Dia Consciência Negra: Os maiores atletas da história na luta contra o racismo

Atletas negros combatem a desigualdade racial dentro e fora dos palcos esportivos

Gabriela Máxima
Gabriela Máxima
Publicado em 20/11/2020 às 7:29
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MELHOR QUE NUNCA Lewis Hamilton acabou de conquistar o sétimo título da Fórmula 1, igualando-se a Michael Schumacher - FOTO: reprodução do Twitter
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Os maiores atletas da história de esportes como futebol, basquete, atletismo são negros. Nomes como Pelé, Michael Jordan e Usain Bolt ganharam notoriedade e se tornaram referências pelo talento fora da curva em suas respectivas modalidades. Apesar da forte representatividade no cenário esportivo, os negros ainda são bastante discriminados. Muitas vezes silenciados diante de uma trajetória de luta sem volta. Em pleno 2020, atletas negros se posicionam para reforçar a luta antirracista. No Dia da Consciência Negra, rememorado neste 20 de novembro, o debate ganha força em um ano marcado por violência de brancos contra negros e manifestações em todo o mundo.

O piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton é o exemplo mais emblemático dos últimos anos. O britânico é o único negro na disputa da principal categoria de automobilismo e se tornou uma máquina de bater recordes. No último domingo (15) ele conquistou o heptacampeonato da Fórmula 1 com quatro provas de antecedência. É o maior vencedor da categoria ao lado de Michael Schumacher, com sete títulos. Em provas, Hamilton recordista com 94 triunfos e contando...Fora do grid, o britânico também é referência. Usa suas redes sociais para falar sobre a necessidade da igualdade racial e lidera nos bastidores da F-1 a campanha Vidas Negras Importam, iniciada após o assassinato do ex-segurança George Floyd, nos Estados Unidos. 

Hamilton ocupa os espaços antes proibidos para pessoas de sua cor. No primeiro semestre se juntou a milhares de jovens em um protesto nas ruas de Londres. O engajamento é recebido de várias formas: com respeito, entusiasmo e muitas críticas. Ele comentou. "Não acho (que o movimento) esteja sendo levado a sério (na Fórmula 1). Talvez algumas pessoas não tenham vivenciado esse problema e não entendam. Há quem pense que não é afetado. Eu já ouvi o comentário: 'isso não me afeta. Por que eu iria me importar", relatou. Em outro momento, o piloto revelou que já foi silenciado por tentar se posicionar. "É um combate por igualdade. Não se trata de publicidade", disse. 

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Assim como Hamilton, outros negros escreveram seus nomes na história ao se tornarem os maiores atletas de seus esportes. A lista é extensa e conta com Pelé, no futebol, Michael Jordan, no basquete, Usain Bolt, no atletismo, Serena Williams, no tênis, Muhammad Ali, no boxe, entre outros. Pelé ganhou status de Rei e jogador do século por seu talento com a bola. Em entrevista recente, ele lembrou que já sofreu racismo no futebol. "Há coisas que a gente vê no futebol e fora dele. Mas isso sempre houve. Na Argentina me chamavam de negro e o Santos sofria com isso. Na Suécia não havia negros e eu me sentia diferente lá. As meninas passavam a mão no meu rosto por conta da minha cor", comentou.

Mito da democracia racial

Ultrapassando o cenário esportivo, é menos comum encontrar negros ocupando espaços de destaque em outros âmbitos sociais. Especialistas apontam que o racismo é explicado por uma dicotomia entre natureza, corpo e cultura, civilização. O mito da democracia racial, conceito estudado nas Ciências Sociais, consegue explicar o cenário do racismo na atualidade. Há quem diga que existe respeito e tolerância entre pessoas de raças diferentes, mas na prática negros são desqualificados simplesmente pela cor de sua pele. No futebol, há inúmeros casos de jogadores chamados de "macacos" quando cometem algum tipo de falta em campo. Não há espaço para erros.  

Mulheres são referências

A tenista Serena Williams é uma das maiores vencedoras de Grand Slams na era aberta, com 23 títulos. Ela é um dos maiores nomes da história da modalidade, em outro esporte que é dominado por atletas brancos. Atual número 11 do ranking internacional, Serena é referência no combate ao racismo dentro de fora das quadras. Em entrevista a Vogue britânica, ela disse que foi desvalorizada como mulher negra no esporte e que a tecnologia surgiu como aliada para destacar a violência contra os negros.

"Agora nós temos uma voz. E penso: como vocês não viram nada disso antes. Passei minha carreira inteira falando sobre esse tipo de coisa", disse Serena, que tem 39 anos e acredita que sua forma de combater o racismo tem relevância. "Talvez isso não melhore a tempo para mim. Mas alguém na minha posição pode mostrar às mulheres e às pessoas negras que temos voz. Deus sabe que eu uso a minha", concluiu.

Entre as mulheres de destaque em esportes dominados por brancos há na natação a pernambucana Etiene Medeiros. A atleta de 29 anos é atualmente a melhor representante brasileira na modalidade. É protagonista do esporte apresentando em seu currículo títulos como o mundial em piscina longa nos 50m costas, o bicampeonato mundial nos 50m costas em piscina curta e dois ouros em Jogos Pan-Americanos, nos 50m costas e 100m livre.

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